Cidades

El Niño acende alerta para altas temperaturas em Alagoas

Gerente da Semarh, Bárbara Alves, explica que calor pode ser consequência do fenômeno aliado a outros fatores

Por Valdete Calheiros / Tribuna Independente 24/10/2026 09h05 - Atualizado em 24/10/2026 10h01
El Niño acende alerta para altas temperaturas em Alagoas
Viviane Oliveira se hidrata com frequência e procura ficar longe do sol para suportar o calor e aproveitar as belezas da orla de Maceió - Foto: Sandro Lima

Os alagoanos – assim como os demais brasileiros – já estão sentindo na pele os efeitos do fenômeno El Niño. As altas temperaturas, marca registrada do acontecimento natural, já estão estabelecidas e apresentam tendência de intensificação nos próximos meses.

As projeções indicam que o El Niño poderá alcançar intensidade muito forte entre a primavera e o início do verão, com possibilidade de persistir até o primeiro trimestre de 2027.

O verão de 2026/2027 no Brasil começa no dia 21 de dezembro deste ano, exatamente às 18h50 (horário de Brasília), segundo dados oficiais do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

As explicações sobre o El Niño são da gerente de Hidrometeorologia da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos de Alagoas (Semarh/AL), Bárbara Alves Batista.

“Para Alagoas, precisamos ter atenção principalmente ao comportamento das chuvas e às temperaturas. Esse fenômeno pode favorecer períodos mais quentes e condições de chuva irregular, com possibilidade de redução dos volumes em determinados períodos. No entanto, os impactos não são uniformes e dependem também da atuação de outros sistemas atmosféricos e das condições do Oceano Atlântico Tropical”, detalhou.

Conforme Bárbara Alves Batista, a expectativa para o verão é de temperaturas elevadas, com possibilidade de períodos de calor mais intenso e persistente em Alagoas.

O El Niño pode contribuir para esse cenário, completou a gerente de Hidrometeorologia da Semarh/AL, mas ainda precisamos acompanhar a evolução das previsões para avaliar a intensidade e a duração desses períodos.

Ainda de acordo com suas explicações, em relação às chuvas, existe preocupação com a irregularidade e com possíveis períodos de deficiência de precipitação, especialmente considerando a situação dos reservatórios e a necessidade de recuperação dos volumes durante a estação chuvosa. É importante ressaltar que não significa que não haverá chuva, mas que sua distribuição pode ser irregular.

“Não podemos afirmar que todo o calor observado neste momento seja consequência direta do El Niño. As temperaturas elevadas também são influenciadas pela época do ano, pela maior incidência de radiação solar, pelas condições locais e pela atuação de sistemas meteorológicos. O El Niño é um fator que pode contribuir para o aumento das temperaturas, mas precisamos analisar os dados observados e as condições atmosféricas para estabelecer essa relação com maior segurança”, antecipou.

Para finalizar, Bárbara Alves Batista adiantou que a tendência é de atenção para os próximos meses, principalmente com a possibilidade de temperaturas acima da média e períodos de calor mais intenso.

“Caso o El Niño se intensifique conforme as projeções, esse cenário poderá se tornar mais persistente. Para Alagoas, além do calor, precisamos acompanhar a situação das chuvas e dos reservatórios. Se os volumes de precipitação continuarem abaixo do esperado, poderá haver agravamento da situação hídrica. Por isso, é fundamental acompanhar as atualizações das previsões meteorológicas e dos monitoramentos climáticos. O cenário exige atenção e planejamento, mas não devemos tratar os impactos como uma certeza antes da confirmação pelas condições observadas”, explicou, detalhadamente.

Super El Niño

O Super El Niño de 2026 é um fenômeno climático de grande intensidade caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial, com previsão de atingir seu pico entre o final de 2026 e o início de 2027.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou que as temperaturas da superfície do mar no Pacífico podem subir até 3,8°C acima da média entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, configurando um cenário sem precedentes.

Principais impactos

No Norte e Nordeste, a previsão é o aumento do risco de secas severas, calor extremo e propagação de queimadas em biomas como a Amazônia.

No Centro-Oeste e Sudeste poderá haver ondas de calor mais intensas, baixa umidade do ar e pressão sobre a geração de energia hidrelétrica e o abastecimento de água. No Sul, a tendência de chuvas acima da média, enchentes e temporais.

Para fugir do calor, hidratação e uso

de protetor solar devem ser constantes

Ainda é primavera, mas, em Maceió, o clima já é de quase verão. Pelas ruas da capital alagoana, a população já reclama do calor e acredita que, nos próximos meses, a temperatura pode aumentar ainda mais. Até mesmo os vendedores de água e coco estão notando que o aumento da temperatura está contribuindo para o crescimento das vendas.

Sentado à sombra e tomando água de coco, Marcos Machado disse que a saída para enfrentar as altas temperaturas é se hidratar, assim como tomar banho de mar para se refrescar. “Já morei no Amazonas, onde enfrentei altas temperaturas, e aqui em Maceió, apesar de ser quente, não chega a sufocar. Além disso, temos a orla marítima, que é refrescante”, afirmou.

A administradora Viviane Oliveira acredita que, mesmo em plena primavera, Maceió já vive um clima de verão. Segundo ela, nas primeiras horas do dia já sente que está quente e se prepara para enfrentar o calor consumindo bastante água e utilizando protetor solar. Vinda de Brasília, onde o clima é seco, destacou que está se sentindo bem na capital alagoana.

Passando alguns dias em Maceió, Jéssica Gomes procura se proteger de todas as formas. “Não estou acostumada a um calor como o de Maceió. Em Belo Horizonte é quente, mas não como aqui. Estou me hidratando muito e abusando do uso de protetor solar”, concluiu.

Vendedores

Até o mês passado, o proprietário de um carrinho de venda de coco, Alisson Campos, vendia uma média de 50 frutos por dia. Mas, com a chegada do calor e o aumento do consumo, passou a vender 150 unidades em dias normais e, nos fins de semana, entre 200 e 300 cocos. Ele já está se preparando para os próximos meses, pois a tendência é chegar a mais de 500 frutos vendidos, com a chegada dos turistas.

Em frente ao Pavilhão do Artesanato, Amós José também celebra o crescimento nas vendas de garrafinhas de água mineral. Entre os clientes, além dos alagoanos que fazem caminhada pela orla, os turistas também procuram o produto. Por dia, ele chega a vender cerca de 50 garrafas, e a tendência é que esse número aumente nos próximos dias.