Turismo

Tanque d’Arca é o novo destino turístico do voo livre em Alagoas

Pedra do Cruzeiro, patrimônio natural do município, é ponto de decolagem para este tipo de esporte

Por Claudio Bulgarelli / Tribuna Independente 19/09/2026 08h53 - Atualizado em 19/09/2026 09h43
Tanque d’Arca é o novo destino turístico do voo livre em Alagoas
Piloto percorreu 360 quilômetros, de Tanque d’Arca à Pedra Branca, no distrito de Curaçá, na Bahia - Foto: Reprodução

A história do voo livre em Tanque d’Arca começou a ganhar forma em meados de setembro de 2018, quando uma empreendedora local, proprietária de uma academia no município, procurou Hélvio Peixoto, hoje secretário municipal de Esportes, Cultura, Lazer e Turismo, e o apresentou ao piloto e instrutor de voo Emerson Miranda, então presidente da Academia Alagoana de Voo Livre.

Aquele encontro abriria caminho para uma nova utilização esportiva e turística de um dos maiores patrimônios naturais de Tanque d’Arca: a Pedra do Cruzeiro.

Entusiasmado com as possibilidades da modalidade, Hélvio Peixoto colocou sua própria chácara à disposição dos pilotos, transformando-a, naquele primeiro momento, em uma espécie de “quartel-general” do voo livre. Começava ali um trabalho pioneiro de reconhecimento e exploração do potencial da região para a prática do parapente.

Em dezembro de 2019, Tanque d’Arca recebeu um grupo de nomes ligados ao voo livre, entre eles o piloto mineiro Samuel Nascimento, o Samuka, campeão brasileiro da modalidade; o conhecido acrobata Sabiá Tapajós; Tales Monteiro; o instrutor Emerson Miranda; além de alunos e pilotos vinculados ao voo livre em Alagoas.

E na manhã do sábado, 7 de dezembro, a Pedra do Cruzeiro entraria definitivamente para a história do esporte alagoano.

Travessia de 308 Km

Às 7h10, Samuka decolou da rampa do Cruzeiro. O que poderia ser apenas mais um voo transformou-se numa longa travessia pelo Nordeste brasileiro. Depois de aproximadamente dez horas de aventura, o piloto aterrissou, por volta das 17 horas, no município baiano de Chorrochó, registrando 308 quilômetros de voo livre, um pequeno recorde para Alagoas.

O resultado colocou os olhos dos praticantes de cross-country sobre Tanque d’Arca e demonstrou, na prática, o potencial da Pedra do Cruzeiro para voos de longa distância.

A partir daquele feito, a rampa passou a ser divulgada como um dos pontos brasileiros capazes de proporcionar voos superiores a 200 quilômetros, modalidade conhecida no meio esportivo como XC — cross-country.

E o que começou com pilotos, equipamentos e a descoberta das condições naturais favoráveis ganhou uma dimensão maior. O voo livre passou a integrar a estratégia de valorização turística da região.

Com o passar dos anos, a Secretaria Municipal de Esportes, Cultura, Lazer e Turismo passou a trabalhar para associar o esporte de aventura às demais potencialidades do município.

A Pedra do Cruzeiro não representa apenas uma rampa de decolagem, já que seu entorno reúne possibilidades para voo livre, rapel, escalada, trilhas, contemplação da paisagem e outras experiências ligadas à natureza e ao turismo de aventura.

Esse trabalho está inserido numa visão regional. Tanque d’Arca integra a região turística Serras e Quilombos, buscando, por meio da regionalização do turismo, transformar os atrativos naturais, culturais, religiosos, gastronômicos e esportivos em oportunidades de desenvolvimento, ao lado de Mar Vermelho e Maribondo, que integram a Tríplice Divisa.

A proposta é fazer com que o visitante que chega para voar também conheça a cidade, sua gente, sua gastronomia, seu artesanato, sua cultura, suas paisagens e os demais municípios da região.

Dessa maneira, o turismo deixa de ser apenas contemplação e passa a representar possibilidade concreta de circulação econômica, empreendedorismo, emprego e renda. Nesse processo, o município vem buscando articulação institucional com parceiros como Sebrae/AL, Sistema S, Desenvolve Alagoas e outras instituições ligadas ao desenvolvimento e ao turismo.

Pedra do Cruzeiro entra no roteiro nacional de turismo de parapentes

Com a abertura da temporada 2026/2027, que começou reforçando o potencial que havia sido identificado anos antes, a Pedra do Cruzeiro entrou definitivamente no roteiro nacional do turismo de aventura para voos livres de grande distância.

Tanto é que no domingo, 13 de setembro de 2026, o piloto mineiro Samuel Milani decolou da Pedra do Cruzeiro e permaneceu aproximadamente nove horas no ar, percorrendo 380,4 quilômetros até aterrissar em Serrita, Pernambuco, um novo recorde. Apenas três dias depois, em 16 de setembro, outro grande voo partiu de Tanque d’Arca.

O piloto Pablo Ceca permaneceu 8h29 no ar e percorreu 360 quilômetros, aterrissando na região de Pedra Branca, distrito de Curaçá, Bahia.

Mais do que números, os resultados representam a continuidade de uma história iniciada em 2018, fortalecida pelo voo histórico de Samuka em 2019 e que chega a 2026 com uma nova dimensão esportiva e turística.

Da primeira reunião à chegada dos pilotos; dos 308 km de 2019 aos 380,4 km de 2026; da utilização esportiva da Pedra do Cruzeiro à sua inserção numa estratégia de regionalização turística, Tanque d’Arca constrói uma identidade diretamente ligada aos céus.

Para o secretário Hélvio Peixoto, é uma história feita de pioneirismo, aventura, natureza e pessoas que acreditaram numa potencialidade até então pouco explorada.

“Por isso, reconhecer o voo livre como Patrimônio Cultural, Esportivo e Turístico de Natureza Imaterial do Município de Tanque d’Arca significa também preservar a memória dessa trajetória, valorizar seus protagonistas e estabelecer bases para que as próximas gerações possam continuar escrevendo novos capítulos dessa história”, afirmou ele.

O projeto agora, segundo ele, é construir a rampa, para que Alagoas e o município possam receber pilotos das categorias A, B e C e estabelecer os novos recordes nacionais de voo livre e colocar o estado, definitivamente, no roteiro nacional dos esportes radicais, modalidade que vem crescendo muito no mundo inteiro.

Parapente

Parapente é uma das formas mais puras e acessíveis de voo livre, permitindo que as pessoas experimentem essa sensação de uma maneira intuitiva.

A modalidade utiliza um equipamento relativamente simples e as forças da natureza para proporcionar um momento único nos céus.

A prática envolve uma mistura de habilidade técnica e um profundo conhecimento das condições do tempo e do vento. Embora não tenha um motor, quem pilota com maestria consegue controlar a direção e a altitude, transformando uma descida em um passeio aéreo de longa duração.

Como esporte de aventura, a prática do parapente pede o uso de equipamentos específicos desenvolvidos pensando em oferecer segurança, controle e conforto. Conhecer cada um deles é o primeiro passo para um voo tranquilo e divertido.