Interior
Agroecologia Quilombola: saberes ancestrais e universidade em diálogo
Projeto de extensão promove oficinas teóricas e práticas em Santana do Mundaú, fortalecendo territórios quilombolas e a luta por soberania alimentar
O Curso de Geografia da Universidade Estadual de Alagoas (Uneal) – Campus V, em articulação com o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) Aqualtune, o Instituto SIrmãos Quilombolas, por meio de sua presidente Cícera Vital, e lideranças das comunidades tradicionais, deu início ao projeto de extensão “Agroecologia Quilombola”, que une formação acadêmica, valorização dos saberes ancestrais e fortalecimento das comunidades quilombolas de Alagoas.
A iniciativa, planejada coletivamente pelos professores Dr. Antônio Marcos Pontes de Moura e Dra. Adriana Rocely Viana da Rocha, atende a uma demanda apresentada pela presidente do Instituto Irmãos Quilombolas, em Santana do Mundaú. O projeto reúne estudantes, quilombolas, movimento negro e o coletivo feminino As Dandaras, criando espaços de diálogo entre universidade e território.
As atividades estão organizadas em duas oficinas:
Oficina 1 — “Noções Gerais sobre Agroecologia Quilombola” (ocorrida em 6 e 7 de maio)
Oficina 2 — “Sistemas Agroflorestais” (acontecerão de 19 a 21 de maio)
Nos primeiros dias, os encontros acontecem na Uneal – Campus V, em União dos Palmares, com debates e formação teórica. Já as práticas são realizadas na comunidade quilombola de Jussarinha, em Santana do Mundaú, sob orientação do professor Tiago da Silva, agroecólogo e quilombola da comunidade de Cajá dos Negros, em Batalha.
Os temas abordados incluem agroecologia quilombola, ancestralidade africana, preservação ambiental, sistemas agroflorestais, soberania alimentar, manejo sustentável e fortalecimento dos territórios.
A culminância será no dia 21 de maio, com o Primeiro Encontro das Mulheres Quilombolas e Movimento Negro sobre Agroecologia, reunindo autoridades, lideranças comunitárias e representantes da Uneal em um momento de celebração, diálogo político e afirmação dos direitos das comunidades quilombolas.
O projeto também fortalece a curricularização da extensão no Curso de Geografia, permitindo que estudantes vivenciem práticas formativas conectadas às realidades locais. Para o coletivo Dandaras e o Instituto Irmãos Quilombolas, o sonho é que a Uneal crie um curso de graduação em Agroecologia Quilombola, garantindo a permanência da juventude em seus territórios e combatendo a saída forçada em busca de trabalho precário.
Como afirmam as Dandaras: “Nada para quilombolas sem participação de quilombolas.”
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