Educação
Livro resgata trajetória da Educação Física e do estudo do movimento humano
A educação física como campo profissional e científico transformou-se continuamente desde sua invenção na Europa no século 19. A partir de suas memórias individuais em torno da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP, os professores Edison de J. Manoel e Emerson Franchini, ao lado do professor aposentado José Guilmar Mariz de Oliveira, lançam a obra Educação Física, Esporte e Cinesiologia Humana na USP, publicada pela Editora da USP (Edusp) e disponível para compra neste link.
Os autores demonstram como essa importante instituição de ensino testemunhou e ao mesmo tempo atuou nas mudanças dessa área do saber desde sua criação, em 1934, quando foi pioneira na formação de professores especializados no primeiro curso civil voltado para a temática, antes mesmo de sua incorporação oficial à USP, ocorrida em 1969. Ao longo das décadas seguintes, a instituição testemunhou e protagonizou momentos decisivos para a área, abrangendo reformas curriculares, a criação do bacharelado em Educação Física e a contínua consolidação da pesquisa acadêmica em torno do movimento humano.
Com uma perspectiva crítica, os docentes articulam suas vivências aos debates mais urgentes da atualidade, analisando a educação física como uma ciência intrinsecamente conectada à ação social, ao bem-estar e ao viver sustentável. O texto discute os impactos das transformações contemporâneas na prática profissional e na formação acadêmica, com atenção especial aos desafios impostos pelo avanço acelerado das novas tecnologias e pelo fenômeno do negacionismo científico.
“Cabe lembrar que, em 1934, a então Escola de Educação Física foi criada como uma instituição de ensino público para formar licenciados para atuar com educação física na educação básica”, informa o professor Edison Manoel na apresentação do livro-ensaio. Ele também destaca a primeira grande obra acerca da educação física no Brasil, escrita por Fernando de Azevedo, um dos idealizadores e fundadores da USP, quase 20 anos antes da criação da Universidade e da Escola de Educação Física. “Esse vínculo histórico e suas repercussões na constituição da educação física brasileira são o mote do ensaio”, afirma. É essa obra que abre o primeiro capítulo, “A Educação Física da Ótica de Fernando de Azevedo: da Higiene e Eugenia a um Valor Formativo do Movimento Humano”, articulando a trajetória intelectual desse professor mineiro e seu papel seminal na institucionalização da educação física no Brasil.
No capítulo 2, intitulado “Por uma (Nova) Educação Física… Contando Estórias de um Ingressante na USP”, Edison narra sua experiência como estudante, articulando trajetória pessoal e transformações institucionais, traçando também a história da EEFE desde sua fundação até a incorporação à USP. “Nele, algumas rupturas são identificadas, como na criação do curso de Mestrado em Educação Física no fim dos anos de 1970; e os debates provenientes dos acordos internacionais com universidades estadunidenses, que propiciaram a mobilidade de docentes da EEFE para os Estados Unidos”, conta o professor Edivaldo Góis Junior, no prefácio, lembrando ainda da criação do curso de Bacharelado em Esporte na EEFE-USP, em 1992, que se tornou um dos mais polêmicos nas discussões sobre formação profissional na área, ao separar educação física e esporte em graduações diferenciadas.

A obra ainda traz outros cinco capítulos: “O Mito da Fênix e o Desafio do Novo: A Educação Física e o Esporte Vão à USP e Nasce a Cinesiologia Humana”, que apresenta as bases conceituais que sustentaram essa ruptura entre educação física e esporte, e a consequente formulação da cinesiologia humana como campo acadêmico autônomo; “Do Florete de Lygia Fagundes Telles ao Coração de um Novo Curso na USP: Os Desafios da Implementação os Anos 1994-2000”, narrando os desafios da implementação dos novos currículos entre 1992 e 2000; “Preparação Profissional em Educação Física: Relato de um Aluno da Primeira Turma de Bacharelado em Educação Física”, com as memórias do professor Emerson Franchini; “Fundamentação Científica e Preparação Profissional em Esporte”, que aprofunda o debate sobre o Bacharelado em Esporte.
E, por fim, “A Redescoberta do Movimento Humano no Século XXI: Uma Nova Educação Física e Esporte na USP?” propõe uma visão crítica sobre o futuro da educação física. Segundo o professor Edivaldo, que assina o prefácio, o capítulo funciona como um escorço do livro, chamando os profissionais à responsabilidade crítica diante dos desafios contemporâneos, como a sustentabilidade, a educação formal do movimento humano com objetivos específicos, sem perder de vista o compromisso com uma formação integral dos educandos.
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