Turismo
Seu Newton partiu, mas deixou imortalizado o famoso caldinho de Capela
Newton Melo Bastos, carinhosamente conhecido como Seu Newton, criador do lendário Caldinho de Capela, nos deixou. Ele faleceu, aos 82 anos, no último dia 28 de agosto, em sua própria casa na cidade que ele tanta amava. Para alegria e admiradores, deixou seu legado para sua esposa e neto, o caldinho de Capela, um importante símbolo gastronômico e cultural que transformou a cidade da zona da mata alagoana em um conhecido ponto turístico regional. A iguaria foi reconhecida oficialmente como Patrimônio Cultural e Imaterial de Alagoas em 2020 devido à sua relevância para a identidade do estado.

Assim, a cidade, que fica a 60 km de Maceió, cortada pelo Rio Paraíba, continuará atraindo muita gente atrás deste delicioso aperitivo, que é vendido há quase cinco décadas em uma casa com arquitetura rústica.
Em uma de suas últimas entrevistas, seu Newton afirmou: “Há 46 anos... começamos fazendo dois, três, quatro caldinhos. Como aqui a cidade não tinha nada de atrativo, tomar um aperitivo, uma coisa, aí começamos a fazer o de feijão e o de mocotó. Eu disse: vou ter que fazer uma coisa diferente que as outras pessoas não tenham, aí surgiu a ideia do de galinha. E foi sucesso”.
E é o caldinho de galinha se transformou no mais pedido. Mas ainda tem o de feijão e o misto, que é uma mistura dos dois sabores. A família diz que a tradição do caldinho será mantida com o neto do Seu Newton.
“Desde os meus quatro anos estou aqui dentro. Então, assim, sempre ajudando numa coisa e outra, me formei muito por conta daqui, né? Que veio muito da assistência dele. E aí é minha inspiração, meu orgulho é ele. Chamo de avô, mas é um verdadeiro pai”, disse o advogado Newton Melo Bastos Neto.
Com a saída de cena do seu Newton, será sua esposa Dalva, e o neto, que vão dar continuidade ao negócio familiar, passando de geração em geração, e mantendo o tempero artesanal, que se tornou uma atração, já que o caldinho atrai visitantes de Maceió e de outros estados que viajam especificamente para o município no Vale do Paraíba para provar os sabores de galinha, feijão ou o misto.

O sucesso do petisco colocou Capela em definitivo no mapa do turismo cultural e de imersão no interior alagoano, e o ritual do estabelecimento — famoso por fechar pontualmente ao meio-dia independentemente da fila — virou parte do folclore e da rotina afetiva dos frequentadores.
A visita ao ponto tradicional na praça central se conecta com outras riquezas culturais da cidade, como o artesanato em barro de Mestre João das Alagoas e Sil da Capela.
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