Saúde
Nutróloga esclarece principais mitos sobre alimentação durante a amamentação
Especialista explica o que é mito e o que realmente faz diferença na alimentação da mãe, além de orientar quais nutrientes merecem atenção durante a gestação e a lactação
Durante a amamentação, é comum que mães recebam recomendações sobre o que devem ou não comer. Há quem diga que a canjica aumenta a produção de leite, cerveja preta ajuda na lactação e alguns alimentos até são proibidos. Em meio a tantas informações, o Agosto Dourado, campanha de incentivo ao aleitamento materno, também se torna uma oportunidade para esclarecer mitos e reforçar a importância da alimentação equilibrada para a saúde da mulher nesse período.
Segundo a médica nutróloga Eline Soriano, não existe um alimento específico capaz de aumentar, sozinho, a produção de leite materno. Da mesma forma, a maioria das mulheres não precisa retirar alimentos da dieta apenas porque está amamentando.
"Na maioria dos casos, não há necessidade de restrições alimentares. Também não existem alimentos capazes de aumentar a produção de leite de forma comprovada. A produção de leite depende principalmente da sucção frequente do bebê, do esvaziamento das mamas e do equilíbrio hormonal da mulher. O papel da alimentação é fornecer os nutrientes necessários para que o organismo materno funcione adequadamente durante esse período", explica.
Embora a alimentação não determine, isoladamente, a quantidade de leite produzida, ela é fundamental para atender às maiores necessidades nutricionais da mulher durante a gestação e a lactação, favorecer a recuperação após o parto e prevenir deficiências nutricionais.
Entre os nutrientes que merecem atenção estão ferro, cálcio, vitamina D, vitamina B12, iodo, ácido fólico e proteínas, essenciais para a manutenção da saúde materna. A necessidade de suplementação, entretanto, varia de acordo com os exames, o histórico clínico e a avaliação médica.
"A amamentação representa uma fase de maior demanda metabólica. Por isso, a mãe precisa manter uma alimentação variada, equilibrada, hidratação adequada e acompanhamento médico para identificar possíveis carências nutricionais e corrigi-las quando necessário", afirma.
A especialista destaca ainda que outro erro frequente é focar apenas na perda de peso após o parto. Segundo ela, a prioridade nesse momento deve ser a recuperação do organismo e a manutenção da saúde da mulher.
"É natural que exista o desejo de voltar ao peso anterior à gestação, mas esse processo deve acontecer de forma gradual. Antes de pensar na balança, é importante garantir que o organismo esteja recebendo todos os nutrientes necessários para essa fase", orienta.
Durante o Agosto Dourado, Eline Soriano reforça que incentivar o aleitamento materno também significa cuidar da saúde de quem amamenta.
"Quando a mãe está bem nutrida e acompanhada, ela enfrenta esse período com mais disposição, reduz o risco de deficiências nutricionais e tem melhores condições de vivenciar a amamentação de forma saudável", conclui.
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