Política
Alagoas: exportação de açúcar cai 17%
Com tarifaço americano, administração do Porto de Maceió diz que já teve uma redução de 1,2 milhão de toneladas para 1 milhão
Em recente conversa com a Empat, empresa arrendatária do Terminal Açucareiro de Alagoas, o administrador do Porto de Maceió, Diogo Holanda, foi comunicado que a safra de açúcar 2025/2026 já teve uma redução de quase 17%, caindo de 1,2 milhão de toneladas para 1 milhão. A queda é reflexo do tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos da América (EUA) aos produtos exportados pelo Brasil.
Segundo a assessoria do Porto de Maceió, o impacto das tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, tem reflexo também no baixo preço do açúcar no mercado internacional.
“O que direcionou a produção para outros produtos, como, por exemplo, o etanol”, acrescentou Diogo Holanda, por meio da assessoria de comunicação do Porto de Maceió.
A previsão para a próxima safra 2026/2027 do açúcar produzido em Alagoas também tem estimativa de queda, com a possibilidade de manter o patamar negativo da safra 2025/2026.
“Porém, com as novas tarifas impostas, acreditamos sim que poderemos ter uma redução ainda maior na movimentação”, revelou o administrador do Porto de Maceió.
“No entanto, ainda não recebemos informações atualizadas da Empat sobre o tamanho deste possível impacto nas exportações de açúcar em sacado e a granel”, acrescentou Holanda. “A empresa ficou de enviar o resultado dos impactos da nova tarifa, mas até agora não recebemos”, completou. Como o novo tarifaço entrou em vigor na semana passada, é possível que esta semana o quadro esteja mais definido.
COTA AMERICANA
Questionado sobre como ficam as exportações em Alagoas após o “tarifaço”, o economista Cícero Péricles afirmou que, em Alagoas, o impacto maior seja na venda de açúcar para os EUA.
“O impacto da tarifa norte-americana sobre as exportações alagoanas está tendo e terá efeitos sobre as vendas de açúcar, na medida em que existe, desde os anos 1960, a Cota Americana, um mecanismo que define o volume importado e reduz as tarifas americanas de importação, permitindo a entrada do açúcar dos estados nordestinos por um preço mais alto que a média internacional”, destacou Péricles.
Segundo ele, “este ano, os Estados Unidos reduziram esta Cota de 156 mil toneladas para 100 mil toneladas e, por outro lado, impôs uma tarifa adicional de 25% para o açúcar fora desse mecanismo. Neste cenário, o produto nordestino perde competitividade, perde mercado”.
Cícero Péricles disse também que há uma preocupação adicional: ontem os Estados Unidos anunciaram uma nova tarifa de 12,5% sobre os produtos brasileiros, alegando a existência de trabalho forçado no nosso país. “No entanto, ainda não se sabe se o açúcar está na lista dos produtos atingidos ou se está isento”.
No tocante ao etanol, o economista comentou que o problema é menor porque o Brasil exporta pouco para o mercado norte-americano. “Atualmente, o setor exportador brasileiro, incluindo o sucroalcooleiro, e o governo federal, trabalham para encontrar novos mercados e ampliar os já existentes, buscando espaços alternativos para os produtos nacionais que, tradicionalmente, tinham como destino os Estados Unidos”, concluiu.
Seção 232
A Seção 232 da Lei de Expansão Comercial dos Estados Unidos (Trade Expansion Act de 1962) tem um objetivo diferente.
Ela permite que o governo norte-americano imponha restrições às importações quando conclui que determinado produto representa risco à segurança nacional.
Diferentemente da Seção 301, que investiga práticas comerciais de países específicos, a Seção 232 normalmente estabelece tarifas para setores inteiros, aplicadas a praticamente todos os parceiros comerciais.
Foi esse mecanismo que serviu de base, por exemplo, para as tarifas sobre aço, alumínio e outros produtos industriais.
Segundo o Mdic, os produtos sujeitos às tarifas da Seção 232 não acumulam as novas sobretaxas impostas pela Seção 301.
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