Saúde
Doação de sangue salva vidas durante o tratamento do câncer infantil
Mãe de menino em tratamento contra leucemia na Santa Casa Farol conta como as transfusões de sangue e plaquetas passaram a fazer parte da rotina
Quem acompanha uma criança em tratamento contra o câncer aprende que a recuperação depende de muito mais do que consultas, exames e sessões de quimioterapia. Em diversos momentos, a continuidade do tratamento também está nas mãos de pessoas dispostas a fazer um gesto simples: doar sangue.
Foi essa realidade que Mariana Maya passou a conhecer de perto desde novembro de 2024, quando o filho, Lucas, foi diagnosticado com leucemia linfoblástica aguda de células T (LLA-T). Desde então, ele realiza o tratamento oncológico na Santa Casa Farol, onde as transfusões de sangue e de plaquetas deixaram de ser uma possibilidade para se tornarem parte da rotina da família.
“Para os pacientes oncológicos, a doação de sangue é vida, literalmente. Sem essas transfusões, eles não conseguem seguir com o tratamento”, afirma.
Durante a quimioterapia, é comum que a produção de células do sangue seja reduzida, tornando necessárias transfusões para que o organismo consiga se recuperar e o tratamento prossiga com segurança. Em alguns casos, também é preciso repor plaquetas, fundamentais para evitar sangramentos e outras complicações.
Aos 7 anos, Lucas já precisou passar por diversas transfusões ao longo do tratamento. A cada nova necessidade, familiares e amigos se mobilizaram em busca de doadores, uma realidade vivida por muitas famílias que acompanham crianças atendidas na oncologia pediátrica.
“A gente faz campanhas porque precisa naquele momento, mas essa necessidade existe todos os dias. Não é só o Lucas. São muitas crianças passando pelo mesmo tratamento e dependendo da solidariedade de pessoas que nem conhecem suas histórias”, conta.
Segundo Mariana, quando uma criança conclui o tratamento, outras chegam ao serviço de oncologia iniciando a mesma caminhada. Por isso, manter os estoques dos bancos de sangue abastecidos é um desafio permanente.
“Se Deus quiser, o Lucas termina o tratamento. Mas outras crianças continuarão precisando. A doação não pode acontecer apenas quando surge um pedido urgente. Ela precisa fazer parte da rotina das pessoas.”
Ela lembra que a necessidade de sangue não se limita aos pacientes com câncer. Pessoas submetidas a cirurgias, vítimas de acidentes e pacientes com diversas outras doenças também dependem das doações. No caso das plaquetas, a situação exige ainda mais atenção, já que elas têm um período curto de armazenamento e precisam ser repostas constantemente.
Antes de doar, todo voluntário passa por uma avaliação para verificar se atende aos critérios necessários, garantindo segurança tanto para quem doa quanto para quem recebe.
Depois de meses acompanhando de perto essa realidade, Mariana faz um apelo para que mais pessoas transformem a doação em um hábito.
“Sem as doações, meu filho não teria chegado até aqui. Tenho certeza de que muitas outras famílias diriam a mesma coisa. Cada bolsa de sangue representa uma oportunidade para que uma criança continue lutando, sonhando e vivendo.”
Critérios básicos para doação:
Estar alimentado e em boas condições de saúde;Ter idade entre 18 e 60 anos;Portar documento oficial c/foto: (Identidade, Habilitação, Reservista com foto ou Carteira Profissional);Pesar a partir de 55 kg;Não ingerir bebida alcoólica no dia anterior;Dormir pelo menos 6 horas durante a noite.
O Banco de Sangue da Santa Casa de Maceió funciona de segunda, quarta e sexta-feira, das 7h às 16h, e às terças e quintas-feiras, das 7h às 15h, sem intervalo para almoço. A instituição reforça que uma única bolsa de sangue pode beneficiar até quatro pessoas e contribuir diretamente para a continuidade de tratamentos e atendimentos hospitalares.
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