Vídeos: Histórias das Copas

25 de junho de 2018 15:25

“Na Copa, molecada ia bater lata na rua”, diz Rafael Tenório sobre os mundiais

Presidente do CSA conversa com a Tribuna sobre suas Histórias das Copas

↑ Rafael Tenório, que resgatou o CSA, conta o que lhe marcou nas Histórias das Copas (Foto: Arthur Melo)

Com ele, o CSA saiu, literalmente, “do vermelho” (que nos desculpem os regatianos). E também com ele, o glorioso time do bairro do Mutange, ou do mangue, se divide em duas eras: o antes e o depois do empresário Rafael Tenório.

Embora com uma história bonita no cenário esportivo e futebolístico das Alagoas, no Nordeste e no Brasil ao longo de seus mais de 100 anos, nos últimos 20 anos essa história gloriosa nos gramados foi ofuscada por um turbilhão de processos trabalhistas e humilhações dentro e fora de campo que colocaram o clube numa cor contábil que nada tem a ver com sua história: o “vermelho”. Além disso, jogou o tradicional time do bairro do Mutange numa espécie de “saco sem fundo”, no quase completo abandono, fruto da irresponsabilidade de ex-dirigentes.

Mas a partir da chegada de Tenório há três anos, o mar ‘vermelho’ de dívidas e desmandos chegou ao fim. Hoje a torcida azulina orgulha-se de ter sua dignidade resgatada, fora e dentro de campo.

É ovacionado pela torcida azulina pelas conquistas e, principalmente, por ter recuperado a autoestima dos torcedores do CSA que, atualmente, disputa o Campeonato Brasileiro da Série B, coisa impensável alguns poucos anos atrás e que, agora, vai muito bem, obrigado.

No tempos das vacas magras, como diretor de futebol, Rafael Tenório chegou a reverberar aos quatro cantos de que o CSA era “um saco sem fundo”, dada a situação de petição de miséria do clube.

Um dos resultados de seu trabalho, além da evolução do time dentro de campo, é que praticamente triplicou o número de sócios do clube azulino.

E por falar em números, justamente nesta época em que mundo nos meses de junho e julho se transforma no planeta bola a cada quatro anos, o presidente do CSA – assim como mais de 200 milhões de treinadores em ação espalhados Brasil afora -, também dá uma palhinha para a Tribuna Independente no seu cadernos de Histórias das Copas e recorda passagens de suas lembranças mais caras sobre o maior evento esportivo do planeta: A Copa do Mundo. Além, claro, de também atacar de treinador da canarinho.

“A primeira Copa do Mundo que eu vi foi em 1970. Tinha 16 anos e morava no bairro do Mutange. Lembro-me de que assistíamos na casa de um senhor, que era o mais rico do bairro e um dos pouquíssimos a ter televisão. Era perto da Casa de Saúde José Lopes de Mendonça”, conta o presidente azulino. “A tv era em preto e branco e assistíamos no chão. Para nossa infelicidade, o dono do lugar, da casa, torcia contra o Brasil e nós não podíamos vibrar na frente dele. Mas logo após a vitória do Brasil, a gente saía da casa dele correndo, e toda a molecada ia comemorar batendo latas pelo meio da rua”, lembra.

“Claro que foi uma geração de ouro que encantou o mundo e a última do rei Pelé, que tive o privilégio de ver jogar”, completa o presidente azulino.

Tenório também recorda-se da Copa de 1974, na Alemanha, onde o Brasil chegou como favorito após o tri no México, mas foi um fracasso. “Tínhamos o Rivellino, o Luís Pereira e o goleiro Leão, mas não fomos bem. A nossa campanha foi um fiasco e virou até um samba do do músico Luiz Américo que dizia assim: ‘Desculpe seu Zagallo, mexe neste time que está muito fraco, levaram uma flecha e esqueceram o arco…’”, recorda-se, ao cantarolar um trechinho do samba.

O presidente azulino ainda narra o que viu da Copa de 1978, realizada na Argentina. “Fomos o campeão moral, sem perder nenhuma partida, mas também não levamos, até porque dependíamos de um jogo da Argentina contra o Peru, que depois foi muito polêmico porque houve denúncias de que o Peru, e o goleiro Quiroga, que jogava no Peru, era argentino e teriam entregado a partida. O fato é que o Brasil não pôde ir para a final para disputar contra a Holanda. Deu Argentina, que precisava fazer quatro gols, e fez seis”, lembra.

Ainda sobre a Copa da Argentina, Tenório não esquece outro episódio como uma espécie de presságio e que parecia mesmo ter como destino de que o caneco não poderia ficar com a camisa canarinho em plena casa dos rivais “hermanos” argentinos.

“Nessa época já tínhamos o Zico e o Roberto Dinamite. Lembro-me até de que o Brasil no jogo de estreia daquela Copa, o Zico fez um gol de cabeça legítimo, no último minuto, mas o juiz cismou e anulou o gol que nos daria a vitória e terminou o jogo no empate contra a Suécia por 1 a 1”, recorda.

E como todo brasileiro, Tenório resume a Copa de 82 daquele time mágico que encantou o mundo. “Todos nós choramos”, diz.

Na mais recente, a de 2014, o presidente do CSA faz uma analogia. “Mesmo para a minha geração, que sou dos anos 1950, foi a mesma sensação daquela geração que viu o Brasil perder aqui nosso país em 50 no Maracanazzo. Foi um desastre total aqueles 7 a 1”, ressalta.

A seleção do presidente

Ao sair da visão de gestor de futebol, Rafael Tenório revela-se também um técnico. Sim, porque o presidente faz questão de escalar a sua seleção de todos os tempos e quem ele mandaria a campo para disputar uma Copa do Mundo.

“De todas Copas a que assisti e os jogadores que eu escalaria no meu selecionado, seria o Félix (1970) no gol, Carlos Alberto Torres (1970) na lateral direita, Oscar (1982), Amaral (1978) seriam os meus zagueiros e o Everaldo (1970) o lateral esquerdo. No meio-campo Clodoaldo (1970), Rivellino (1970), Zico (1982). Já no ataque, eu levaria Jairzinho (1970), Pelé (1970) e Ronaldo Fenômeno (2002). Tá bom ou quer mais?”, pergunta o técnico Rafael Tenório.

Para comandar as feras escaladas por Tenório o técnico seria o homem do futebol-arte Telê Santana.

Confira a entrevista na íntegra:

Fonte: Tribuna Independente / Suplemento Histórias das Copas

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