Política

15 de fevereiro de 2018 08:19

Unidade Popular quer ‘resgatar’ pautas dos trabalhadores

Dirigente da legenda fala sobre o processo de legalização do novo partido

magno francisco sl2 - Unidade Popular quer 'resgatar' pautas dos trabalhadores
↑ Magno Francisco diz que a Unidade Popular já tem mais de 500 mil assinaturas coletadas (Foto: Sandro Lima)

O TH Entrevista – do portal Tribuna Hoje – desta semana conversou com Magno Francisco, membro da comissão executiva da Unidade Popular pelo Socialismo (UP). Em processo de legalização junto ao Tribunal Superior Eleitoral, a UP se situa no campo da esquerda e atua na oposição ao governo Michel Temer (MDB).

Segundo Magno Francisco, a UP tem por objetivo “resgatar um conjunto de pautas históricas da classe trabalhadora”.

“A UP nasceu no conjunto das grandes mobilizações que ocorreram no país em junho de 2013. Reunimos vários setores dos movimentos sociais: estudantes, trabalhadores, mulheres, sindicalistas e movimento de trabalhadores sem teto. Passamos um bom tempo debatendo o que deveríamos fazer diante daquela conjuntura que se apresentava, não apenas no país, mas no mundo, de crise do capitalismo e de falência da social democracia”, pontua.

Mesmo tendo seu primórdio nas manifestações de junho de 2013, a campanha pela legalização da UP só começou em 2016.

“Então, após algum tempo de discussão, nós iniciamos, efetivamente em outubro de 2016, a campanha pela legalização. É uma campanha muito difícil porque necessitamos coletar meio milhão de assinaturas de eleitores pelo país. Para nós que não temos financiamento do capital, de grandes empresas – nem queremos –, é uma tarefa que se torna ainda mais complicada”, ressalta.

Magno garante que as 500 mil assinaturas já foram coletadas. Contudo, “é preciso coletar um pouco mais por causa de possíveis dificuldades, perdas entre a coleta e a chegada das assinaturas no cartório eleitoral”.

Ele foi candidato a vice-prefeito na chapa de Gustavo Pessoa em 2016, pelo PSOL.

“Ex-presidente sofre perseguição política”

Para a UP, o ex-presidente Lula (PT) sofre perseguição política por meio do processo do apartamento tríplex em Guarujá, São Paulo, em que foi condenado a 12 anos e um mês.

“Compreendemos que há perseguição ao Lula e nos colocamos contrários a isso. Não se conseguiu provar nada contra ele. A questão é fundamentalmente política. Querem vencer as eleições por W.O. e achamos que Lula deve ter o direito democrático a ser candidato. O Alckmim [Geraldo, PSDB], por exemplo, ninguém questiona seu direito a ser candidato, mas ele responde a processo por fraude na merenda em São Paulo. Além de Lula, defendemos que todos os espectros políticos também possam lançar candidatos”, diz Magno Francisco.

Contudo, o dirigente da UP pondera que não há, desde já, aliança eleitoral com o petista.

“O fato de condenarmos a perseguição ao Lula, não quer dizer que já o apoiamos [numa eleição]. O que defendemos é um programa como contraponto aos programas que estão sendo implantados”, ressalta.

Na avaliação de Magno Francisco, condenação sem provas pelo Poder Judiciário é uma prática comum, ao menos para os pobres.

“É importante dizer que condenar sem provas é bastante à Justiça brasileira. Quem tiver qualquer dúvida, basta visitar um presídio ou um bairro popular. Infelizmente, a política institucional de extermínio da juventude também acontece. Embora não esteja na lei, muitos jovens estão sendo mortos pelo Estado, em cumprimento da lei. Condenar sem provas é algo muito comum para os pobres, para quem não pertence às elites. Para estes, apesar de fartas provas, nada acontecer”, afirma.

 

Confira a paticipação de Magno Francisco ao TH Entrevista:

Fonte: Tribuna Independente / Carlos Amaral

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