Cooperativas

Café brasileiro ganha escala pela força das cooperativas

Por Assessoria 01/10/2026 14h30
Café brasileiro ganha escala pela força das cooperativas
Plantação de café - Foto: Divulgação

Para centenas de milhares de cafeicultores brasileiros, chegar ao mercado exige muito mais do que produzir um bom grão. Assistência técnica, crédito, compra de insumos, armazenagem, classificação, negociação e acesso aos compradores formam uma estrutura que seria difícil reproduzir individualmente, sobretudo nas pequenas propriedades. É nesse espaço que o cooperativismo ganhou dimensão estratégica na cafeicultura nacional.

Os números ajudam a revelar o tamanho dessa rede. Segundo dados do Conselho Nacional do Café apresentados pelo Sistema OCB por ocasião do Dia Internacional do Café, comemorado hoje, 97 cooperativas respondem por aproximadamente 65% da produção brasileira e 35% das exportações. Juntas, congregam 330 mil cafeicultores espalhados por diferentes regiões produtoras.

Produtor abana café: assistência e mercadoA atuação vai além de reunir volumes para comercialização. As cooperativas oferecem orientação no campo, facilitam financiamento de investimentos e difundem tecnologias e práticas voltadas à eficiência e à sustentabilidade. Ao concentrar serviços e produção, também aumentam a escala de produtores que, isoladamente, teriam menor capacidade de negociação.

A Cooxupé exemplifica esse modelo. Em 2025, a cooperativa recebeu 6,075 milhões de sacas de arábica, sendo 4,8 milhões entregues pelos próprios cooperados. O volume correspondeu a 17% da produção brasileira da espécie e a 24% da produção mineira. Parte relevante chegou a 50 países, entre eles Estados Unidos, Alemanha, China, Canadá e Argentina.

A escala, entretanto, é construída principalmente a partir de pequenas propriedades. Mais de 97% dos 22 mil cooperados da Cooxupé são pequenos produtores. A organização disponibiliza assistência técnica, capacitação, insumos e serviços e mantém iniciativas ambientais, entre elas o Protocolo Gerações e um projeto de cafeicultura regenerativa. A cooperativa também realizou a primeira comercialização de créditos de carbono provenientes da arborização de cafezais no Brasil.

Em São Paulo e Minas Gerais, a Cocapec mostra outra face dessa estrutura. Seus 3,2 mil cooperados têm acesso a assistência técnica, crédito, armazenamento, insumos, laboratório, classificação e comercialização. Responsável por 5% da produção nacional de arábica, a cooperativa exporta 1,4 milhão de sacas anualmente, diretamente ou por meio de tradings, para mercados como Europa, Estados Unidos e Japão.

No conilon, a dimensão cooperativa também é expressiva. A Cooabriel, sediada no Espírito Santo, responde por 10% da produção brasileira e reúne 11 mil associados. Cerca de 85% são pequenos produtores ou agricultores de base familiar. Em 2025, a organização movimentou 2,3 milhões de sacas em 12 unidades de armazenagem localizadas no Espírito Santo e na Bahia.

Embora atuem em regiões e segmentos distintos, as três experiências têm um ponto comum: a cooperativa funciona como uma extensão da propriedade. O produtor encontra desde mudas e insumos até orientação técnica, armazenagem, financiamento e canais para vender a safra.

Essa estrutura ganha importância em uma atividade exposta a oscilações de preços, eventos climáticos e exigências crescentes de qualidade e sustentabilidade. Para o pequeno cafeicultor, especialmente, trabalhar coletivamente não significa apenas somar sacas. Significa transformar milhares de volumes individuais em escala suficiente para acessar tecnologia, melhorar a capacidade de negociação e participar de mercados que dificilmente seriam alcançados sozinho.