Saúde
Atualização da NR-1 reforça prevenção e mapeamento de riscos à saúde mental no trabalho a partir de maio
Gestão de riscos psicossociais passa a ser obrigatória e exige diagnóstico e plano de ação estruturado
A saúde mental no ambiente corporativo passou a ter um papel ainda mais estratégico na gestão de segurança e saúde no trabalho, especialmente devido ao aumento no número de afastamentos por adoecimento mental. Com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), prevista para entrar em vigor em 26 de maio deste ano, empresas brasileiras deverão incluir os riscos psicossociais no processo de gerenciamento de riscos ocupacionais, integrando esses fatores ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
De acordo com o engenheiro de segurança do trabalho, Reylon Feijó, a atualização feita pelo Ministério do Trabalho tem como objetivo que o empregador gerencie os riscos que existem nas atividades com os trabalhadores, fazendo com que não aconteça nem acidentes, nem adoecimentos no ambiente laboral.
“Em síntese, não há nada novo. Quando se fala de riscos psicossociais se traduz em ergonomia, que já era tratado. Logo, a atualização deu uma ênfase para as empresas entenderem que é necessário realizar essa implementação, que já deveria ter sido feita há muito tempo. Com mais de 500 mil afastamentos por ansiedade e depressão, o ministério entendeu que isso era indispensável”, pontua.
A mudança reforça a necessidade de identificar e controlar situações que possam afetar o bem-estar emocional dos trabalhadores, como excesso de carga de trabalho, pressão constante por resultados, conflitos interpessoais, falta de apoio da liderança e assédio moral. A medida amplia o olhar das empresas para além dos riscos físicos e ambientais, incluindo também aspectos relacionados à saúde mental.
“Não é uma implementação difícil, mas é necessária. Porém, antes de buscar soluções padrões, o primeiro passo é identificar esses riscos e criar um plano de ação bem estruturado, saindo da subjetividade. Para isso, o Ministério do Trabalho lançou um guia técnico voltado para os riscos psicossociais para explicar como as empresas devem fazer essa identificação, que pode ser feita por oficina, observação do ambiente de trabalho ou pesquisa padronizada”, explica o engenheiro.
A NR-1 determina que todas as empresas que possuem empregados devem realizar o gerenciamento de riscos ocupacionais, independentemente do porte ou setor de atuação. Isso inclui o mapeamento dos riscos psicossociais presentes no ambiente de trabalho.
O processo começa com a identificação das atividades e setores da organização e a análise de fatores que possam impactar a saúde mental dos trabalhadores. Após essa etapa, é realizada a análise do risco, que avalia a probabilidade de ocorrência dessas situações e o impacto que podem causar na saúde dos colaboradores. Ferramentas como pesquisas de clima organizacional, entrevistas com funcionários, análise de afastamentos e avaliações internas ajudam a compor esse diagnóstico.
“Conversar com os trabalhadores, realizar workshops com profissionais qualificados ou adotar padrões e ferramentas nacionais e internacionais são pontos de partida para essa identificação de riscos. O tipo de recurso escolhido vai depender do tipo de empresa, já que, por exemplo, se for uma pequena não irá utilizar ferramentas complexas, mas se for grande demais, não tem como ser feito por meio de observação”, salienta Reylon Feijó.
Com base nessas informações, a empresa deve elaborar um plano de ação com medidas preventivas e corretivas, que passa a integrar o inventário de riscos ocupacionais e deve ser acompanhado periodicamente. “O PGR, que é a documentação final, terá um prazo de vigência de dois anos. Ou seja, as empresas podem fazer planos de ação para trabalharem durante esse período. E é importante lembrar que antes de colocar soluções em prática, é necessário identificar os problemas, entender a norma e fazer o caminho correto para não ter prejuízo financeiro”, conta o especialista.
Além do diagnóstico, a norma incentiva a implementação de práticas que promovam um ambiente de trabalho mais saudável. Entre as ações que podem ser adotadas pelas empresas estão programas de apoio psicológico ou assistência emocional, capacitação de lideranças para gestão de equipes e prevenção de conflitos e políticas de equilíbrio entre vida pessoal e trabalho.
Reylon Feijó relembra que a prevenção desses riscos é o melhor caminho a ser adotado pelas instituições, especialmente pelo atual mercado de trabalho que tem permitido que o trabalhador opte por ambientes mais saudáveis e confortáveis, com mais ofertas de vagas disponíveis.
“A empresa que não implementar vai ficar para trás no mercado, especialmente com a mão de obra da nova geração. E quando se fala em prevenção é porque, por mais que não consiga se eliminar o risco, que sempre vai existir, vão ser fornecidos meios para que o trabalhador não adoeça por essa situação, ou seja, o diferencial será como a empresa trata o risco. Tudo isso aumenta a produtividade do trabalhador, o que acaba sendo uma via de mão dupla”, ressalta.
Organizações que adotam políticas estruturadas de bem-estar tendem a registrar redução do absenteísmo, menor número de afastamentos por doenças mentais, aumento do engajamento das equipes e melhora no clima organizacional. Além disso, a adequação às novas diretrizes contribui para reduzir passivos trabalhistas e reforçar o compromisso das empresas com boas práticas de governança e responsabilidade social.
“Com a atualização da NR-1, a empresa terá uma ferramenta legal para fazer a identificação dos riscos psicossociais onde tudo ficará documentado. Assim, ela consegue garantir que aquele risco não existe no ambiente de trabalho, o que dará mais segurança jurídica para os empregadores, minimizando riscos e afastamentos”, finaliza o engenheiro de segurança do trabalho.
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