Saúde
Quando comer deixa de ser apenas fome
Médico explica como emoções, microbiota intestinal, ultraprocessados e fatores hormonais influenciam compulsão alimentar, obesidade e doenças metabólicas
A relação da população com a comida vai muito além da fome. Questões emocionais, alterações hormonais, influência da microbiota intestinal e o fácil acesso aos alimentos ultraprocessados estão entre os fatores que ajudam a explicar o crescimento dos transtornos alimentares e das doenças metabólicas no Brasil. O tema tem chamado a atenção de especialistas em saúde pública e ganha cada vez mais espaço dentro da nutrologia moderna.
Segundo o médico nutrólogo Yuri Brandão, professor do curso de Pós-graduação em Nutrologia da Afya Educação Médica, a regulação do comportamento alimentar envolve diferentes áreas do organismo. “Hoje sabemos que existem pelo menos três dimensões relacionadas ao ato de comer: a fome homeostática, que é a necessidade fisiológica do corpo; a fome hedônica, ligada ao prazer; e os sinais mediados pela microbiota intestinal. A interação desses fatores ajuda a entender por que muitas pessoas desenvolvem compulsão alimentar, excesso de peso ou até déficits nutricionais”, explica.
O especialista destaca que o cenário atual exige uma abordagem mais ampla e integrada no tratamento dos transtornos alimentares. “Não é apenas uma questão de força de vontade. Existe influência do ambiente alimentar, de fatores neuroendócrinos, emocionais e sociais. O diagnóstico precoce e o acompanhamento multidisciplinar são fundamentais para melhorar os desfechos clínicos e reduzir impactos na qualidade de vida”, afirma.
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