Saúde
Jovens de 20 a 34 anos representam a maioria dos casos de Aids em Alagoas
De acordo com infectologista Fernando Maia, quase todos os dias há nova ocorrência sendo detectada
O mês de dezembro começa com o alerta pelo Dia Mundial de Combate a Aids celebrado neste dia 1°. Tendo como símbolo pela luta a cor vermelha, o mês de “Dezembro Vermelho” marca a conscientização sobre a prevenção do HIV/Aids e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).
Em Alagoas e na capital, os números sobre a doença preocupam as autoridades na área da saúde.
Conforme os números fornecidos pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), o estado registrou, de janeiro deste ano até o momento 300 casos de Aids. A maior parte dos casos 115, acometeram pessoas na faixa etária de 20 a 34 anos. Durante todo o ano de 2024, foram 364 casos de Aids. A maior parte dos casos 144 foi registrada em pessoas entre 39 e 45 anos.
Os dados são do Sistema de Informação sobre Agravos de Notificação do Ministério da Saúde (Sinan/MS) e do Sistema de Informação sobre Mortalidade do Ministério da Saúde (SIM/MS).
A Secretaria Municipal de Saúde de Maceió contabilizou 96 casos de Aids do início deste ano até o momento. No ano passado foram 198 pessoas contaminadas e em 2023, pessoas.
Desde o início do ano até o momento foram registradas 219 pessoas contaminadas com o vírus HIV. No ano passado, 440 e em 2023, 389 pessoas.
A campanha mundial busca informar sobre a prevenção, diagnóstico, tratamento e os direitos das pessoas soropositivas, combatendo o estigma e a discriminação. A cor vermelha remete ao laço que simboliza a luta contra a doença.
O mês de dezembro chama a atenção da sociedade para a epidemia de HIV e Aids que continua a ser um dos maiores desafios de saúde pública no mundo. Desde sua descoberta nos anos 1980, milhões de pessoas foram infectadas e muitas perderam suas vidas.
Conforme o médico infectologista Fernando Maia, quase todos os dias há um novo caso sendo detectado no atendimento médico. A infecção viral está presente em todas as faixas etárias sexualmente ativas, com predominância entre pessoas de 20 anos a 49 anos. No entanto, há, também, pessoas com menos de 15 anos e idosos contaminados e convivendo com o vírus que pode causar a Aids.
“Atualmente, existem muitas ferramentas que prolongam a vida sexual. Medicamentos, próteses, reposição hormonal, o que acaba estendendo a vida sexual por um período maior do que o habitual. E muitas dessas pessoas acabam se expondo ao risco e acabam se infectando, infelizmente”, pontuou o infectologista.
Segundo Fernando Maia, apesar do amplo acesso à informação sobre os meios de prevenção, as pessoas se arriscam muito ao variar, de forma frequente, de parceiros, sobretudo sem o uso de preservativos.
“Reduzir a quantidade de parceiros sexuais e usar sempre preservativos são os cuidados básicos que cada pessoa pode ter a fim de proteger a si mesma”, esclareceu Fernando Maia.
O médico infectologista orientou também quem, em caso de ter tido uma relação sexual com um parceiro sem o devido conhecimento do seu histórico de relacionamentos, fazer o teste rápido para detectar a presença do vírus é a atitude mais correta.
“O tratamento está bastante avançado e o sucesso deste depende, entre outros aspectos, da precocidade do diagnóstico. Praticamente, toda unidade de saúde realiza o teste rápido. Em meia hora é possível saber se o vírus HIV está presente no organismo. Caso haja confirmação do diagnóstico, é iniciado o atendimento e o tratamento, lembrando que ainda não há cura”, detalhou.
O médico explicou que embora HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) e AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) sejam ainda frequentemente confundidos como sinônimos, há uma distinção crucial entre eles. A Aids é a última etapa da infecção pelo vírus HIV.
“Quando a pessoa é contaminada pelo vírus HIV passa a ser soropositiva. Porém, muitos soropositivos podem viver anos com o vírus sem desenvolver a Aids e sem apresentar os sintomas da doença. No entanto, mesmo sem desenvolver a doença, quem tem o vírus HIV pode transmiti-lo para outras pessoas”, detalhou.
