Turismo
Turismo de experiência e de vivência ganha força em Capela
Durante muito tempo, viajar por Alagoas era sinônimo apenas de litoral. Hoje, porém, alagoanos e turistas já escolhem explorar o Estado por um novo olhar sobre suas riquezas. Serras, vales, comunidades e tradições ganham protagonismo.
O turismo de experiência, cultural e rural cresce, transformando pequenas cidades em ótimos destinos, onde o visitante deixa de ser turista e passa a ser parte da história.
E a região serrana de Alagoas, também conhecida como Serras e Quilombos, entre a Zona da Mata e o Agreste, que inclui municípios como União dos Palmares, tem despertado a atenção para outros municípios, todos inseridos no Mapa Turismo Brasileiro, caracterizados por relevo acidentado, forte cultura quilombola, sendo uma área de grande importância histórica e natural, matas, trilhas, cachoeiras e nascentes de rios.
O segundo deles, Capela, localizada estrategicamente no Vale do Paraíba, a apenas 60 km de Maceió, tem experimentado uma ascensão notável no cenário turístico de Alagoas.
Impulsionada por políticas de valorização regional e um importante legado cultural, o município deixou de ser apenas um ponto de passagem para se tornar um destino consolidado, que encanta os visitantes pela mistura entre fé, arte e gastronomia de raiz.
Se Caruaru, em Pernambuco, construiu sua fama mundial através das mãos de Mestre Vitalino, Capela se orgulha por abrigar um expoente da arte em barro de igual magnitude, o Mestre João das Alagoas. Com uma obra reconhecida internacionalmente, o Mestre não apenas elevou o nome da cidade a um patamar global, mas deixou um legado vivo.
Ele formou uma geração de discípulos que mantêm acesa a chama da produção artesanal, transformando o barro em peças que são, hoje, verdadeiras embaixadoras da cultura capelense em eventos por todo o Brasil.
João das Alagoas Ficou célebre por recriar o boi do bumba-meu-boi com ricos detalhes em alto e baixo relevo, além de cenas de casamentos, batizados e brincadeiras de rua.
Recebeu o título de Patrimônio Vivo de Alagoas em 2011 e teve suas obras expostas em diversos museus e exposições nacionais e internacionais.
Identidade geográfica: cidade tem opções refrescantes para os dias de sol
E não se fala em turismo na cidade sem mencionar o “Caldinho do Seu Niwton”., criador do famoso Caldinho de Capela. Muito além de um simples ponto de parada, o estabelecimento tornou-se um fenômeno cultural, reconhecido oficialmente como patrimônio da culinária alagoana por lei estadual.
O local é o ponto de encontro obrigatório para quem percorre o Vale do Paraíba, tornando-se uma vitrine vibrante onde a gastronomia se une ao artesanato local, com uma exposição permanente de obras em barro e crochê que fascinam os turistas.
Já para quem busca espiritualidade e contemplação, a Igrejinha do Morro de Santo Amaro é o ponto alto. Especialmente durante o período da Páscoa, o local se transforma-se em um cenário de encontro sagrado, atraindo fiéis e visitantes que buscam a paz do alto da colina e a beleza da vista privilegiada da região.
Banhada pelas águas do Rio Paraíba, que confere à cidade sua identidade geográfica, Capela oferece opções refrescantes para os dias de sol. Para quem busca um “banho de curtição” em feriados e finais de semana, o Rio Paraíbinha é o refúgio perfeito. Localizado a apenas 5 km da área urbana, o balneário é o destino ideal para famílias e grupos que desejam desfrutar de momentos de lazer em meio à natureza.
Capela oferece ainda o Mimos de Peró, um espaço focado em bordados feitos à mão, criado por Dona Perolina, fundadora da escolinha de artes de Capela, em 1963, que inspirou uma geração e atraiu talentos que a fizeram estampar coleções para além das suas aulas de pintura e bordado.
A cidade faz parte também da Rota das Artes, um roteiro turístico cultural, muitas vezes integrado a visitas no município vizinho de Cajueiro (Caju Queimado).
Assim Capela se apresenta ao mundo, focada no turismo de vivência e experiência, permitindo conhecer de perto a produção artística e a cultura local.
Arte ponto alto
O artesanato de Capela, Alagoas, destaca-se pela cerâmica figurativa em barro, com forte inspiração no folclore e na rotina da Zona da Mata alagoana. Suas marcas principais são a riqueza de detalhes e a modelagem coletiva ensinada por mestres locais.
Característica
Temas do Cotidiano e Folguedo: Retrata cenas da vida no vilarejo, casamentos caipiras, festas e personagens de danças populares como o Reisado, o Jaraguá e o Guerreiro.
Esculturas em Pirâmide: Criação de peças grandes em formato de degraus (como o chapéu de guerreiro), onde cada patamar exibe uma nova cena narrada em miniatura.
Elementos da Natureza: Uso de marcas registradas visuais, a exemplo do boi (em referência ao bumba-meu-boi) de Mestre João das Alagoas e a árvore da jaqueira esculpida por Sil da Capela, que simboliza a fartura local.
Produção Artesanal Rústica: O barro é extraído de barreiros da região, moldado inteiramente à mão de forma detalhada e cozido em fornos a lenha coletivos.
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