Saúde
Sedentarismo atinge jovens com TEA e acende alerta na saúde pública
O Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril, se conecta de forma significativa com o Dia Mundial da Saúde ao reforçar a importância de um olhar integral, inclusivo e contínuo para o bem-estar da população com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Segundo o Censo Demográfico de 2022 realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e divulgado em maio de 2025, o Brasil tem 14,4 milhões de pessoas com deficiência, sendo 2,4 milhões delas autista.
Mais do que ampliar o conhecimento sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), a data chama atenção para a necessidade de acesso a diagnósticos precoces, acompanhamento multidisciplinar e políticas públicas que garantam qualidade de vida, princípios que estão no centro da promoção da saúde em seu sentido mais amplo.
A Profissional de Educação Física, Jannayna Farias explica que um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis é o sedentarismo. Ela, que é uma das pioneiras em Alagoas em Pesquisa sobre Educação Física para Pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) pontua que há uma tendência significativa de baixa adesão à atividade física entre crianças e adolescentes com TEA, configurando um cenário preocupante de inatividade.
“A compreensão do sedentarismo em indivíduos com TEA exige, inicialmente, o reconhecimento de que se trata de um fenômeno multifatorial. Do ponto de vista clínico e do neurodesenvolvimento, o transtorno é caracterizado por déficits na comunicação social, padrões comportamentais restritos e alterações motoras, que podem interferir diretamente na participação em atividades físicas”.
Contudo, segundo a profissional, somente essas características não são suficientes para explicar, isoladamente, a elevada prevalência de inatividade desta população. Ela pontua que o sedentarismo no TEA deve ser compreendido como um fenômeno complexo, socialmente produzido e articulado a fatores biológicos e funcionais. A inatividade não decorre apenas de limitações individuais, mas da interação entre essas limitações e a ausência de condições adequadas para a prática de atividades físicas.
“O que percebo hoje é que ainda há um desenvolvimento em curso de estratégias de cuidado adaptadas e uma necessidade de ampliação da formação de profissionais para atuar com essa população. A ampliação e democratização da oferta de programas de atividades físicas acessíveis e inclusivos contribui para a superação desse cenário. Nesse contexto, a participação de pessoas com TEA depende da garantia de condições adequadas de acesso, organização e suporte às suas necessidades”, garantiu.
A profissional afirma que, quando a atividade física não é incorporada como componente essencial do cuidado, mas tratada como elemento complementar ou secundário, perde-se uma importante estratégia terapêutica, já que a inatividade está associada ao aumento do risco de doenças crônicas, alterações metabólicas, prejuízos na funcionalidade e maior dependência ao longo do ciclo de vida. Além disso, pode intensificar dificuldades já presentes no TEA, como limitações na interação social e na autonomia.
“O enfrentamento dessa problemática exige uma mudança de paradigma. O foco deve deslocar-se da simples recomendação de prática de exercícios para a construção de condições concretas que possibilitem a participação efetiva dessa população em atividades físicas. Isso implica investir na qualificação de profissionais, na criação de programas inclusivos e na incorporação da atividade física como componente central do cuidado em saúde”, falou Jannayna.
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