Saúde

Tirzepatida, álcool e exageros nas festas juninas podem sobrecarregar organismo

Por Assessoria 17/06/2026 10h08
Tirzepatida, álcool e exageros nas festas juninas podem sobrecarregar organismo
Médica nutróloga, Eline Soriano, destaca possíveis desconfortos gastrointestinais e reforça a importância de manter hábitos equilibrados durante o tratamento - Foto: Assessoria


Com a popularização dos medicamentos à base de tirzepatida para tratamento da obesidade e controle do diabetes, cresce também o alerta para os cuidados durante os períodos de celebração, como os festejos juninos. A combinação entre o uso da medicação, consumo de bebidas alcoólicas e excesso de alimentos ricos em gordura e açúcar pode aumentar o risco de desconfortos gastrointestinais, alterações metabólicas e outros problemas de saúde.

A médica nutróloga Eline Soriano explica que pacientes em tratamento com medicamentos como a tirzepatida precisam compreender que o organismo passa por mudanças durante o uso da substância, principalmente relacionadas ao controle da fome, digestão e esvaziamento gástrico.

“A tirzepatida atua em mecanismos hormonais relacionados à saciedade e também reduz a velocidade com que o alimento deixa o estômago. Quando a pessoa associa a medicação ao consumo elevado de álcool e alimentos mais pesados, como frituras, doces e preparações típicas das festas juninas, o organismo pode apresentar maior dificuldade para lidar com esses estímulos”, explica a especialista.

Os medicamentos à base de tirzepatida, como o Mounjaro, são agonistas de receptores de hormônios chamados GLP-1 e GIP, que participam da regulação da glicose e da saciedade. Por isso, durante o tratamento, é comum que alguns pacientes apresentem efeitos gastrointestinais, como náuseas, refluxo, sensação de estômago cheio e desconforto abdominal.

Segundo Eline Soriano, o consumo de álcool durante o tratamento exige atenção, principalmente quando associado a longos períodos sem alimentação adequada ou a refeições muito calóricas.

“O álcool pode contribuir para alterações na glicemia e, em algumas situações, aumentar o risco de mal-estar, tontura e indisposição. Além disso, como a medicação reduz o esvaziamento gástrico, a digestão pode ficar mais lenta, favorecendo sintomas como náuseas, vômitos e azia”, afirma.

A especialista também chama atenção para o risco de pancreatite, uma inflamação do pâncreas que pode estar associada a diferentes fatores, incluindo consumo excessivo de álcool. Embora seja uma condição incomum, pacientes em tratamento com medicamentos dessa classe devem procurar avaliação médica diante de sintomas como dor abdominal intensa e persistente, especialmente quando acompanhada de vômitos.

“Não significa que toda pessoa que utiliza a medicação não possa participar de uma festa ou consumir determinados alimentos. O ponto principal é entender que o tratamento exige responsabilidade e acompanhamento médico. O excesso de álcool e alimentos muito gordurosos pode gerar uma sobrecarga para o organismo”, destaca a nutróloga.

Durante os festejos juninos, a médica recomenda que pacientes em tratamento mantenham uma alimentação equilibrada, evitem longos períodos em jejum, priorizem hidratação e tenham atenção aos sinais do corpo.

“O medicamento é uma ferramenta importante no tratamento da obesidade, mas ele não substitui hábitos saudáveis. O emagrecimento precisa acontecer com acompanhamento, planejamento alimentar e escolhas conscientes. Aproveitar as festas faz parte da vida, mas é fundamental cuidar da saúde durante todo o processo”, finaliza Eline Soriano.