Economia
Dólar sobe ante real com cautela sobre TLP e capital político de Temer
Dólar futuro tinha alta de cerca de 0,50 por cento no final da tarde
O dólar fechou a terça-feira em alta ante o real, com movimento defensivo originado na reta final do pregão após a comissão mista no Congresso Nacional não votar a medida provisória que cria a Taxa de Longo Prazo (TLP), como previsto antes, sinal de que o governo do presidente Michel Temer poderia estar com capital político enfraquecido.
O dólar avançou 0,40 por cento, a 3,1810 reais na venda, depois de chegar a 3,1911 reais na máxima do dia. O dólar futuro tinha alta de cerca de 0,50 por cento no final da tarde.
A moeda norte-americana, no entanto, passou quase toda a sessão em baixa, chegando a 3,1465 reais na mínima do dia, com os investidores animados com a proposta de privatização da Eletrobras, que pode ajudar nas contas públicas e ainda atrair recursos estrangeiros.
"É ruim porque aumenta a incerteza no campo político e pode bloquear a pauta com temas importantes no calendário", afirmou o economista-sênior do banco Haitong, Flávio Serrano, citando como exemplo a reforma da Previdência.
A sessão da comissão especial que analisa a criação da TLP, que substituirá a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) nos empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), foi aberta nesta tarde e a expectativa do governo era de que a nova taxa fosse aprovada com alguma folga.
Mas isso acabou não ocorrendo, com o presidente da comissão, senador Lindbergh Farias (PT-RJ), encerrando a sessão sem iniciar a votação de fato. No entanto, parlamentares da base aliada tentavam reabrir a sessão no final desta tarde ainda.
Durante praticamente o dia todo, o dólar recuou frente ao real após o anúncio de que o governo pretende privatizar a Eletrobras.
"O mercado brasileiro reage de forma positiva a essa intenção de diminuir a intervenção do Estado sobre a economia", comentou mais cedo a SulAmérica Investimentos em relatório.
Na véspera, o Ministério de Minas e energia anunciou que vai propor a venda do controle da estatal de energia, cuja fatia total é avaliada em cerca de 12 bilhões de reais.
Do lado fiscal, a privatização da Eletrobras não vai gerar receitas primárias ao governo, mas isso poderia ocorrer, segundo o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Eduardo Guardia, se paralelamente a estatal decidir participar da chamada descotização de usinas.
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