Cidades

Infarto: prevenção é a palavra-chave

Por Valdete Calheiros - colaboradora / Tribuna Independente 17/01/2026 09h38 - Atualizado em 17/01/2026 14h53
Infarto: prevenção é a palavra-chave
Doença é a maior causa de mortes no Brasil, conforme o Ministério da Saúde, e mais de 300 mil poderão morrer em 2026 - Foto: Imagem ilustrativa

A Sociedade Brasileira de Cardiologia estima que, até o final deste ano, quase 400 mil cidadãos brasileiros morrerão por doenças do coração e da circulação.

De acordo com o Ministério da Saúde, o infarto agudo do miocárdio é a maior causa de mortes no Brasil. Os principais fatores de risco são tabagismo, sedentarismo, alimentação ruim, colesterol alto e estresse em excesso.

Uma dessas mortes ocorreu, em Alagoas, no último dia 10, quando uma mulher de 48 anos, identificada apenas como Karen, faleceu após passar mal, enquanto surfava na Praia do Francês, em Marechal Deodoro, no litoral Sul do estado.

O Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas (CBMAL) foi acionado e realizou o salvamento. A mulher foi retirada do mar ainda com sinais vitais, e os primeiros atendimentos foram feitos na própria areia, com procedimentos de socorro realizados pelos militares.

Após o resgate, Karen foi encaminhada em estado grave para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Marechal Deodoro, no bairro de Taperaguá. Apesar dos esforços da equipe médica, ela não resistiu às complicações e teve o óbito confirmado.

Muitas dessas mortes poderiam ser evitadas ou postergadas com cuidados preventivos e medidas terapêuticas. O alerta, a prevenção e o tratamento adequado dos fatores de risco e das doenças cardiovasculares podem reverter essa grave situação.

Entre os cuidados para evitar tais mortes está no acompanhamento com cardiologista e diagnóstico adequado. Fatores fundamentais para tratar o problema e evitar diversas complicações que podem até levar à morte.

Exames para identificar problemas cardiovasculares têm 95% de chance de acerto, por isso devem ser feitos com regularidade. Doenças não valorizadas e não diagnosticadas, o uso de drogas para melhora de performance ou o esforço físico exagerado são fatores de risco.

Na avaliação do médico cirurgião cardiovascular Sérgio Francisco dos Santos Júnior, casos de infarto está acontecendo mais cedo porque os fatores de risco também estão começando mais cedo.

“Atualmente vemos jovens com alimentação ultraprocessada desde a infância, sedentarismo, estresse crônico, poucas horas de sono, uso de cigarro eletrônico, álcool em excesso e outras substâncias, além de sobrepeso, diabetes e pressão arterial elevada ainda antes dos 40 anos”, destacou ele.

Além disso, há um fator importante, completou o médico ao afirmar que as pessoas vivem em estado constante de alerta, com excesso de estímulos, cobranças e pouco cuidado com o corpo. “O coração sente e cobra essa conta mais cedo”, alertou o médico.

Segundo Sérgio Francisco, a prevenção ao infarto não é complicada, mas exige que sejamos intencionais e consistentes. Entre os principais pilares, o médico citou a alimentação “de verdade”, com menos industrializados e mais comida natural; atividade física regular, mesmo que moderada; controle do estresse; dormir bem; não fumar e acompanhar e controlar a pressão, colesterol e glicemia, mesmo sem sintomas.

O médico citou um ponto importante. Ele explicou que nem sempre o infarto dá aviso prévio claro. “Por isso, esperar sentir algo para se cuidar é um erro comum. A prevenção começa quando a pessoa se sente bem e não quando já está doente”, esclareceu Sério Francisco que é médico há 20 anos.

Ele afirmou que a maioria dos casos de infarto está ligada ao ambiente e ao estilo de vida e não à herança genética. A genética, pontuou, pode aumentar o risco, mas raramente é o fator decisivo sozinha.

“De forma simples, podemos dizer que a genética carrega a arma e o estilo de vida puxa o gatilho. Ou seja, mesmo quem tem histórico familiar pode reduzir muito o risco se fizer escolhas corretas ao longo da vida”, comparou o cirurgião cardiovascular formado pela Beneficência Portuguesa de São Paulo.

De uma forma geral, o médico, que tem mestrado em Pesquisa na Saúde, MBA em Gestão em Saúde e é sócio-proprietário de três clínicas de saúde, disse que o infarto acontece mais em homens, principalmente antes dos 60 anos. Nas mulheres, costuma ocorrer mais tarde. Muitas vezes com sintomas diferentes e menos clássicos, como falta de ar, cansaço extremo, náuseas, dor nas costas ou mandíbula.

“Isso faz com que o infarto feminino seja, infelizmente, menos reconhecido e tratado mais tardiamente aumentando o risco de complicações. Atualmente já sabemos que infarto não é problema só de homem”.

Nos homens, a faixa etária em que os casos de infarto são mais predominantes está no intervalo dos 45 aos 50 anos. Nas mulheres, geralmente após a menopausa.

“No entanto, o alerta importante é: o número de infartos abaixo dos 40 anos vem crescendo e isso não pode ser visto com naturalidade. Quando jovens infartam, quase sempre existe uma combinação de estilo de vida ruim, falta de acompanhamento médico e sinais ignorados por muito tempo. O infarto não acontece de um dia para o outro. Ele é construído em silêncio, ao longo dos anos. A boa notícia é que, na maioria dos casos, ele também pode ser evitado”, finalizou o médico criador dos perfis Café com Cardio, com alcance de 60 milhões de pessoas por ano nas redes sociais, criador do método de posicionamento Médico Digital e do Vanguard Doc, um programa de mastermind de implementação e estratégia em posicionamento, vendas e escala de negócios para médicos e empresários profissionais da saúde que desejam aumentar resultados.