Saúde

Dia Mundial de Combate à Meningite: baixa cobertura vacinal e circulação de sorotipos acende alerta em Maceió

Pediatra destaca sinais de urgência e risco de evolução rápida da doença, que já registra mortes em crianças

Por Assessoria 24/04/2026 14h25
Dia Mundial de Combate à Meningite: baixa cobertura vacinal e circulação de sorotipos acende alerta em Maceió
Em 2026, o cenário se torna ainda mais complexo, com a coexistência de dois sorogrupos principais da doença - Foto: Reprodução


O Dia Mundial de Combate à Meningite, lembrado em 24 de abril, reforça o alerta para uma doença grave que segue em circulação em Maceió e em todo o estado de Alagoas. O cenário epidemiológico recente preocupa autoridades de saúde e especialistas, especialmente diante da baixa cobertura vacinal e da presença de diferentes sorogrupos da doença.

A Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau) vem alertando desde 2025 que a principal causa para a manutenção da circulação da meningite no estado é a baixa adesão à vacinação. Em Maceió, a cobertura da vacina meningocócica C ficou em torno de 84,8%, abaixo do índice considerado ideal, que deve ultrapassar 95% para garantir a proteção coletiva.

Em 2026, o cenário se torna ainda mais complexo, com a coexistência de dois sorogrupos principais da doença. Na capital, há predominância do sorogrupo C, enquanto o sorogrupo B também apresenta registros no interior do estado, este último considerado mais preocupante por não estar contemplado de forma ampla na rede pública.

Em fevereiro deste ano, a Secretaria Municipal de Saúde de Maceió decretou surto de meningite meningocócica do sorogrupo C, após a confirmação de três casos em um intervalo inferior a 90 dias. Como resposta, foi realizado bloqueio vacinal e ampliação da imunização em bairros específicos para conter o avanço da doença.

Paralelamente, o sorogrupo B segue em circulação. Em janeiro de 2026, um caso foi confirmado no município de União dos Palmares. Especialistas alertam que esse tipo é considerado mais virulento e não está incluído na cobertura padrão do SUS, estando disponível apenas na rede privada.

Dados mais recentes do Ministério da Saúde indicam que, até o início de fevereiro de 2026, Alagoas já contabilizava 32 casos notificados de meningite, com investigações em andamento. O estado lidera a incidência da doença no Nordeste e ocupa a segunda posição no país.

Além dos números, o impacto da doença também é evidenciado pelos registros de óbitos. Em 2026, Maceió confirmou a morte de um bebê vítima de meningite. Já em 2025, o estado registrou mortes pela doença, incluindo crianças, grupo considerado mais vulnerável.

Segundo o pediatra e professor do curso de Medicina da Afya Maceió, Samir Kassar, a meningite continua sendo uma emergência médica. “A meningite bacteriana pode levar ao óbito em poucas horas. E, quando não evolui para morte, pode deixar sequelas importantes, como surdez, epilepsia, atraso no desenvolvimento e déficit cognitivo”, explica.

Ele ressalta que crianças apresentam maior risco devido a fatores biológicos. “O sistema imunológico ainda é imaturo, há maior risco de resposta inflamatória desregulada e de infecção generalizada, além de sinais muitas vezes inespecíficos nos menores de dois anos, o que dificulta o diagnóstico precoce”, afirma.

Entre os principais sinais de alerta estão febre alta súbita, dor de cabeça intensa, vômitos, rigidez na nuca, sensibilidade à luz, sonolência, confusão mental e convulsões. Em quadros graves, alguns sintomas indicam urgência imediata. “Manchas roxas na pele, rebaixamento do nível de consciência, convulsões e sinais de choque são indicativos de gravidade e exigem atendimento imediato”, reforça.

Apesar da redução significativa dos casos ao longo das últimas décadas com a vacinação, o especialista chama atenção para desafios atuais. “Houve uma queda superior a 80% a 90% na incidência, mas a doença não deixou de ser grave. Hoje ela é mais rara, porém mais imprevisível, com ocorrência em surtos localizados”, pontua.

Ele também destaca a lacuna na proteção contra o sorogrupo B. “Esse tipo não está contemplado de forma ampla pelo SUS, o que mantém um risco importante, especialmente para crianças”, afirma.

Diante desse cenário, a recomendação é clara: não ignorar sinais e buscar atendimento imediato. “Febre associada à mudança de comportamento já é motivo para procurar assistência médica. Não se deve esperar a evolução em casa”, orienta.

A atualização do calendário vacinal segue sendo a principal forma de prevenção, aliada à informação. Em um contexto de circulação ativa da doença e cobertura vacinal abaixo do ideal, reconhecer os sinais precocemente pode ser decisivo para salvar vidas.

Sobre a Afya

A Afya, maior ecossistema de educação e soluções para a prática médica do Brasil, reúne 37 Instituições de Ensino Superior, sendo 32 com cursos de Medicina, além de 25 unidades voltadas à pós-graduação e educação continuada em áreas médicas e da saúde em todas as regiões do país. São 3.753 vagas de Medicina aprovadas pelo MEC e 3.643 vagas em operação, com mais de 24 mil alunos formados ao longo de 25 anos.

Pioneira em práticas digitais para aprendizagem contínua e suporte ao exercício da Medicina, 1 a cada 3 médicos e estudantes de Medicina no Brasil utiliza ao menos uma solução digital do portfólio Afya, como Afya Whitebook, Afya iClinic e Afya Papers.

Primeira empresa de educação médica a abrir capital na Nasdaq, em 2019, a Afya já recebeu prêmios do Valor Econômico, incluindo o “Valor Inovação” (2023) como a empresa mais inovadora do Brasil e o “Valor 1000” como a melhor empresa de educação nos anos de 2021, 2023, 2024 e 2025. O CEO da companhia, Virgílio Gibbon, foi reconhecido como o melhor executivo da área de Educação pelo prêmio “Executivo de Valor” (2023). Em 2024, a empresa passou a integrar o programa “Liderança com ImPacto”, do Pacto Global da ONU no Brasil, como porta-voz do ODS 3 – Saúde e Bem-Estar. Mais informações: www.afya.com.br | ir.afya.com.br