Economia
Microempreendedores que estão mudando a realidade econômica dos bairros de Maceió
Primeira reportagem no Benedito Bentes
Micro empreendedores mudam a realidade econômica do Benedito Bentes. Série de Reportagens sobre empreendedorismo nos bairros de Maceió
Repórter
Claudio Bulgarelli
Imagens
Edilson Omena
O universo do microempreendedorismo em Maceió está em plena expansão, concentrando cerca de 140 mil micro e pequenas empresas, o que representa quase metade de todos os pequenos negócios do estado de Alagoas. A capital alagoana se destaca como um ambiente fértil e inovador para o Microempreendedor Individual (MEI). Isso se deve a uma forte rede de apoio, ao crescimento do protagonismo feminino e a programas voltados à transformação digital.
A região metropolitana da capital concentra cerca de 64,6% de todas as formalizações de pequenos negócios do estado de Alagoas, mercado impulsionado tanto por oportunidades nas áreas de turismo e serviços quanto pela força comercial que movimenta as periferias da cidade. Os setores de serviços e comércio lideram com folga as aberturas de pequenas empresas na região, com negócios voltados para alimentação, vestuário, beleza, bem-estar e serviços digitais são os mais frequentes.
Neste universo, as mulheres são peça-chave no mercado, representando cerca de 68% dos participantes inscritos em programas de capacitação municipais e somando mais de 55 mil Microempreendedoras Individuais (MEIs) em todo o estado. Paralelamente o mercado tem assistido a força das periferias, com um comércio nos bairros periféricos e populosos, como a Cidade Universitária e Benedito Bentes, que lideram em número de empresas ativas na capital, movimentando milhões de reais anualmente, retendo o consumo dos moradores dentro de suas próprias comunidades.
Segundo as secretarias da Fazenda do estado e do município de Maceió, o microempreendedorismo nos bairros da Capital é a principal força motriz da economia local, somando mais de 91 mil Microempreendedores Individuais (MEIs) ativos na capital alagoana. O ecossistema se divide claramente entre a expansão comercial e demográfica da Parte Alta, a consolidação de serviços na Parte Baixa e os desafios socioeconômicos gerados nas áreas afetadas pela evacuação de bairros históricos, devido o problema do desastre ambiental provocado pela mineração da Braskem.
E é o microempreendedorismo, por exemplo, que está redefinindo a economia do Benedito Bentes (conhecido como "Biu"), transformando-o em um dos principais polos de negócios de Maceió, com mais de 10 mil empresas ativas, segundo a Secretaria da Fazenda de Alagoas. Essa expansão do comércio local descentraliza a renda e reduz a dependência econômica das regiões litorâneas da capital alagoana, além do crescimento populacional, que impulsiona a criação de milhares de micro e pequenas empresas (varejo e serviços), gerando emprego e renda dentro do próprio bairro.
Certamente, o aumento do microempreendedorismo no Benedito Bentes reflete a necessidade de geração de renda diante das taxas de desemprego, a autonomia financeira e a consolidação do bairro como um polo autônomo. Esse crescimento é impulsionado por fatores específicos na região, como autonomia e mercado local, já que o "Biu" funciona como uma verdadeira minicidade, onde o hábito dos moradores de consumir dentro da própria comunidade estimula a abertura de novos negócios focados na conveniência.

E foi com a criação da Associação dos Microempreendedores do Benedito Bentes, AMEBB, fundamental para fortalecer a economia local, que garantiu representatividade política, facilitou o acesso a crédito e capacitação, organizando empreendedores e trabalhadores do maior bairro da cidade. A associação, que dá voz aos microempreendedores junto ao poder público, facilita negociações para melhorias de infraestrutura, organização de feiras de rua e espaços adequados de trabalho.
Para a presidente da AMEBB, empresária Josy Rocha, embaixadora do Encanta Maceió no Benedito Bentes, a criação da Associação foi fundamental para transformar a economia local. Como CEO da Ótica Ocular, ela utiliza sua trajetória para inspirar e articular o fortalecimento do comércio no bairro. ``Depois do surgimento da associação, tivemos iniciativas de órgãos de fomento, como o Sebrae, oferecendo capacitações e suporte para microempreendedores, além da Prefeitura de Maceió, que tem concentrado parte dos investimentos urbanos no bairro, atraindo novas empresas de médio e grande porte´´. Afirma ela.

O perfil de "fim de mundo", como o conjunto habitacional era chamado na época de sua fundação, em 1986, ficou no passado. Hoje, o complexo do Benedito Bentes atua como uma verdadeira cidade independente, onde os próprios moradores e empreendedores movimentam a economia local, encurtam distâncias e ditam o desenvolvimento da parte alta de Maceió.
A empresária Patrícia Estevão destaca que a criação da associação voltada aos microempreendedores foi um passo fundamental para transformar a economia local e tirar os pequenos negócios da invisibilidade. Baseada em sua própria jornada como fundadora da loja Pacotinhos de Amor, ela defende que a união da categoria fortalece o comércio da região mais populosa de Maceió. Patrícia, que começou a trabalhar com 18 anos de idade com cosméticos íntimos, almejava fazer dessa atividade sua principal fonte de renda.

Dona de um sex shop on-line, ela percebeu que precisava dar novos passos para impulsionar as vendas e abrir a tão sonhada loja física, que completou um ano no último dia 6 de junho. Sua loja chegou a concorrer pela conquista do Prêmio Mercado Erótico Sensual e Bem Estar Íntimo.
O IBGE não divulga o Produto Interno Bruto (PIB) isolado para bairros, apenas para municípios. No entanto, sabe-se Maceió movimenta um PIB de aproximadamente R$ 33,7 bilhões, e o Benedito Bentes, maior polo urbano e populacional do município, destacando-se como uma área em forte expansão econômica, atua como um grande centro de serviços e comércio independente o que pode ser verificado por algumas métricas econômicas.
Como o Benedito Bentes concentra mais de 10.300 negócios formais, figurando entre os bairros com maior quantidade de registros ativos na Junta Comercial do Estado de Alagoas, sendo também o bairro mais populoso da capital, abrigando mais de 110 mil habitantes, é fundamental para a economia de Maceió, pois funciona como um grande polo de comércio autônomo, geração de empregos e movimentação financeira.
Mais lidas
-
1Fim do mistério!
As Cores do Mal: Preto final explicado: Piotrus está vivo?
-
2La Venganza Final
Rosário Tijeras vai enfrentar a própria filha? 5ª temporada chega à Netflix com guerra familiar
-
3Bombando na Netflix!
A chocante história real por trás da minissérie 'A Testemunha'
-
472 anos
Empresário Kristhian Douglas Pinaud Calheiros morre em Maceió
-
5Tarifa
Brasil quer convencer EUA de que acordo seria melhor que taxar em 25%





