Saúde

Burnout avança entre profissionais da saúde: quais sinais indicam que o trabalhador chegou ao limite?

Especialista alerta para os sinais de burnout e os riscos psicossociais no trabalho

Por Assessoria 14/09/2026 14h53
Burnout avança entre profissionais da saúde: quais sinais indicam que o trabalhador chegou ao limite?
A discussão ganha ainda mais relevância diante da atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que estabelece diretrizes gerais de Segurança e Saúde no Trabalho - Foto: Reprodução


Pressão constante, jornadas intensas, contato diário com situações de sofrimento e a responsabilidade de cuidar da vida de outras pessoas fazem parte da rotina de milhares de profissionais da saúde. Quando esse cenário se prolonga e o trabalhador não encontra condições adequadas de descanso, suporte e recuperação, o desgaste pode ultrapassar o cansaço cotidiano e evoluir para um quadro de burnout.

Mas como identificar que o profissional chegou ao limite?


Exaustão persistente, irritabilidade, dificuldade de concentração, alterações no sono, perda de motivação e distanciamento emocional podem estar entre os sinais de alerta. Para o enfermeiro e doutor em Sociedade, Tecnologias e Políticas Públicas Wbiratan de Lima Souza, a discussão sobre burnout precisa considerar tanto a saúde do trabalhador quanto as condições em que o trabalho é realizado.

“Quem cuida de todo mundo também precisa ser cuidado. O profissional da saúde não deixa de ser humano quando veste o uniforme ou coloca o crachá. Ele também está sujeito ao cansaço, à ansiedade, ao estresse e ao sofrimento. Por isso, precisamos estar atentos aos sinais de esgotamento e também às condições de trabalho que podem favorecer esse adoecimento”, afirma Wbiratan.

A discussão ganha ainda mais relevância diante da atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que estabelece diretrizes gerais de Segurança e Saúde no Trabalho e regulamenta o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). A norma passou a contemplar expressamente os fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho, ampliando a atenção sobre aspectos da organização e das condições laborais que podem contribuir para o adoecimento dos trabalhadores.

Segundo Wbiratan, a mudança reforça que a saúde mental também deve fazer parte das estratégias de prevenção dentro dos ambientes profissionais.

“Saúde mental não pode ser tratada apenas como uma responsabilidade individual. Se existe uma organização do trabalho que favorece o adoecimento, é preciso identificar esse risco, compreender suas causas e construir medidas de prevenção. O trabalhador precisa ser ouvido, mas a organização também precisa olhar para as condições que estão produzindo aquele desgaste”, explica.

Na área da saúde, o debate ganha uma dimensão ainda maior. Enfermeiros, técnicos de enfermagem, médicos e outros profissionais convivem diariamente com situações de emergência, sofrimento humano, perdas, pressão e decisões que podem ter consequências importantes para os pacientes.

“Não basta perguntar por que determinado profissional está esgotado. Também precisamos perguntar o que está acontecendo naquele ambiente de trabalho para que ele esteja chegando ao limite. Prevenção significa identificar os fatores de risco antes que o sofrimento se transforme em afastamento, comprometimento da qualidade de vida ou até abandono da profissão”, destaca.

Outro ponto importante é diferenciar o estresse comum de um processo de esgotamento que exige atenção. O burnout está relacionado ao contexto de trabalho e pode apresentar manifestações físicas, emocionais e comportamentais que interferem na vida profissional e pessoal.

“O cansaço depois de uma jornada intensa pode acontecer, mas quando a pessoa não consegue mais se recuperar, perde a motivação, começa a apresentar alterações emocionais e percebe que sua capacidade de trabalhar e de se relacionar está sendo afetada, é preciso olhar para essa situação com seriedade e buscar ajuda”, afirma Wbiratan.

A atualização da NR-1 também coloca em evidência o papel das instituições na prevenção dos riscos psicossociais. A proposta não é apenas identificar trabalhadores que já estejam adoecidos, mas observar fatores relacionados à organização e às condições de trabalho que possam contribuir para o problema.

Para Wbiratan, cuidar da saúde dos profissionais também representa uma forma de proteger a qualidade da assistência oferecida à população.

“Quando cuidamos de quem cuida, também estamos cuidando do paciente. Um profissional que trabalha em condições adequadas, que tem espaço para descanso, apoio e segurança para exercer sua função está mais preparado para oferecer uma assistência de qualidade. Saúde do trabalhador e qualidade do atendimento são questões que caminham juntas”, ressalta.