Saúde

Dor nas costas avança entre os jovens e exige cuidados diários

“Epidemia silenciosa” está ligada ao estilo de vida atual, mais sedentário

Por Ana Paula Omena - Repórter / Tribuna Hoje 15/05/2026 08h03
Dor nas costas avança entre os jovens e exige cuidados diários
Fisioterapeuta Cesário Souza diz que excesso de telas, sedentarismo e estresse estão entre os principais fatores para o aumento das dores nas costas - Foto: Edilson Omena

O que antes era associado ao envelhecimento agora faz parte da rotina de jovens, estudantes e trabalhadores em plena fase produtiva. As dores nas costas, especialmente na região lombar e cervical, cresceram entre pessoas abaixo dos 40 anos e já preocupam profissionais da saúde pelo impacto físico, emocional e econômico.

Ao TH Entrevista, canal da Tribuna no Youtube, o fisioterapeuta e professor Cesário Souza, destacou que o problema deixou de ser apenas um sinal de alerta do corpo e passou a ser tratado como uma condição de saúde complexa, influenciada pelo modelo de vida atual.

Segundo ele, a rotina marcada por horas em frente ao computador, uso excessivo do celular, estresse contínuo, má postura e redução do movimento diário tem acelerado o surgimento de dores que antes apareciam apenas após décadas de desgaste físico.

“O corpo passou a responder não só aos esforços físicos, mas também às pressões emocionais, ao excesso de cobrança e aos hábitos repetitivos”, explicou.

O especialista afirmou ainda que o termo “epidemia silenciosa” vai além do aumento do número de casos. O problema, segundo ele, cresce de forma progressiva e muitas vezes é ignorado até comprometer atividades simples da rotina.

Entre os principais sinais de alerta estão dores sem causa aparente, dificuldade para executar tarefas do dia a dia, limitação de movimentos e desconfortos que começam a interferir no trabalho, no sono ou em atividades de lazer.

Cesário Souza ressaltou que a dor também tem reflexos econômicos e sociais. Jovens em idade produtiva acabam se afastando do trabalho, reduzem o rendimento profissional e, em alguns casos, desenvolvem limitações permanentes.

“O impacto não é apenas individual. Isso repercute na família, nas empresas e até no sistema previdenciário”, afirmou.

Um dos pontos destacados também pelo fisioterapeuta diz respeito à mudança na forma como a ciência passou a encarar a dor. Se antes o repouso era a principal orientação, hoje o entendimento é diferente.

De acordo com ele, permanecer parado pode agravar o quadro. A prática regular de atividade física, quando feita de maneira orientada, passou a ser considerada uma das principais estratégias de prevenção e tratamento.

Além dos benefícios físicos, a atividade ajuda no controle emocional, reduz o estresse e melhora a circulação, fatores que também influenciam diretamente na percepção da dor.
O especialista frisou, no entanto, que o exercício sem acompanhamento pode gerar efeito contrário, principalmente para quem sai do sedentarismo e inicia atividades intensas de forma abrupta.

“É importante aprender a identificar quando a dor deixou de ser algo passageiro. O alerta deve acender quando o desconforto surge sem motivo claro ou começa a limitar funções simples”, salientou.

“Deixar de caminhar, sentir dificuldade para permanecer sentado, perder rendimento no trabalho ou evitar movimentos que antes eram naturais podem indicar a necessidade de procurar ajuda profissional. A recomendação é buscar avaliação médica ou fisioterapêutica sempre que a dor passar a interferir na qualidade de vida”, pontuou.

A entrevista completa está disponível no canal Tribuna Hoje no YouTube, no site do Tribuna Hoje e na programação do canal 12 da TV COM na Net/Claro, com exibições às 10h, 16h e 20h.

Confira no link abaixo:

TH Entrevista - Dor nas costas deixa de ser problema da terceira idade e avança entre jovens