Cooperativas
Um banco que nasceu diante de uma adversidade e conquistou sua própria maquininha
Claudio Bulgarelli
A trajetória de um Banco Comunitário que surgiu e se consolidou como um grande sucesso para a cidade de Piaçabuçu. A história do Banco é da Gente começa com um momento de grande adversidade para o município, que foi a explosão da agência do Banco do Brasil, quando em março de 2020, criminosos incendiaram o local na tentativa, fracassada, de assaltar a agência.
Com isso, os moradores ficaram sem um banco local e precisavam viajar até Penedo, distante 30 km, para realizar as operações bancárias, o que beneficiava o comércio daquela cidade e enfraquecia o comércio de Piaçabuçu. Foi nesse cenário que Antonino Cardozo, então presidente da Coopaiba, e sua equipe, começaram a buscar soluções para resolver a situação.
Após uma pesquisa e uma busca por alternativas, encontraram Joaquim, o fundador do Banco Palmas, de Fortaleza, que os orientou e forneceu o suporte necessário para a criação de um banco comunitário na cidade. Quando o banco chegou, a população ainda não reconhecia totalmente sua importância, mas com o trabalho de conscientização e incentivo da equipe, conseguiram conquistar a confiança dos moradores.
Atualmente, o banco conta com mais de 2.500 correntistas e mais de 150 comércios cadastrados, representando 90% do comércio local. Ao longo dos últimos três anos, já movimentou mais de 5 milhões em moeda social, e oferece diversas modalidades de crédito para atender às necessidades da população. Um exemplo de sucesso é a modalidade Cred Bacanagem, um crédito voltado para as festas da cidade, em que o cliente pode pegar 200 reais e pagar em 4 parcelas de 55 reais, garantindo um look novo para a comemoração.
Nesse período, o impacto foi transformador para Piaçabuçu, já que as vendas aumentaram 100% e tanto comerciantes quanto clientes estão extremamente satisfeitos com os resultados alcançados.
De acordo com o presidente do EDG, Mário Jorge, ``com o banco comunitário, conseguimos fortalecer a economia local, promover a inclusão financeira e dar um novo fôlego para o comércio de Piaçabuçu. O sucesso desse projeto é um reflexo do esforço coletivo e da confiança que a população depositou no banco. O banco oferta serviços financeiros solidário de natureza associativa e comunitária. Nosso objetivo é ajudar a reorganização das economias locais, tendo por base os princípios da Economia Solidária´´, afirmou.

O presidente da Coopaiba, Antonino Cardozo disse que, desde o nascimento do banco, o objetivo sempre foi o de promover o consumo dentro da própria comunidade, incentivando por meio da oferta de microcrédito solidário e moeda social. “Sabemos que a organização popular de grupos produtores é uma forte tendência em diversos setores, por isso sabemos que o banco se tornou essencial para trazer mais estrutura e fomento”, pontuou ele.

Economia Solidária: Banco É da Gente transformou a realidade social em Piaçabuçu
Em um país marcado pela desigualdade social, cuja realidade está escancarada nas grandes, médias e até nas pequenas cidades, onde à gestão pública deveria assegurar os direitos básicos da população, sobretudo da parcela em situação de vulnerabilidade social, e onde a maioria dos programas colocados em prática pelos governos não são suficientes, municípios, empresas e cooperativas buscam alternativas de fomentar a economia local na tentativa de gerar emprego e melhorar a renda dos moradores. Uma dessas iniciativas é a chamada moeda social, que existe há mais de 20 anos no Brasil, mas só começou a ganhar força recentemente.
Certamente poucas pessoas sabem, mas hoje são 150 moedas sociais que circulam simultaneamente com o real em diversos municípios do país. É bom ressaltar que o fundamento básico para a utilização da moeda social só tem validade nas regiões que a implementam com o objetivo de estimular a produção e o consumo local. Além disso, apesar de serem lastreadas em reais, as moedas sociais não são emitidas pela Casa da Moeda, mas pelos Bancos Comunitários de Desenvolvimento (BCD).
A primeira moeda social foi criada em 1998, mas a popularização só começou a ganhar escala no Brasil a partir de 2015, após aprovação da Lei nº 12.865, de 9 de outubro de 2013, e regulamentação nº 4.282, no qual o Banco Central (BC) estabelece as diretrizes que devem ser observadas na supervisão das instituições de pagamento e dos arranjos de pagamento integrantes do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB).
A ideia básica para seu surgimento foi a de proporcionar a inclusão financeira e bancária, bem como a democratização do acesso ao crédito. Assim os bancos comunitários também são responsáveis por gerar e distribuir riqueza aos municípios, até porque as moedas sociais, uma vez que circulam apenas em uma determinada região, impulsionam a produção e fomentam o comércio local
Então imagine viver num pequeno município onde existe uma moeda que pode ser utilizada para comprar e comercializar mercadorias. Foi o que aconteceu em Piaçabuçu, município na região Sul de Alagoas, que recebeu seu primeiro banco comunitário social. O “É da Gente”, uma instituição financeira associativa registrada pelo Banco Central, que foi criado para prestar serviços financeiros e bancários.
Com o funcionamento do Banco “É da gente”, a população passou a contar com uma moeda social, aplicativo para gerenciamento e ter serviços comuns de acesso ao crédito, abertura de contas e transações como saques e depósitos. O Banco É da Gente é uma iniciativa da Associação de Desenvolvimento Comunitário de Piaçabuçu e da Cooperativa dos Agricultores Familiares e dos Empreendimentos Solidários de Piaçabuçu (Cooapaiba).
Para Mário Jorge, presidente do Banco Comunitário, a ideia foi a de integrar a comunidade no sistema financeiro, incentivando o desenvolvimento local. “A instalação do nosso próprio banco é uma grande conquista, solucionando problemas antigos e fomentando o negócio local com muitas oportunidades para a nossa gente. Nossa gama de serviços conta com um sistema integrado de crédito, produção, comércio e consumo”.
BANCO EDG: GRANDE CONQUISTA
Agora é oficial: Uma nova conquista acaba de chegar ao Banco Comunitário EDG. Anuncio foi feito pelo presidente da Coopaiba Antonino Cardozo. ``Agora, temos as nossas próprias maquininhas: uma solução que recebe a moeda social EDG e também aceita as demais bandeiras disponíveis´´, ele disse.
Essa novidade amplia as possibilidades para os comerciantes, fortalece a circulação da moeda social e contribui para movimentar ainda mais a economia de Piaçabuçu.
O presidente do Banco, Mário Jorge afirmou: ``É o Banco Comunitário EDG avançando, inovando e criando novas oportunidades para a nossa comunidade. Seguimos construindo juntos. Essa conquista também é sua´´.

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