Cidades

Brasil quer ampliar o consumo de pescado

Ministro de Pesca e Aquicultura lança Semana do Pescado que prevê ações até o dia 15 deste mês em todo o país

Por Valdete Calheiros - repórter / Tribuna Independente 02/09/2026 09h21
Brasil quer ampliar o consumo de pescado
O pescado é nutritivo e oferece diversos benefícios à saúde e é excelente fonte de proteínas de qualidade - Foto: Edilson Omena

O governo federal iniciou, ontem (1º), a Semana do Pescado 2026, com o objetivo de ampliar o consumo de pescado em todo o país. A programação específica segue até o próximo dia 15.

Conforme o Ministro de Pesca e Aquicultura, Édipo Araújo, a Semana do Pescado é dedicada a promover o consumo de uma proteína nutritiva, de alta qualidade e com baixo impacto ambiental, cuja ingestão precisamos incentivar significativamente.

“O Brasil tem o desafio de universalizar o consumo de pescado, que hoje apresenta uma média entre 10 e 12 quilos por habitante ao ano. No entanto, observamos que esse consumo não é uniforme: enquanto a região Norte apresenta índices mais elevados, as regiões Centro-Oeste e Sudeste registram números mais baixos. Portanto, a campanha visa impulsionar o mercado, com a expectativa de elevar as vendas em até 20%, buscando criar um novo pico de consumo, além daqueles já tradicionais na Semana Santa e no Natal”, explicou.

O ministro afirmou que a esta iniciativa ocorre em todo o território nacional, contando com uma articulação direta entre o setor produtivo e as administrações estaduais.

De acordo com Édipo Araújo, o objetivo é fortalecer essa cadeia produtiva e aproximar o produto do consumidor final, inclusive por meio da inserção do pescado na merenda escolar.

Entre as ações previstas está a iniciativa “Sexta é dia de peixe”, que pretende associar o consumo de pescado a este dia específico da semana como forma de estimular a inclusão regular na alimentação. A estratégia é apresentada no planejamento como uma maneira de criar uma rotina de consumo ao longo do ano.

O planejamento da campanha reúne ações relacionadas à alimentação, diversificação de espécies e preparos, gastronomia e à formação de hábitos de consumo.

A proposta está estruturada em quatro eixos: saúde, curiosidade, prazer e hábito. A ideia é abordar o pescado tanto pelo seu valor nutricional quanto pela variedade.

Outra frente prevista envolve a distribuição de fichas informativas em peixarias e mercados. Os materiais devem apresentar características sensoriais dos pescados, fornecendo informações que auxiliem na escolha do produto e ampliem o conhecimento do consumidor sobre diferentes tipos de pescado.

A programação da Semana do Pescado prevê apoio a eventos gastronômicos relacionados à cultura local com objetivo de aproximar o consumo de pescado das tradições culinárias de diferentes regiões. Entre os exemplos indicados estão o tambaqui, relacionado à culinária da Região Norte, a tainha, em Santa Catarina, e a anchova, no Rio Grande do Sul. A proposta é utilizar preparos regionais para apresentar a diversidade de espécies e tradições.

A presença do pescado na alimentação escolar também integra o contexto da campanha. O alimento já integra cardápios escolares em diferentes regiões do país e pode contribuir para diversificar as refeições oferecidas a crianças e adolescentes. Sendo um alimento rico em fonte de proteínas e alto valor biológico, fornecendo nutrientes como ácidos graxos ômega-3, vitaminas A, D e do complexo B e minerais como cálcio, fósforo, ferro, zinco e selênio.

Outro aspecto relacionado ao consumo e à cadeia produtiva é a rastreabilidade do pescado. Desde abril de 2026, a Nota Fiscal do pescado passou a ser estabelecida como documento comprobatório da origem de produtos provenientes da pesca e da aquicultura para controle da matéria-prima. Deve conter o número do Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP), conforme a categoria correspondente; o número de identificação do estabelecimento de destino junto ao Serviço de Inspeção Oficial; e o nome comum e a quantidade da espécie de pescado. Outras informações, como a categoria do RGP, também podem constar do documento.

“Acreditamos que a mudança de hábitos alimentares deve começar na primeira infância e na juventude, o que torna essa estratégia perfeitamente alinhada à Semana do Pescado. Além de ampliar o consumo, estamos acompanhando, in loco, a eficácia dessas políticas públicas”, destacou.

Ministro de Pesca e Aquicultura, Édipo Araújo, lançou a Semana do Pescado com o desafio de incentivar a população a consumir mais pescado (Foto: Ministério de Pesca e Aquicultura)

Sobre o cenário internacional, o tema das exportações é fundamental para o setor. Estamos em constante diálogo, completou o ministro, com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e autoridades norte-americanas para reverter as taxações sobre o pescado brasileiro.

“Conseguimos, em negociações anteriores, a isenção para 89% dos produtos, mas nossa meta é atingir 100%. Paralelamente, adotamos uma estratégia de diversificação de mercados, fortalecendo relações com a União Europeia, Reino Unido e países da América do Sul, como Argentina, Colômbia e Equador, garantindo a soberania do setor.

Adicionalmente, o Plano Brasil Soberano 3 oferece suporte às indústrias exportadoras impactadas por variações tarifárias, garantindo estabilidade aos produtores”, detalhou.

O planejamento da Semana do Pescado prevê uma agenda de mobilização com participação de entidades representativas dos setores de comércio, indústria, produção, restaurantes e supermercados.

Outra frente prevista é a elaboração de um guia alimentar sobre pescado, com participação de pesquisadores e parceria com a área da saúde. A proposta é reunir informações técnicas em linguagem acessível sobre características nutricionais do alimento e sua presença na alimentação da população.

Ainda conforme o ministro da Pesca e Aquicultura, quanto à União Europeia, há um empenho na reabertura deste mercado estratégico, fechado desde 2018 por questões sanitárias.

“Recebemos recentemente uma missão de auditoria europeia e aguardamos o relatório final, que esperamos viabilizar um aumento de 20% em nossas exportações. Ressalto que o debate sobre questões sanitárias é distinto das discussões sobre resíduos de antimicrobianos. Estamos tratando cada tema em sua devida esfera, com um olhar especial para a aquicultura, garantindo que todo o nosso pescado atenda aos mais rigorosos padrões internacionais”.

Por fim, pontuou o ministro, em relação aos efeitos das mudanças climáticas, o setor pesqueiro e a aquicultura são os primeiros a sofrer os impactos, seja por secas extremas ou enchentes. Na região amazônica, os rios são, simultaneamente, fonte de trabalho e via de transporte, o que torna o isolamento das comunidades uma preocupação crítica.

“Estamos trabalhando de forma coordenada com a Casa Civil e outros 25 ministérios no âmbito do plano nacional de mitigação, garantindo auxílio emergencial, segurança alimentar e acesso à água potável para os pescadores, além de estratégias para proteger a renda e o crédito dos trabalhadores atingidos por desastres climáticos, tanto na região Norte quanto no Rio Grande do Sul”, frisou.

A Semana do Pescado foi lançada em Maricá, no Rio de Janeiro. Na ocasião, o Selo da Pesca Artesanal que valoriza o trabalho dos pescadores e aquicultores familiares recebeu destaque.

Entre as instituições mencionadas no planejamento estão Confederação Nacional da Indústria (CNI), Confederação Nacional do Comércio (CNC), Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca), Associação Brasileira de Fomento ao Pescado (Abrapes), Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC), além de representações regionais.