Os pacientes soropositivos, que têm ou não Aids, podem transmitir o vírus a outras pessoas pelas relações sexuais desprotegidas, pelo compartilhamento de seringas contaminadas ou de mãe para filho durante a gravidez e a amamentação, quando não tomam as devidas medidas de prevenção. Por isso, é sempre importante fazer o teste e se proteger em todas as situações.
Fernando Maia esclareceu que todas as pessoas diagnosticadas com HIV têm direito a iniciar o tratamento com os medicamentos antirretrovirais, imediatamente, e, assim, poupar o seu sistema imunológico. Esses medicamentos (coquetel) impedem que o vírus se replique dentro das células T CD4+ e evitam, assim, que a imunidade caia e que a Aids apareça.
Segundo ele, as Infecções Sexualmente Transmissíveis são causadas por vírus, bactérias ou outros microrganismos. São transmitidas, principalmente, por meio do contato sexual (oral, vaginal, anal) sem o uso de preservativo masculino ou feminino, com uma pessoa que esteja infectada.
De maneira menos comum, as IST também podem ser transmitidas por meio não sexual, pelo contato de mucosas ou pele não íntegra com secreções corporais contaminadas.
O médico infectologista explicou ainda que a transmissão de uma IST pode acontecer, ainda, da mãe para a criança durante a gestação, o parto ou a amamentação. “O tratamento das pessoas com IST melhora a qualidade de vida e interrompe a cadeia de transmissão dessas infecções. O atendimento e o tratamento das IST e do HIV/Aids são gratuitos nos serviços de saúde do SUS”, alertou.

O termo Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), acrescentou ele, passou a ser adotado em substituição à expressão Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), porque destaca a possibilidade de uma pessoa ter e transmitir uma infecção, mesmo sem sinais e sintomas.
“O uso do preservativo (masculino ou feminino) em todas as relações sexuais (orais, anais e vaginais) é o método mais eficaz para evitar a transmissão das IST, do HIV/Aids e das hepatites virais B e C”, garantiu.
Aids e Brasil
Neste ano, o Brasil celebra 40 anos da resposta à aids com exposição que honra histórias, lutas e conquistas. O Ministério da Saúde abre ao público, em Brasília, a exposição “40 anos da história da resposta brasileira à Aids”.
Mais do que revisitar o passado, a iniciativa convida cada visitante a reencontrar memórias, reconhecer avanços e refletir sobre os desafios que ainda existem. A exposição ficará aberta à visitação do dia 02 de dezembro até o dia 30 de janeiro de 2026.
Instalada no Sesilab, museu interativo de ciência, arte e tecnologia, a mostra reúne relatos de vida, documentos, imagens, obras de arte, campanhas marcantes e recursos digitais que ajudam a contar como o Brasil enfrentou a epidemia desde 1985 – ano em que a resposta oficial foi instituída pela Portaria nº 236.
Dividida em quatro eixos temáticos – História: O tempo não para; Avanços tecnológicos: Museu de grandes novidades; Conquistas: Eu quero uma pra viver; e Cinema e debate: A velha bandeira da vida – a exposição cria uma experiência sensorial e afetiva que conecta passado, presente e futuro.
A curadoria do evento reúne representantes de redes e movimentos nacionais de pessoas vivendo com HIV e aids, além de pesquisadores, técnicos, organismos internacionais e parceiros do Ministério da Saúde.
A programação alusiva ao Dezembro Vermelho 2025 também trará debates, apresentações artísticas, rodas de conversa e oficinas. Durante 12 dias, especialistas, profissionais e gestores de saúde, comunicadores, artistas, influenciadores digitais, escritores e representantes da sociedade civil vão dialogar sobre temas que moldaram – e ainda moldam – a resposta ao HIV e à aids no país: prevenção combinada, diagnóstico, transmissão vertical, determinantes sociais, arte, comunicação, direitos e enfrentamento ao estigma.
Muitas dessas atividades são abertas ao público, com vagas limitadas. As inscrições podem ser feitas no site da exposição. É um convite para que cada pessoa possa revisitar essa trajetória de coragem e cuidado, reconhecer as histórias que nos trouxeram até aqui e renovar compromissos para o futuro. O Brasil segue determinado a eliminar a aids como problema de saúde pública até 2030.
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