Brasil

Braskem dá calote de R$ 3,6 bi no Banco do Brasil

Indústria de mineração informa que não tem dívida com referido banco, mas executivos confirmaram operação

Por Tribuna Independente 13/02/2026 10h41
Braskem dá calote de R$ 3,6 bi no Banco do Brasil
Operação da Braskem, confirmada por bolsonaristas, deu prejuízo de R$ 3,6 bilhões ao Banco do Brasil - Foto: Reprodução

Após subir cerca de 20% em apenas 4 sessões, de olho em estímulos para o setor petroquímico, as ações da Braskem (BRKM5) desabaram mais de 11% ontem (12). Os papéis fecharam com queda de 11,27%, a R$ 9,61.

O movimento ocorreu após as notícias de que a Braskem teria sido a responsável por calote de R$ 3,6 bilhões que uma única empresa deu no Banco do Brasil (BBAS3) no quarto trimestre do ano passado, segundo informações do Broadcast e a Folha de S. Paulo.

Contudo, a petroquímica negou a informação. “Braskem informa que não tem dívida com o referido banco, assim como não tinha em 2025”, afirmou a companhia, em comentário para o InfoMoney.

A Braskem (BRKM5) negou ter sido responsável por evento de inadimplência de R$ 3,6 bilhões que estava presente em balanço do Banco do Brasil (BBAS3) que foi divulgado na noite de quarta-feira (11).

A operação da empresa foi confirmada por executivos do mercado financeiro, mas negada pela assessoria da Braskem.

“Braskem informa que não tem dívida com o referido banco, assim como não tinha em 2025”, afirmou a companhia, em comentário para o InfoMoney.

Em comunicado ao mercado, a Braskem esclareceu “que não possui, ou possuía em 2025, exposição financeira material junto ao Banco do Brasil e que está adimplente com as obrigações financeiras mantidas com tal instituição financeira, não tendo ocorrido qualquer inadimplemento no referido período de 2025”.

Caso antigo

Na coletiva de imprensa sobre os resultados do trimestre, Felipe Prince, vice-presidente de Controles Internos e Gestão de Riscos, chegou a confirmar a existência de operação envolvendo empresa que não foi citada. Prince mencionou que a operação chegou a ser repassada a um fundo que compra crédito de maior risco.

“É um caso antigo, onde algumas soluções foram tentadas e acabamos não conseguindo implementá-las”, afirmou. O impacto seria limitado ao balanço do quarto trimestre de 2026 e não causaria impacto no primeiro trimestre de 2026, segundo Prince.

Sem esse caso, a taxa de inadimplência do BB, considerando atrasos acima de 90 dias, teria ficado em 4,88% no quarto trimestre. Após o evento, o indicador ficou em 5,17%.

Petrobras abre mão

A Petrobras informou, ontem, que decidiu não exercer os direitos de preferência e de tag along determinados no acordo de acionistas da Braskem, diante de uma potencial operação envolvendo ações detidas pela Novonor (ex-Odebrecht) na petroquímica. A decisão foi tomada pelo Conselho de Administração da estatal em reunião realizada em 11 de fevereiro. A operação em análise determina a transferência das ações da Braskem detidas pela NSP Investimentos S.A., subsidiária da Novonor, para o Shine no FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios). O FIDC é uma estrutura utilizada no mercado financeiro para adquirir créditos e ativos financeiros. Esse tipo de fundo costuma ser empregado em operações de reestruturação ou reorganização societária.