Saúde
Sinais de abuso em crianças com autismo exigem atenção redobrada de famílias e profissionais
Nas clínicas, protocolos devem ser adotados para garantir a segurança e o bem-estar dos pacientes
Crianças com transtorno do espectro autista (TEA) podem estar mais vulneráveis a situações de violência e abuso, segundo alertam órgãos oficiais de saúde e proteção à infância. Dificuldades de comunicação, dependência de cuidadores e desafios na interpretação de interações sociais estão entre os fatores que podem dificultar a identificação precoce desses casos.
De acordo com o Ministério da Saúde, mudanças repentinas de comportamento são um dos principais sinais de alerta. Crianças com autismo que passam a apresentar crises mais frequentes, isolamento acentuado, regressão em habilidades já adquiridas, como fala ou controle de esfíncteres, ou alterações no sono e na alimentação podem estar reagindo a situações de estresse extremo, incluindo possíveis abusos.
A Organização Mundial da Saúde também destaca que sinais físicos devem ser observados com cuidado, como lesões inexplicadas, hematomas recorrentes ou queixas de dor sem causa aparente. No caso de crianças com TEA, esses indícios podem ser mais difíceis de relatar verbalmente, o que aumenta a importância da observação por parte de adultos responsáveis.
Nesse contexto, as clínicas que atendem o público de pessoas com autismo também desempenham um papel fundamental na prevenção de situações de violência física e sexual.
A psicóloga, Priscila Barbosa faz um alerta. “É essencial a implementação de medidas estruturadas de proteção, como a adoção de uma política institucional clara voltada à segurança do paciente, a verificação de antecedentes criminais e de referências profissionais no processo de contratação de colaboradores, bem como a instalação de câmeras de monitoramento, contribuindo para a proteção tanto dos pacientes quanto dos profissionais. Além disso, as sessões devem ser supervisionadas de forma sistemática por um supervisor, incluindo observações não programadas, como estratégia para assegurar a qualidade dos atendimentos e a integridade de todos os envolvidos”, enumera a responsável pela Centro Estimulando, local especializado no atendimento a pessoas com TEA.
Outro ponto sensível envolve mudanças no comportamento em relação a determinados indivíduos ou ambientes. Segundo orientações do UNICEF, medo intenso, resistência ou recusa em permanecer com uma pessoa específica podem indicar experiências negativas. Em crianças autistas, isso pode se manifestar por meio de crises, agitação ou comportamentos repetitivos mais intensos ao se aproximar de certos contextos.
Priscila Barbosa reforça que algumas condutas são essenciais. “É necessário oferecer treinamento contínuo à equipe de clínicas especializadas sobre ética e manejo adequado, possibilitar que os pais acompanhem as sessões sempre que desejarem e estabelecer protocolos específicos para situações sensíveis, como por exemplo, o uso do banheiro deve ser realizado, sempre que necessário, com a presença de dois profissionais, e o treino de atividades de vida diária que envolvam higiene íntima, como o treino de uso do banheiro ou do banho, devem ser conduzidas pelos pais, sob orientação do profissional responsável”, explica a especialista.
Comportamentos sexualizados inadequados para a idade podem ser um indicativo de abuso sexual. O Disque 100 orienta que qualquer suspeita deve ser comunicada imediatamente, mesmo sem confirmação, para que as autoridades possam investigar e garantir a proteção da criança.
A Sociedade Brasileira de Pediatria reforça que crianças com TEA podem expressar sofrimento de maneiras diferentes, incluindo aumento de comportamentos autoagressivos, irritabilidade ou crises sem causa aparente. Por isso, o acompanhamento regular com profissionais de saúde e educação é fundamental para identificar mudanças fora do padrão habitual.
A identificação precoce é considerada essencial para interromper ciclos de violência e garantir o apoio adequado. Autoridades recomendam que familiares, educadores e profissionais da saúde mantenham um olhar atento e acolhedor, criando ambientes seguros para que a criança possa se expressar — verbalmente ou por outros meios. Dessa forma é fundamental que os pais estejam atentos a possíveis sinais de alerta, como choro persistente após o período de adaptação, mudanças abruptas de comportamento, presença de marcas físicas sem explicação e regressões no desenvolvimento.
Casos suspeitos podem ser denunciados anonimamente por canais oficiais, como o Disque 100, disponível em todo o território nacional. A proteção da criança é prioridade legal e social, e a atuação rápida pode evitar consequências graves e duradouras.
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