Tecnologia

12 de julho de 2018 15:34

Reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência desembarca em Alagoas

Maior evento científico da América Latina completa 70 anos e será realizado em Maceió pela primeira na próxima semana

↑ Montagem da estrutura do SBPC na Ufal. (Foto: Renner Boldrino / Assessoria da Universidade Federal de Alagoas)

Um mix de ciência, tecnologia, inovação, cultura e ensino. Durante sete dias, acadêmicos, cientistas, estudantes de todas as idades, setores governamentais e diversas entidades vão divulgar o que têm de melhor para toda a sociedade. Trata-se da Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) que, pela primeira vez, será em Maceió, no campus da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), entre os dias 22 e 28 de julho.

Este ano, o evento chega à sua 70ª edição e tem como tema Ciência, Responsabilidade Social e Soberania. “A Ciência é essencial para o avanço do País e é por isto que a SBPC luta há 70 anos. A Responsabilidade Social é fundamental para que a ciência e a tecnologia produzidas sejam voltadas para um desenvolvimento sustentável – social, econômico e ambiental – e a Soberania, no mundo contemporâneo, está evidentemente conectada com o nível educacional, científico e tecnológico de um país. Sem desenvolvimento em Ciência, Tecnologia e Inovação [CT&I] não há soberania”, explicou Ildeu Moreira, presidente da SBPC.

O vice-reitor da Ufal e coordenador da comissão local do evento, José Vieira, revelou que o tema foi uma construção conjunta entre a instituição sede e a entidade nacional. “O mote para essa escolha foi o fato de a SBPC e da Andifes [Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior] serem as duas entidades civis que fazem parte do comitê que está discutindo a implantação no Brasil da Agenda 2030, que aponta a necessidade da responsabilidade social. Então, já tínhamos o mote da ciência, a responsabilidade social veio em função das entidades citadas e, como vivemos um momento politico bastante sensível em que o desenvolvimento da CT&I tem sofrido contingenciamentos, o debate da soberania vem apontar: como o país poderá se manter soberano, sustentável e se desenvolver se não investe em ciência?”, questionou.

O diretor-presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal), professor Fábio Guedes, reforçou a visão de Vieira e disse que o tema faz grande referência às condições atuais do Brasil. “O país que sonha em ser independente tecnologicamente ou depender menos de outros, garantir a segurança nacional de suas formas mais avançadas de produção e, também, agregar valor às riquezas, deve pleitear graus maiores de soberania. Acredito que a escolha foi bem apropriada e ganhamos muito por discutir, em Alagoas, temas tão importantes e de abrangência nacional”, declarou.

Importante parceira do evento, a Fapeal foi a grande responsável por trazer a Reunião da SBPC para Maceió numa iniciativa pioneira: a ideia partiu da própria Fundação quando, geralmente, o pedido é feito pelas universidades. “A Fapeal buscou a Ufal para que ela pudesse ser a executora desse projeto e eles, de pronto, aceitaram o desafio. De lá pra cá, temos participado de praticamente todas as reuniões e apoiando-a em suas demandas”, revelou Guedes.

Ciência, Tecnologia e Inovação: um direito de todos

As reuniões da SBPC têm o objetivo de debater políticas públicas nas áreas de CT&I e difundir avanços da Ciência em diversas áreas do conhecimento para a população. Com base nisso, o presidente da entidade comentou sobre a importância de se melhorar a educação pública e, em especial, a educação científica no País, algo que ele classificou como grande desafio e reforçou que é direito de cada brasileiro, principalmente dos jovens, ter a oportunidade de adquirir conhecimentos e práticas básicas, bem como de informações sobre CT&I.

“Não só de seu funcionamento, mas também seus riscos e limitações. Isto lhes dá condições de entender melhor o seu entorno, ampliar suas oportunidades profissionais e lhe possibilita uma atuação cidadã mais qualificada”, disse Ildeu Moreira.

Em Alagoas, o avanço em CT&I já é realidade. Dados divulgados pelo Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), durante o Seminário dos Coordenadores Regionais da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), ocorrido em setembro de 2017 em Brasília, apontaram que, em 2015, o Estado ocupava a 23ª colocação em ações de popularização da ciência e agora se posiciona em 8º lugar.

“O salto em ações dessa temática demonstra para nós que isso é uma realidade, que precisamos reforçar ainda mais e continuar apoiando. É importante, também, pois mostramos o potencial do Estado e que a CT&I não é uma coisa tão distante de nós alagoanos”, explicou Fábio Guedes.

Já na visão de Ildeu Moreira, a Ufal e a Fapeal têm desempenhado papeis decisivos para esse desenvolvimento em Alagoas. “O avanço da CT&I no Estado tem sido, de fato, bastante significativo e é importante que prossiga este crescimento na produção científica e que o sistema estadual de CT&I se consolide cada vez mais. A Reunião Anual da SBPC pode ajudar em dar mais visibilidade ao que já se tem feito e também possibilita um debate mais amplo sobre a situação de ciência, educação, tecnologia e inovação no País e sobre como Alagoas se insere e participa deste esforço permanente de aprimoramento da ciência”, apontou.

