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Cooperativas de seguros abrem novo mercado no Brasil

Por Tribuna Hoje com agências 02/10/2026 13h41
Cooperativas de seguros abrem novo mercado no Brasil
Novo modelo permite que segurados sejam também cooperados; primeiras autorizações podem ocorrer a partir de 2027 - Foto: Agência Brasil / Arquivo




Um novo modelo de proteção começa a ganhar espaço no mercado brasileiro de seguros. Desde maio de 2025, cooperativas de seguros estão autorizadas a funcionar no país, abrindo a possibilidade de ampliar o acesso à proteção para pessoas que hoje ficam fora das apólices, principalmente pelo custo.

A Superintendência de Seguros Privados (Susep) já recebeu os primeiros projetos de organizações interessadas em atuar no setor. Atualmente, apenas cerca de 30% da frota de veículos brasileira possui seguro, segundo informações divulgadas pela Gazeta do Povo.

Segurado também será cooperado

A principal diferença do modelo está na relação entre o cliente e a organização. Na cooperativa de seguros, o segurado também será cooperado, tornando-se um dos donos da entidade.

Depois do cumprimento das obrigações da cooperativa, eventual resultado positivo poderá ser reinvestido na própria organização ou destinado conforme decisão dos associados.

O modelo é diferente do que ocorre atualmente com cooperativas de crédito, que podem comercializar seguros de empresas parceiras, mas não assumem diretamente os riscos das apólices.

Processo pode levar até um ano

A criação de uma cooperativa passa por etapas de análise e homologação. Entre a apresentação do projeto e a autorização para funcionamento, o processo pode levar até um ano.

A análise de cada uma das duas etapas tem prazo máximo de 120 dias. Depois da aprovação, a cooperativa dispõe de até 90 dias para realizar os atos societários e mais 30 dias para solicitar a homologação.

A expectativa do Sistema Organização das Cooperativas do Brasil (OCB) é que as primeiras autorizações possam ocorrer em 2027. A Susep, porém, não estabelece uma previsão, já que o prazo depende da documentação apresentada e da capacidade operacional da área responsável.

Modelo já reúne milhões no exterior

A experiência internacional mostra a dimensão que o cooperativismo de seguros pode alcançar. Cooperativas e seguradoras mútuas reúnem cerca de 320 milhões de segurados no mundo.

Segundo dados da Federação Internacional de Cooperativas e Seguros Mútuos (ICMIF), entidade que representa mais de 200 organizações de quase 80 países, o setor movimentou US$ 228 bilhões em prêmios em 2023, conforme informações da OCB.

A proposta brasileira, segundo a OCB, não é substituir as seguradoras tradicionais, mas alcançar consumidores que atualmente não contratam proteção por causa do preço, da dificuldade de acesso ou da falta de informação.

“Não temos pressa nem expectativa de um número estrondoso de cooperativas.”

A afirmação é de Clara Maffia, gerente-geral do Sistema OCB, que defende a formação de organizações com estrutura e capacidade para atuar no mercado.

Enquanto os primeiros projetos avançam na Susep, seguradoras e resseguradoras já procuram a OCB para conhecer o modelo e avaliar possíveis parcerias, inclusive nas áreas de tecnologia e atendimento.