Cooperativas
Café brasileiro ganha escala pela força das cooperativas
Para centenas de milhares de cafeicultores brasileiros, chegar ao mercado exige muito mais do que produzir um bom grão. Assistência técnica, crédito, compra de insumos, armazenagem, classificação, negociação e acesso aos compradores formam uma estrutura que seria difícil reproduzir individualmente, sobretudo nas pequenas propriedades. É nesse espaço que o cooperativismo ganhou dimensão estratégica na cafeicultura nacional.
Os números ajudam a revelar o tamanho dessa rede. Segundo dados do Conselho Nacional do Café apresentados pelo Sistema OCB por ocasião do Dia Internacional do Café, comemorado hoje, 97 cooperativas respondem por aproximadamente 65% da produção brasileira e 35% das exportações. Juntas, congregam 330 mil cafeicultores espalhados por diferentes regiões produtoras.

Produtor abana café: assistência e mercadoA atuação vai além de reunir volumes para comercialização. As cooperativas oferecem orientação no campo, facilitam financiamento de investimentos e difundem tecnologias e práticas voltadas à eficiência e à sustentabilidade. Ao concentrar serviços e produção, também aumentam a escala de produtores que, isoladamente, teriam menor capacidade de negociação.
A Cooxupé exemplifica esse modelo. Em 2025, a cooperativa recebeu 6,075 milhões de sacas de arábica, sendo 4,8 milhões entregues pelos próprios cooperados. O volume correspondeu a 17% da produção brasileira da espécie e a 24% da produção mineira. Parte relevante chegou a 50 países, entre eles Estados Unidos, Alemanha, China, Canadá e Argentina.
A escala, entretanto, é construída principalmente a partir de pequenas propriedades. Mais de 97% dos 22 mil cooperados da Cooxupé são pequenos produtores. A organização disponibiliza assistência técnica, capacitação, insumos e serviços e mantém iniciativas ambientais, entre elas o Protocolo Gerações e um projeto de cafeicultura regenerativa. A cooperativa também realizou a primeira comercialização de créditos de carbono provenientes da arborização de cafezais no Brasil.
Em São Paulo e Minas Gerais, a Cocapec mostra outra face dessa estrutura. Seus 3,2 mil cooperados têm acesso a assistência técnica, crédito, armazenamento, insumos, laboratório, classificação e comercialização. Responsável por 5% da produção nacional de arábica, a cooperativa exporta 1,4 milhão de sacas anualmente, diretamente ou por meio de tradings, para mercados como Europa, Estados Unidos e Japão.

No conilon, a dimensão cooperativa também é expressiva. A Cooabriel, sediada no Espírito Santo, responde por 10% da produção brasileira e reúne 11 mil associados. Cerca de 85% são pequenos produtores ou agricultores de base familiar. Em 2025, a organização movimentou 2,3 milhões de sacas em 12 unidades de armazenagem localizadas no Espírito Santo e na Bahia.
Embora atuem em regiões e segmentos distintos, as três experiências têm um ponto comum: a cooperativa funciona como uma extensão da propriedade. O produtor encontra desde mudas e insumos até orientação técnica, armazenagem, financiamento e canais para vender a safra.
Essa estrutura ganha importância em uma atividade exposta a oscilações de preços, eventos climáticos e exigências crescentes de qualidade e sustentabilidade. Para o pequeno cafeicultor, especialmente, trabalhar coletivamente não significa apenas somar sacas. Significa transformar milhares de volumes individuais em escala suficiente para acessar tecnologia, melhorar a capacidade de negociação e participar de mercados que dificilmente seriam alcançados sozinho.
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