O professor José Vieira salientou que o fato de Alagoas vir formando e recebendo maior número de doutores – seja pela expansão da Ufal como pela consolidação das universidades estaduais – e o trabalho realizado pela Fapeal no sentido de dar transparência a editais voltados ao estímulo do desenvolvimento da pesquisa também explicam o recente avanço em áreas de CT&I.

“A Universidade Federal tem cumprido o papel de renovar seus quadros, expandir com novos cursos e novos projetos, as estaduais também consolidando seu quadro e de certa forma, talvez numa proporção menor, as particulares. A pesquisa, independente de onde esteja, atinge a todos de modo geral.”

Quinze mil pessoas respirando ciência

Com expectativa de receber cerca de 15 mil pessoas nos sete dias de evento, a 70ª Reunião Anual da SBPC no campus da Ufal terá atrações para todos os públicos. Serão conferências, mesas-redondas, encontros, minicursos e sessões de pôsteres com pesquisadores locais e nacionais, que discutirão temas da ciência e da realidade brasileira, da região e muitos outros assuntos. O professor José Vieira adiantou que a programação recém-divulgada (http://ra.sbpcnet.org.br/maceio/wp-content/uploads/2018/06/programa70RA.pdf) perpassa o modelo de temas transversais, de diferentes áreas do conhecimento e instituições. “E esses temas estão sendo construídos em função do tema central, mas também em função das quase 140 sociedades acadêmicas que compõem a SBPC têm promovido nos seus respectivos campi e em relação ao atual momento em que o país vive”, complementou.

Ele falou também sobre os diversos eventos paralelos que acontecerão no Campus A.C. Simões e que compõem a Reunião. “Temos a ExpoT&C, uma exposição composta por estandes em diferentes instituições de pesquisa ou ligadas à pesquisa, que apresentam trabalhos e novidades num espaço apropriado para apresentar o que está se desenvolvendo nas suas respectivas áreas à sociedade e ao empresariado, promovendo uma troca de experiências de altíssimo nível”, disse.

Um estande de quase dois mil metros quadrados com feiras de ciências e experimentos dos mais diversos terá a missão de atrair o público para a SBPC Jovem. “É a ideia do ‘aprender fazendo’, do laboratório, com várias coisas acontecendo: experimentos da química, da física, da saúde, das ciências agrárias, o observatório de ciência, microscópios, experiências com reagentes, enfim, tudo vai acontecer e a gente espera receber a comunidade da rede pública, dos ensinos fundamental e médio e da rede particular também”, contou Vieira.

A SBPC Cultural, segundo o vice-reitor, vai trabalhar com diversos elementos da cultura popular alagoana e artística. “Vamos construir, inclusive, um anfiteatro e um palco para apresentações de diferentes grupos no âmbito do teatro, dança, musica. Muito provavelmente vamos trazer a nossa Orquestra Sinfônica, o Coro da Universidade [Corufal] e a comunidade que vive aqui no entorno e nem sempre tem acesso a esses equipamentos, vão ter essa chance. O desafio é trazer, divulgar e reforçar que todos poderão entrar gratuitamente para disfrutar disso”, destacou.

Também haverá a SBPC Afro-Indígena, considerada por Vieira um grande diferencial por envolver comunidades quilombolas e remanescentes indígenas do Estado. “Isso é muito significativo, pois estamos num contexto recente em que a Serra da Barriga foi tombada como patrimônio cultural do Mercosul e evoca toda uma história de resistência, tanto de ex-escravos como de indígenas que nesse contexto da expansão do açúcar e da cultura canavieira acabaram incorporados a esse setor produtivo de forma coercitiva, mas resistindo de diversas formas, inclusive com os famosos mocambos, quilombos”, comentou.

Haverá, também, espaço para apresentação dos 1,2 mil trabalhos científicos. “As pessoas submeteram os trabalhos, o conselho científico fez a seleção e terão a chancela das entidades que compõem a SBPC. Então, esses jovens cientistas ou cientistas seniores, farão as apresentações e o material ficará disponível à sociedade”, completou.

Evento terá programação nos três campi da Universidade

Por conta da grande demanda das licenciaturas, a SBPC Educação será feita três dias antes do início da Reunião Anual nos três campi da instituição. “A Ufal tem três campi [A.C. Simões, em Maceió, Arapiraca e do Sertão, em Delmiro Gouveia] e em todos eles temos essa demanda. Por conta disso, decidimos fazer nos três. Será de forma mais compacta, nos dias 19, 20 e 21 de julho, mas com o mesmo modelo: uma conferência de abertura e mesas-redondas focadas nas metodologias de ensino, ou seja, vai ser um evento focado no ensino e para o público que está ligado à educação e à sala de aula. E vamos convidar profissionais de todos os municípios do entorno dos campi para participar”, explicou.

