Tecnologia

11 de novembro de 2019 16:43

Hubble captura uma dúzia de cópias da mesma galáxia

Astrônomos observaram uma galáxia que parece duplicada pelo menos 12 vezes; o efeito é causado por lentes gravitacionais

↑ Foto feita pelo telescópio Hubble (Foto: Nasa/ESA - Reprodução)

Astrônomos que usam o Telescópio Espacial Hubble, da NASA/ESA, observaram uma galáxia nas regiões distantes do universo que parece duplicada ao menos 12 vezes no céu noturno. Essa visão é criada devido ao efeito de fortes lentes gravitacionais. Apelidada de Arco da Explosão Solar, a galáxia está a quase 11 bilhões de anos-luz da Terra, e foi capturada em imagem por um aglomerado maciço de galáxias a 4,6 bilhões de anos-luz de distância entre si.

Esse aglomerado de galáxias é tão grande que sua massa é capaz de dobrar e ampliar a luz da galáxia mais distante atrás dela. Tal processo causa não apenas uma deformação da luz do objeto, como também uma multiplicação da imagem da galáxia com menos lentes.

No caso do Arco da Explosão Solar, o efeito de lente levou a pelo menos 12 imagens da galáxia, distribuídas por quatro arcos principais. Três deles são visíveis no canto superior direito da imagem, enquanto um contraponto é visível no canto inferior esquerdo, parcialmente obscurecido por uma estrela brilhante em primeiro plano dentro da Via Láctea.

O Hubble utiliza lupas cósmicas para estudar objetos que são muito fracos e pequenos demais para seus instrumentos. O Arco não é exceção, apesar de ser uma das galáxias de lentes gravitacionais mais brilhantes já conhecidas. A lente torna as imagens do Arco entre dez e 30 vezes mais brilhantes. Isso permite que o Hubble visualize estruturas de até 520 anos-luz de diâmetro. Isso se compara com as regiões de formação estelar nas galáxias do universo local, permitindo que os cientistas estudem a galáxia detalhadamente.

As observações do Telescópio mostraram que o Arco é um análogo de galáxias que existiam muito antes na história do universo: um período conhecido como época da reionização, era que começou apenas 150 milhões de anos após o Big Bang.

Essa época foi fundamental no início do universo, que terminou a “idade das trevas”, a época antes do surgimento das primeiras estrelas, quando o espaço estava escuro e cheio de hidrogênio neutro. Depois que as primeiras estrelas se formaram, começaram a irradiar luz, produzindo os fótons de alta energia necessários para ionizar o hidrogênio neutro.

A análise do Arco de Explosão Solar ajuda os astrônomos a entender um pouco mais sobre a formação do universo, além de ser mais uma evidência de que a gravidade de objetos maciços no espaço deveria desviar a luz de maneira análoga a um espelho de um parque de diversões, como previsto por Albert Einstein, com a sua Teoria da Relatividade Geral, proposta em 1915. A ideia de deformação espacial foi comprovada em 1919, enquanto a de lentes gravitacionais, também presente na teoria de Einstein, que foi confirmada apenas em 1979.

Fonte: Olhar Digital / Texto: Vinicius Szafran

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