Polícia

TJ/AL julga recursos de policiais condenados pela morte e desaparecimento de Davi da Silva

Defesas dos quatro réus tentam modificar decisão do Tribunal do Júri, que aplicou penas que somam mais de 100 anos de prisão

Por Tribuna Hoje 02/09/2026 08h00 - Atualizado em 02/09/2026 18h15
TJ/AL julga recursos de policiais condenados pela morte e desaparecimento de Davi da Silva
Davi da Silva - Foto: Reprodução

O Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL) julga, nesta quarta-feira (2), os recursos apresentados pelas defesas dos quatro policiais militares condenados pela morte e pelo desaparecimento do adolescente Davi da Silva, de 17 anos. A sessão estava inicialmente prevista para o dia 26 de agosto, mas foi adiada.

Os quatro policiais foram condenados pelo Tribunal do Júri em maio de 2026. Somadas, as penas chegam a 100 anos, 2 meses e 23 dias de prisão, todas em regime fechado. As defesas recorreram da decisão e pedem uma nova análise do julgamento realizado pelos jurados.

Davi desapareceu em 25 de agosto de 2014, após ser abordado e colocado em uma viatura da Rádio Patrulha, no Conjunto Cidade Sorriso I, no Benedito Bentes, em Maceió. Desde então, o adolescente não foi localizado e o corpo nunca foi encontrado.

O Ministério Público de Alagoas (MP/AL) se manifestou contrário aos recursos e defende a manutenção integral das condenações e das penas. Para o órgão, o conjunto de provas reunido durante o processo sustenta a decisão do Tribunal do Júri.

Entre os elementos apresentados pelo Ministério Público estão registros de telefonia, depoimentos de testemunhas e o reconhecimento realizado por Raniel Oliveira Silva, que estava com Davi no momento da abordagem e foi liberado pelos policiais. Segundo o MP/AL, durante o procedimento de reconhecimento, Raniel identificou os quatro réus e apontou a participação individual de cada um na ação.

Outro ponto destacado pela acusação são os registros de telefonia analisados durante o processo. Segundo o MP/AL, a guarnição estava no Jacintinho às 7h34 e, às 8h01, um dos aparelhos utilizados por integrantes da equipe se conectou a uma Estação Rádio-Base (ERB) localizada no Loteamento Jardim Paulo VI, na Cidade Universitária. A área de cobertura da antena alcançaria a principal via de acesso ao Benedito Bentes e à Cidade Sorriso.

Para o Ministério Público, os dados confrontam a versão apresentada pelos policiais de que a guarnição teria chegado à região somente por volta das 9h. Testemunhas também relataram que Davi foi colocado em uma viatura caracterizada da Rádio Patrulha e mencionaram detalhes do veículo, entre eles a imagem de um pit bull. O então comandante do batalhão confirmou que as viaturas utilizavam esse símbolo naquele período.

Penas


As condenações foram fixadas individualmente pelo Tribunal do Júri da seguinte forma:

Eudecir Gomes de Lima: 28 anos, 1 mês e 3 dias de reclusão;
Carlos Eduardo Ferreira dos Santos: 24 anos, 4 meses e 13 dias;
Nayara Silva de Andrade: 24 anos, 4 meses e 13 dias;
Victor Rafael Martins da Silva: 23 anos, 4 meses e 24 dias.

As defesas sustentam argumentos para modificar a decisão dos jurados, enquanto o Ministério Público afirma que não houve falhas capazes de comprometer o julgamento e pede a manutenção das condenações.

Com a análise dos recursos, caberá ao TJ/AL decidir se mantém integralmente a decisão do Tribunal do Júri ou se acolhe, total ou parcialmente, os pedidos apresentados pelas defesas.