Além disso, a variada programação científica e as mesas-redondas também ocorrerão em diversos pontos do Campus A.C. Simões, em Maceió. As mesas, de caráter interdisciplinar e interinstitucional, servirão para, além do debate, formular políticas públicas. “Vamos ter uma sobre a sustentabilidade do Rio São Francisco e teremos pesquisadores de diferentes instituições e áreas do conhecimento para debater a sustentabilidade do Rio em razão da transposição, da revitalização e sobrevivência das comunidades ribeirinhas. O modelo favorece o debate, a interdisciplinaridade, a interinstitucionalidade e o encontro de áreas do conhecimento que tem ângulos de abordagem diferentes. A ideia é que essas mesas possam contribuir para o país avaliar determinadas políticas públicas ou construí-las”, salientou Vieira.

E que tal uma mini Bienal do Livro? “Vamos organizar uma pequena feira no Centro de Interesse Comunitário [CIC], ao lado da nossa Edufal [Editora da Ufal]. Algumas editoras já foram contatadas, a gente espera que outras se aproximem e, simultaneamente, serão lançados livros em parceria com a nossa Editora e com a Imprensa Oficial Graciliano Ramos”, complementou o professor.

Pensa que acabou? Além de tudo isso, outras atrações também farão parte da comemoração dos 70 anos da SBPC. “Teremos uma exposição sobre a SBPC dentro do Congresso Nacional e em diversas cidades, a publicação de materiais de divulgação da SBPC, palestras, vídeos e um livro comemorativo. Usaremos muito as redes sociais para isto e estamos convidando a todos, que já participaram em algum momento da SBPC, a gravarem vídeos ou depoimentos curtos com o mote: A primeira SBPC a gente nunca esquece”, revelou Ildeu Moreira.

Atividades lúdicas para ensinar

Com o tema Meio ambiente, Tecnologia e Sustentabilidade, diversas atividades serão realizadas no estande da Fapeal, que dispõe de 200 m² e contará com três áreas de programações específicas e um quarto para atendimento ao público e esclarecimento de dúvidas.

Os espaços irão convergir em atrações imersivas e tecnológicas, como realidade aumentada e projeção de vídeo em sala escura, mas sem perder o lado lúdico: contação de histórias, oficinas de papercraft e atividades de educação ambiental estão programadas para acontecer pelas manhãs e tardes do dia 23 até o dia 28.

Um deles é a área infantil, inspirada nos biomas do semiárido e com uma decoração que remete ao agreste e à caatinga de Alagoas e que terá o maior número de atividades. A maioria ofertada pelo Instituto do Meio Ambiente (IMA) com o tema Alga não é lixo, curiosidades sobre a fauna e flora alagoana, o tráfico e a criação legal de animais silvestres, exposição de cobras e serpentes, oficina de frutos secos, entre outras. Há atividades tanto para o público infantil quanto para jovens e adultos.

O estande também vai tercaracterização do fundo do mar e trará a tecnologia da realidade aumentada. Quem participar poderá manipular, por meio de um aplicativo para as telas de TV, quatro espécies da fauna subaquática da orla de Maceió. Este material é inspirado no trabalho fotográfico do biólogo e bolsista da Fapeal Juliano Fritsch, que atua no IMA, com o reconhecimento e preservação destas espécies.

Já a terceira sala é a única totalmente fechada e permitirá entrada e saída de um grupo de pessoas para uma experiência imersiva de projeção de vídeo em 360 graus. Em pauta, a degradação ambiental provocada pela ação humana, na intenção de fazer repensar as questões de responsabilidade sobre suas consequências e revelando respostas buscadas para desacelerar este complexo.

Além da Fapeal e do IMA, a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), a Imprensa Oficial e a Agência de Fomento de Alagoas (Desenvolve) adicionam conteúdos específicos à programação. “Montamos esse estande permite a participação da população alagoana com atividades lúdicas e interativas. E privilegiamos o meio ambiente por termos uma diversidade natural, tanto da fauna quanto da flora, que casa muito bem com o tema da ciência e da tecnologia”, explicou.

Evento é gratuito!

A 70ª Reunião Anual da SBPC será completamente aberta ao público. Mas, para aqueles que tiverem vontade de frequentar um minicurso ou obter certificado de participação geral com um material das atividades, ainda podem se inscrever na secretaria do evento, a partir do dia 22.

“A Universidade vai ser toda ocupada, inclusive vamos redefinir o trânsito no Campus A.C. Simões. A gente sabe que os olhos do Brasil estarão focados em Alagoas, tanto da comunidade científica como os da política nacional. Por isso, queremos que esta Reunião seja a mais responsável socialmente e a mais socialmente referenciada”, afirmou o vice-reitor da Ufal, José Vieira.

Para saber os detalhes sobre a programação acesse o site do evento (http://ra.sbpcnet.org.br/maceio/) ou acompanhe ainda os perfis nas redes sociais @sbpcnaufal do Instagram e Facebook.

Fonte: Assessoria da Universidade Federal de Alagoas / Texto: Deriky Pereira

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