Política

14 de junho de 2018 12:45

Servidores rejeitam proposta da Prefeitura de Maceió e seguem mobilizados

Trabalhadores decidem cruzar os braços por 2 dias na próxima semana

↑ Servidores municipais rejeitam 3% apresentado pela Prefeitura (Foto: Sandro Lima)

Rejeição. Esse foi o posicionamento dos servidores municipais de Maceió presentes à assembleia geral das categorias realizada na manhã desta quinta-feira (14) no Clube Fênix Alagoana. Os trabalhadores também deliberaram que cruzarão os braços por dois dias a partir da próxima quarta-feira (20) e insistem na reivindicação original: 15,41% de reajuste salarial, com retroativo até o mês de janeiro deste ano, sua data-base.

Qualquer outro percentual a ser posto na mesa de negociação com a Prefeitura de Maceió, cuja proposta aos servidores foi de 3% de reajuste dividido em duas vezes – 2% agora e 1% em outubro – só será discutida pelas categorias após o recesso de meio de ano da educação. Por enquanto, eles mantém a reivindicação original: 15,41%, com retroativo até janeiro deste ano. Uma nova assembleia será realizada no dia 10 de julho.

Sidnei Lopes, presidente do Sindicato dos Servidores Público do Município de Maceió (Sindspref), considera a proposta da Prefeitura de Maceió fora do aceitável pelas categorias de servidores municipais.

“O que eles ofereceram não nos contempla. Além de um percentual muito baixo, a Prefeitura desconsidera a nossa data-base, que é janeiro. Nós já estamos há um ano e seis meses sem reajuste salarial e não podemos aceitar essa proposta deles”, diz Sidnei Lopes.

Já Consuelo Correia, presidenta do Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Alagoas (Sinteal), classificou o número apresentado pela Prefeitura de Maceió como “indecente”.

Consuelo Correia, do Sinteal: ‘Proposta indecente’ (Foto: Sandro Lima)

“Essa proposta é indecente e indefensável. A gestão coloca que está aplicando o IPCA [Índice de Preços ao Consumidor], mas não está. Nossa data-base é janeiro e quando se aplica o IPCA tem de se considerar a conta toda, desde janeiro. Além do mais, os 3% são parcelados. Daqui até outubro isso já foi corroído pela inflação”, reclama Consuelo Correia.

Entretanto, tanto Sidnei Lopes quanto Consuelo Correia reconhecem ter havido avanços nas negociações com a Prefeitura de Maceió. “Saímos de 0% para 3%”.

Para Cristiano Montenegro, presidente do Sindicato de Assistentes Sociais do Estado de Alagoas (Saseal), a Prefeitura descumpre a lei.

“Está na lei que temos de receber, no mínimo, a variação do IPCA em todos os anos. Mas estamos sem reajuste nenhum há um ano e seis meses”, discursa o presidente do Saseal na assembleia dos servidores municipais de Maceió.

SINDSAÚDE

Devido à heterogeneidade do movimento dos servidores municipais, é natural que haja diferenças de avaliação entre os sindicatos e suas respectivas bases. Esse é o caso do Sindicato dos Servidores da Secretaria Municipal de Saúde (Sindsaúde) que, em assembleia realizada nesta quarta-feira (13), deliberou pela aceitação da proposta da Prefeitura de Maceió.

Segundo Tarsys Gama, presidente do Sindsaúde, a categoria entendeu que o argumento dos gestores municipais de apontar a “PEC dos Gastos” e o conjunto da política econômica do Governo Federal como fatores para não conceder reajuste maior é válido.

Tarsys Gama, presidente do Sindsaúde (Foto: Sandro Lima)

“É claro que a gente sente na pele que a inflação no país é maior que o dito oficialmente, mas os servidores da saúde presentes em nossa assembleia entenderam que esse é um argumento válido”, explica Tarsys Gama. “Outro fator que pesou na aceitação da proposta foi o entendimento da categoria sobre sua própria capacidade de mobilização. A maioria entendeu que não tem força para bancar uma movimentação e achou por bem aceitar a proposta”, completa.

Mesmo assim, Tarsys Gama adianta que a Prefeitura tem pendências com a categoria.

“Cada período de tempo de serviço, nossa categoria recebe uma gratificação por mérito. Estamos sem receber desde o ano passado e não receberemos neste. Ou seja, teremos que em 2019 tentar receber os dois anos que passaram, mais o que está vigente”, relata o presidente do Sindsaúde.

PREFEITURA

O representante da Prefeitura na mesa de negociação é o secretário municipal de Economia, Fellipe Mamede. Na última reunião com os sindicatos, ele ressaltou o momento econômico do país que impõe prudência na gestão das finanças públicas. Ele garantiu que o percentual oferecido está dentro da capacidade financeira da Prefeitura e do limite de gastos com pessoal estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

“Estamos recebendo menos FPM [Fundo de Participação dos Municípios] e mesmo assim, nós estamos propondo um reajuste de 3%. Em 2017, a gestão se sentiu frustrada por não conseguir conceder aumento aos servidores, mas isso se deu por conta da situação econômica do país, não foi um evento isolado com Maceió. Agora em 2018, apenas oito capitais concederam aumento salarial e tais percentuais não passaram os 3%”, afirma Fellipe Mamede.

Fonte: Tribuna Hoje / Carlos Amaral

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