Tecnologia

7 de maio de 2020 17:12

Startup cria sistema que detecta índice de aglomeração em tempo real

Resultados são descritos em uma plataforma de acesso livre alimentada pela startup com os registros de aglomeração, separados por datas e horários

↑ (Foto: Reprodução)

Diante da pandemia do novo coronavírus, a startup paulista Milênio Bus desenvolveu um sistema para monitorar a aglomeração no interior de estabelecimentos. A solução funciona por aparelhos instalados nas tomadas dos recintos. Os dispositivos, que operam em um raio de 15 metros, registram códigos de identificação emitidos por smartphones quando os celulares consultam a disponibilidade de redes sem fio no ambiente.

A quantidade de registros é então associada a área do estabelecimento. Os resultados são descritos no “Índice Nacional de Aglomeração Geográfica”, uma plataforma de acesso livre alimentada pela startup com os registros de aglomeração, separados por datas e horários.

Segundo o cofundador da Milênio Bus Marcel Ogando, a solução corresponde a uma adaptação de uma tecnologia já empregada para mensurar em tempo real o fluxo e a aglomeração de pessoas no interior de ônibus, incluindo equipamentos de transporte público. A ideia agora é adequar o produto para atender às necessidades de mercados.

Para Ogando, a solução oferece a gestores dos estabelecimentos uma forma facilitada de obter dados sobre o fluxo de clientes nas lojas. Esse tipo de informação pode subsidiar ações de logística para gerenciar a demanda ou mesmo filas nos horários de pico. Já para os consumidores, o sistema ajuda a evitar locais muito movimentados. “O propósito é que as pessoas possam tomar decisões com base nos dados. Para ir ao mercado, por exemplo, elas podem checar qual o local com menos aglomeração pelo aplicativo”, afirmou com exclusividade ao Olhar Digital.

Desafio

Por enquanto, a plataforma do Índice Nacional de Aglomeração Geográfica conta com apenas um estabelecimento registrado. Ogando argumenta que a iniciativa foi inaugurada há somente duas semanas.

Ele pontua, no entanto, que os primeiros contatos da startup foram com pequenos comerciantes e, embora o feedback inicial tenha sido positivo, há dificuldades em empregar a tecnologia nas pequenas empresas. “Os pequenos negócios têm sofrido muito com a crise. Geralmente, eles não têm como viabilizar um teste, e nós também não conseguimos viabilizar o teste do nosso bolso. O que procuramos hoje é uma rede maior de empresas que consiga viabilizar os testes”, disse o executivo.

Segundo ele, se fossem empregados os dispositivos da própria startup em 10 lojas de uma rede, por exemplo, seria possível obter o índice de todas elas. “Os consumidores poderiam escolher o mercado A ou B, de acordo com a lotação”, afirmou.

Futuro

O cofundador diz ainda que vê a aplicação dessa tecnologia em repartições públicas e outros tipos de estabelecimentos que costumam registrar filas e fluxo elevado de pessoas, como lotéricas e agências bancárias. Por outro lado, Ogando reconhece a dificuldade de atender equipamentos ao ar livre, como parques, uma vez que os dispositivos necessitam de tomadas.

Ele ressalta que os dispositivos podem medir o tempo gasto pelos indivíduos nos recintos e até detectar o tamanho de uma fila. No entanto, na maioria dos smartphones, é necessário que a função Wi-Fi dos usuários esteja ligada. Em relação à privacidade dos dados, Ogando garante que eles são coletados de forma agrupada e tratados em condições anônimas.

Fonte: Olhar Digital / Texto: Victor Pinheiro

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