Saúde
Barulho e luz exigem adaptação no cuidado odontológico de crianças autistas
O som do motor, a iluminação intensa e até o simples toque podem ser fatores de desconforto para muitas crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Em um ambiente como o consultório odontológico, esses estímulos sensoriais podem se transformar em verdadeiras barreiras, dificultando o atendimento e afastando famílias do cuidado com a saúde bucal infantil.
Durante o Abril Azul, mês dedicado à conscientização sobre o autismo, especialistas reforçam a importância de adaptar o atendimento odontológico para garantir inclusão, acolhimento e bem-estar às crianças.
De acordo com o odontopediatra Daniel Campelo, conhecido como Tio Dan, compreender as particularidades de cada paciente é o primeiro passo para um atendimento eficaz. “A criança com autismo pode ter uma sensibilidade muito maior a estímulos que, para outras pessoas, são comuns. O barulho do equipamento, a luz direta no rosto e até o cheiro do consultório podem gerar ansiedade ou desconforto”, explica.
Segundo o especialista, a previsibilidade e a construção de confiança são fundamentais nesse processo. “Quando a criança sabe o que vai acontecer, ela se sente mais segura. Por isso, usamos recursos como explicações prévias, adaptação do ambiente e, muitas vezes, um atendimento mais gradual, respeitando o tempo dela”, destaca Tio Dan.
Além disso, o preparo começa antes mesmo da consulta. “Orientamos os pais a introduzirem a rotina de higiene bucal de forma leve, com reforços positivos e constância. Isso ajuda a criança a se familiarizar com o cuidado e reduz a resistência no consultório”, afirma.
Outro ponto importante é a individualização do atendimento. “Não existe um protocolo único. Cada criança dentro do espectro é única, e o atendimento precisa ser personalizado. Às vezes, pequenas mudanças, como reduzir a luz ou o som, já fazem uma grande diferença”, ressalta o odontopediatra.
A falta de acompanhamento odontológico pode aumentar o risco de problemas como cáries e doenças gengivais, especialmente em crianças com seletividade alimentar ou dificuldade na escovação. Por isso, a inclusão na odontologia é uma questão de saúde pública.“
Nosso papel vai além de tratar dentes. É criar um ambiente onde a criança se sinta segura e respeitada. O cuidado com a saúde bucal também precisa ser acessível para todos”, conclui Daniel Campelo.
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