Economia

Em 2021, economia precisa da imunização

Setor econômico brasileiro, bem como as projeções para Alagoas, apontam que o baque da pandemia continua gerando incertezas

Por Texto: Carlos Amaral com Tribuna Independente 01/01/2021 09h28
Em 2021, economia precisa da imunização
Reprodução - Foto: Assessoria
O ano de 2020 foi marcado pela pandemia de Covid-19, resultando em fechamentos de estabelecimentos comerciais o que, consequentemente, redução de arrecadação, perdas de empregos e diminuição do consumo. Em paralelo às milhões de mortes no planeta e às centenas de milhares no Brasil, a economia sofreu um baque considerado. A reposta governamental não foi a contento e, para 2021, as projeções não são animadoras, principalmente sem a imunização da população. A análise é do economista da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Cid Olival. “O ano 2020 foi bastante difícil no aspecto econômico. Como sabemos, a pandemia paralisou diversas atividades produtivas, elevou ainda mais o desemprego (que já era alto) e provocou uma queda no nível de renda da população brasileira. A situação só não foi pior porque o Congresso Nacional aprovou o Auxílio Emergencial, que beneficiou cerca de 67,9 milhões de pessoas e injetou mais de R$ 275 bilhões na economia do país. Mesmo assim, as previsões para o PIB deste ano giram em torno de -4,5% a -4,7%”, pontua o economista. Ele aponta para maiores dificuldades econômicas no primeiro semestre do próximo ano, ainda sob reflexo da pandemia de Covid-19. “Para 2021, o cenário não é nada promissor, pelo menos para o primeiro semestre. Como estamos vivenciando uma ‘nova onda de contaminações’, com elevação no número de casos e de mortes provocadas pelo novo coronavírus, alguns estados poderão adotar novas medidas restritivas de contenção do vírus, paralisando alguns setores e adiando ainda mais as possibilidades de recuperação econômica”, diz. “A retomada da economia guarda relação direta com a imunização da população. Então, quanto mais demorarmos para iniciar o processo de vacinação em massa, mais lenta e difícil será a resposta da economia” completa Cid Olival. Por conta disso, destaca, o desemprego deve seguir com índices elevados, devido ao baixo consumo. “Em 2021, devemos continuar com taxas de desemprego e de informalidade bastante elevadas. Como alguns setores estão operando abaixo da sua capacidade produtiva e não temos uma expansão significativa do consumo, não há razões para contratar novos trabalhadores. Atualmente, o país amarga a taxa de 14,6% de desempregados, ou seja, mais de 14,1 milhão de pessoas estão fora do mercado de trabalho. A taxa de informalidade é de 38,4%, o que corresponde a 31,6 milhão de pessoas”, pontua. “Com menos trabalhadores no mercado, o nível de renda do conjunto da população tende a cair, criando uma espiral negativa na economia. Esta situação assume contornos dramáticos com o fim do auxílio emergencial, deixando milhares de famílias sem condições mínimas de sobrevivência, aumentando os níveis de pobreza e de extrema pobreza”, destaca Cid Olival. Inflação com estabilidade, mas salários achatados O economista da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Cid Olival. pondera que o índice inflacionário deve ter alguma estabilidade, mas com os salários seguirão achatados. “O salário mínimo anunciado para 2021 não traz ganhos reais para a população. Além disso, embora os níveis de inflação tendam a se estabilizar ao longo do ano, iniciaremos 2021 com aumento de alguns preços administrados, como combustíveis e energia elétrica, e pressões inflacionárias sobre alimentos – que não são causadas pelo auxílio emergencial, mas pela alta do dólar, demandas internacionais e ausência de um plano de segurança alimentar por parte do governo brasileiro –, que reduzirão ainda mais o poder de compra das famílias, sobretudo das mais pobres”, explica Cid Olival. VACINAÇÃO O professor da Ufal ainda ressalta que o fato de o Brasil ter ficado para trás na compra de vacinas e na promoção da imunização da população, isso terá reflexos na economia do país, ainda mais com o fim do status de Estado de calamidade pública. “No cenário externo, o processo de vacinação ao redor do mundo tenderá a alavancar a recuperação da economia mundial, o que poderá estimular as exportações brasileiras, sobretudo porque o dólar deverá permanecer elevado. Isso vai depender, no entanto, das relações diplomáticas do Brasil para com países da União Europeia, China, Argentina e Estados Unidos”, pontua. “Em 2021, teremos o fim do estado de calamidade pública, diminuindo o espaço de manobra orçamentária, em virtude das regras fiscais existentes, como teto de gastos e meta de superávit primário. Somado a isto, as proposições do Ministério da Economia sinalizam para o avanço de reformas cujo propósito é o corte de gastos e a venda do patrimônio nacional. Essas medidas, ao invés de contribuírem com a recuperação econômica, tenderão a agravar ainda mais as mazelas da sociedade brasileira”, completa Cid Olival. PIB O economista contesta as projeções de crescimento do PIB para 2021. “Embora as previsões do mercado sejam de um crescimento do PIB de 3,5%, em 2021, este prognóstico me parece bastante otimista, sobretudo, se considerarmos a omissão e a irresponsabilidade do governo federal no trato das questões relativas à pandemia, como a morosidade para dar início à vacinação, e a ausência de um plano de recuperação econômica para o Brasil que conte com a participação efetiva do Estado. Deste modo, acredito que teremos taxas de crescimento muito baixas, insuficientes para reverter as perdas de 2020”, afirma Cid Olival.