Cidades

Campanha 'Cerol Não' leva conscientização à população

Usar materiais cortantes ao empinar pipa ainda é prática comum em Alagoas

Por Emanuelle Vanderlei com Tribuna Independente 08/10/2020 08h27
Campanha 'Cerol Não' leva conscientização à população
Reprodução - Foto: Assessoria
Foi lançada em Maceió, no dia 28 de setembro, a campanha “Cerol Não!”. Encabeçada por grupos de motociclistas e ciclistas, o movimento pretende conscientizar a população contra o uso de cerol e linha chilena ao empinar pipas, que pode causar acidentes graves. A prática de soltar pipa ainda é uma brincadeira popular entre crianças, jovens e até alguns adultos em Alagoas. Muitas dessas pessoas utilizam uma mistura com pó de vidro e cola, chamada de cerol, na linha da pipa. O objetivo é cortar as pipas dos outros, mas muitas vezes pode atingir outras pessoas e trazer sérias consequências. A campanha é nacional, mas em Alagoas está sendo encabeçada pela Federação de Moto Clubes e Moto Grupos do Estado de Alagoas (FMC/AL). É o que explica o presidente Túlio Virgílio. “O trabalho começou há dois anos em nível nacional, e cada Estado tem um trabalho diferente contra essas linhas chilenas e o cerol. Aqui em Alagoas nós criamos uma cartilha educativa, que trabalhamos nas escolas. Esse ano estamos intensificando o trabalho porque aconteceram dois acidentes graves”. Túlio conta que a campanha dialoga diretamente com os usuários, porque acredita que não seria tão eficiente falar apenas com os pais ou responsáveis. “A prática é muito comum em toda a capital, em bairros como Pajuçara, Vergel do Lago, Benedito Bentes, Jacintinho, Clima Bom, Ipioca e Riacho Doce. Eles fazem disputa, para ver quem corta mais a pipa dos outros”. Em Maceió, um homem identificado como Pereira, de 40 anos, foi vítima de um acidente com linhas cortantes no bairro de Stella Maris em 2018. Ele esteve no lançamento da campanha deste ano reforçando os riscos. “Minha família hoje poderia estar lamentando a minha morte”, alertou ele. O tema tem sido abordado por eles durante o ano inteiro, mesmo antes da campanha. Em 2019 realizaram um simpósio com a presença de autoridades e lideranças de vários setores, como Ministério Público, Secretaria de Esportes e sindicatos. Como as escolas estão fechadas atualmente, eles realizam ações nos finais de semana, juntando grupos e indo aos bairros conversar com quem está empinando pipa. Segundo dados colhidos pela Associação Brasileira de Motociclistas (Abram) e divulgada no site nacional da campanha, “no Brasil são mais de 100 acidentes por ano, sendo que 50% causam ferimentos graves, e 25% fatais. Estimamos que em dados atuais os acidentes anuais passam de 500 mantendo a mesma proporção acima”. Nas imagens da campanha, o alerta para os riscos mostra também imagens de animais machucados por cerol e linha chilena. Bombeiros orientam o uso de itens de segurança   O Corpo de Bombeiros salienta a importância do uso dos itens obrigatórios de segurança para os condutores desse tipo de veículo, para evitar maiores lesões em casos dos variados acidentes que podem ocorrer. “Vale ressaltar que, especificamente para ocorrências que envolvem linhas de pipas, o ideal é utilizar os capacetes fechados, além das chamadas antenas corta-fios e os protetores para pescoço, já que essa é a área do corpo mais atingida nesses casos.  Jaquetas e luvas aumentam ainda mais a segurança contra esses itens que podem acabar amputando dedos, mãos ou causando ferimentos graves nos membros superiores ou inferiores”, informou a corporação através da assessoria de comunicação. De acordo com o técnico de enfermagem da equipe de motolância do Samu Alagoas, Fernando Pereira, o uso de EPIs é essencial para resguardo da sobrevida. Ele orienta também como as pessoas devem proceder caso presenciem um acidente. A vítima não deve ser mexida e é preciso  acionar o serviço médico de emergência. “Às vezes as pessoas não têm noção da extensão e da gravidade da lesão. Então se faz necessário a imobilidade da vítima até que a equipe de socorro chegue. Depende da extensão do dano e onde é o dano, se a pessoa disponível a ajudar tem o meio para ajudar. Não adianta só querer”. Ele exemplifica com algumas situações. “Na situação de um sangramento é necessário que se faça um curativo compressivo”, mas depende de ter o que é necessário em mãos. “Se tiver como utilizar um pano limpo sobre o ferimento. É uma primeira medida de contenção do sangramento”. De acordo com Fernando, esse tipo de acidente é mais comum atingir a cervical, mas outras regiões não estão livres. “Depende do ângulo da linha, e de onde está passando e da velocidade. É muito relativo”. A campanha busca ainda, instituir leis que proíbam o cerol e a linha chilena. Nacionalmente está aberto para consulta pública o Projeto De Lei nº 4391 de 2019, que “criminaliza a utilização, o armazenamento, a elaboração, a distribuição, a preparação, a posse, transporte, a fabricação, a importação, o fornecimento, a exposição à venda, e a comercialização de cerol ou produto industrializado nacional ou importado semelhante”. Em Alagoas, há um projeto na Assembleia Legislativa, proposto pelo Cabo Bebeto. “Nos últimos dias, dois policiais militares ficaram feridos. Utilizar esse tipo de material é danoso para toda a sociedade. O projeto está tramitando nas comissões aguardando parecer”. Também há projeto na Câmara Municipal de Maceió, proposta pelo vereador Lobão.