Saúde

TH Entrevista discute Setembro Amarelo e a saúde mental

Engenheiro de segurança do trabalho Reylon Feijó explica impactos dos riscos psicossociais e mudanças previstas na NR-1

Por Thayanne Magalhães / Tribuna Independente 16/09/2026 08h35
TH Entrevista discute Setembro Amarelo e a saúde mental
Engenheiro de Segurança do Trabalho Reylon Feijó faz uma abordagem sobre saúde mental e trabalho - Foto: Edilson Omena

A saúde mental passou a ocupar espaço cada vez mais importante nas discussões sobre segurança e saúde ocupacional. No ambiente profissional, fatores como sobrecarga de tarefas, pressão excessiva por resultados, jornadas desgastantes, falta de autonomia e situações de assédio podem afetar diretamente o bem-estar dos trabalhadores. Durante o TH Entrevista, o engenheiro de segurança do trabalho Reylon Feijó abordou a relação entre saúde mental e condições de trabalho e destacou a importância da prevenção.

A pauta ganha ainda mais relevância durante o Setembro Amarelo, campanha voltada à conscientização sobre a prevenção do suicídio e à valorização da vida. Segundo Reylon, falar sobre saúde mental nas empresas significa também discutir a forma como o trabalho é organizado e os riscos aos quais os profissionais estão submetidos diariamente.

Outro ponto abordado na entrevista foi a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1). A nova redação, em vigor desde 26 de maio de 2026, passou a prever expressamente a consideração dos fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho dentro do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Com isso, a prevenção deve considerar, além dos riscos físicos, químicos, biológicos e de acidentes, aspectos ligados à organização e às condições em que as atividades são desenvolvidas.

Reylon explicou que o gerenciamento dos riscos psicossociais não significa avaliar características pessoais ou a vida particular dos funcionários. O foco está nas condições oferecidas pelo próprio ambiente profissional e na identificação de situações que possam representar risco à saúde dos trabalhadores.

Na prática, isso envolve observar aspectos como distribuição de tarefas, ritmo e jornada de trabalho, metas, relações hierárquicas, comunicação interna, situações de assédio e existência de mecanismos de apoio. A proposta é identificar problemas e adotar medidas para eliminá-los ou reduzi-los antes que resultem em adoecimento.

A entrevista também abordou a Síndrome de Burnout, relacionada ao estresse crônico no ambiente de trabalho. O quadro pode envolver esgotamento físico e emocional, cansaço intenso, alterações de comportamento, dificuldade de concentração e outros sinais que interferem na vida profissional e pessoal.

Para o especialista, a prevenção não deve começar somente quando o trabalhador apresenta sintomas. A identificação antecipada dos fatores que podem provocar sofrimento ou sobrecarga é fundamental para que a empresa possa modificar processos, melhorar as condições de trabalho e oferecer suporte adequado aos funcionários.

Durante a conversa, Reylon Feijó também destacou que a responsabilidade pela saúde ocupacional envolve a construção de ambientes nos quais os trabalhadores tenham condições adequadas para desempenhar suas funções. A discussão sobre riscos psicossociais, portanto, amplia o conceito de segurança no trabalho e coloca a saúde mental como parte integrante das estratégias de prevenção.

A entrevista completa está disponível no canal do Tribuna Hoje no YouTube, no portal Tribuna Hoje e na programação da TV COM (canal 12 da Claro/Net), com exibição às 10h, 16h e 20h.