Tecnologia

23 de setembro de 2019 15:52

Influenciadores ganham dinheiro com posts ‘Melhores Amigos’ no Instagram

Acesso à lista de melhores amigos da rede social é vendido por meio de assinaturas mensais em perfis de influenciadores digitais

↑ Página no Patreon da influenciadora digital Caroline Calloway (Foto: Reprodução / Marvin Costa)

Influenciadores digitais estão cobrando para que seus seguidores tenham acesso à lista de Melhores Amigos do Instagram. A estratégia de monetização consiste em cobrar assinaturas mensais para que os usuários sejam aceitos nos Stories. Dessa maneira, apenas os assinantes recebem posts exclusivos e interações que não são compartilhadas de forma pública. O método vem ganhando adesão em todo o mundo e já é utilizado por celebridades brasileiras, como a influencer Virginia Fonseca, que cobra R$ 14,90 para aceitar pessoas em sua lista.

Além disso, a iniciativa vem sendo utilizada por artistas que vendem um lugar na lista como forma de financiar coletivamente seus projetos. Canais do YouTube e produtores de podcasts aderiram à estratégia para monetizar vídeos de bastidores, dicas de produção e conversas exclusivas para fãs assinantes. A iniciativa, no entanto, vem gerando críticas ácidas sobre o que seria um comércio de amizades falsas no Instagram.

Um dos casos de maior sucesso é a influencer americana Caroline Calloway. Com mais de 797 mil seguidores, ela tem 342 pessoas como melhores amigos. Para participar da lista, é preciso pagar US$ 2 (cerca de R$ 8) por mês. Pode parecer pouco, mas há ainda uma outra opção de assinatura mensal que custa US$ 100 (R$ 414 em conversão direta). O pacote, chamada de Amigos Mais Próximos, dá direito a uma ligação de uma hora no Skype com Calloway. Alguns assinantes, no entanto, dizem que a produção de conteúdo da influencer foi reduzida drasticamente após o novo modelo. Além disso, muitos reclamam que os vídeos exclusivos são posteriormente postados publicamente no perfil.

O uso monetizado de uma ferramenta de interação não chega a ser uma novidade. No Snapchat, por exemplo, atores de filmes eróticos vendem acessos a contas privadas para oferecer fotos e vídeos íntimos. Assim como o Instagram, o Snapchat não oferece uma ferramenta nativa para ganhar dinheiro com recursos de privacidade.

Ao site The Atlanctic, um porta-voz do Instagram afirma que a empresa não tem planos de incluir opções de pagamento no recurso. Como alternativa para cobrar pelos posts exclusivos, os produtores de conteúdo usam serviços como o Patreon para receber os valores mensais gerados pelas assinaturas.

A iniciativa de vender um espaço na lista de melhores amigos vem causando polêmica. O recurso da rede de fotos foi inicialmente criado como uma opção para que os perfis pudessem compartilhar histórias com um grupo seleto de amigos. A ferramenta também funciona como alternativa ao algoritmo do Instagram que pode não apresentar os Stories para alguns amigos.

No Brasil, a estratégia de angariar clientes para conteúdos vem ganhando força. Virginia Fonseca, blogueira com mais de 4,7 milhões de seguidores, cobra R$ 14,90 por mês. Em sua conta, ela afirma que o valor é promocional, sendo válido apenas para os 500 primeiros assinantes. A influenciadora promete postar para assinantes conteúdos com atividades físicas, dicas para bombar nas redes sociais, dicas para produção de vídeos no YouTube, promoções exclusivas e vídeos ao vivo.

Sistemas como gerenciadores de contas já estão se adequando à iniciativa de cobrança. Serviços como o Bume registraram aumento significativo de usuários, de cerca de 160%, se comparado aos números no mesmo período em 2018. A plataforma oferece gerenciamento para assinaturas do recurso Melhores Amigos. Cabe ao dono da conta apenas cuidar do sistema de pagamento e da criação de conteúdo, deixando a confirmação de novos membros da lista para o sistema automatizado.

Fonte: TechTudo / Texto: Marvin Costa

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