Saúde
Dia Nacional de Combate ao Fumo: queda no número de fumantes no Brasil revela avanços e novos desafios
Dados do Vigitel Brasil 2006-2023 mostram redução significativa do tabagismo, mas alertam para estabilidade no uso de cigarros eletrônicos

O Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto, traz uma boa notícia: o número de fumantes no Brasil está em queda. Segundo a Vigilância de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (Vigitel) 2006-2023, do Ministério da Saúde (MS), o percentual nacional de adultos fumantes caiu de 15,7% em 2006 para 9,3% em 2023. Isso representa uma redução de aproximadamente 19,9 milhões para cerca de 18,3 milhões de fumantes.
Mas o desafio continua, já que o levantamento também acende um sinal de alerta em relação ao uso de cigarros eletrônicos. Desde que a pesquisa começou a monitorar o indicador, em 2019, o consumo permanece estável, com média de 2,2% da população com 18 anos ou mais fazendo uso do dispositivo. Ou seja, o Brasil tem mais de 4 milhões de adultos relatando uso diário ou ocasional do cigarro eletrônico.
Segundo o psicólogo Rafael Melo, especialista em dependência química, o cigarro contém nicotina, uma substância que age diretamente no cérebro, gerando prazer imediato e criando um ciclo de compulsão. “Do ponto de vista da psicologia e da psiquiatria, isso é classificado como dependência química, pois envolve alterações neurobiológicas que mantêm a pessoa presa ao hábito de fumar, mesmo quando já percebe os prejuízos”, esclarece Rafael.

O psicólogo afirma, ainda, que a dependência de nicotina é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma doença crônica, com características físicas e psicológicas. “Não se trata apenas de ‘falta de força de vontade’, mas sim um transtorno que precisa de tratamento adequado, assim como qualquer outra condição de saúde”, explica.
“O lado bom é que existe saída e com boas chances de sucesso”, garante o especialista. “Hoje sabemos que o tratamento pode incluir acompanhamento psicológico, com estratégias para lidar com os gatilhos e reduzir a fissura; medicamentos, quando necessários, para auxiliar no controle da abstinência; e mudança de hábitos, fortalecendo o autocuidado e prevenindo recaídas”, continua.
O tabagismo afeta diretamente a saúde mental
Rafael Melo afirma que muitos fumantes relatam ansiedade, irritabilidade e alterações de humor quando ficam sem fumar. Além disso, o uso contínuo pode reforçar um ciclo de dependência emocional: a pessoa acredita que só consegue relaxar ou lidar com o estresse se estiver com o cigarro. Segundo ele, esse padrão pode agravar quadros de ansiedade e depressão, além de prejudicar a autoestima, já que o fumante se sente “preso” ao vício.
Mas esse problema não se restringe ao fumante: os familiares também sofrem com o vício. “Além da preocupação constante com a saúde do fumante e do medo das consequências que o cigarro pode trazer, eles ficam expostos ao fumo passivo, que também faz mal. Esse convívio pode gerar desgaste emocional, sentimentos de impotência e até conflitos no dia-a-dia”, conclui o psicólogo Rafael Melo.
Em Maceió, queda também é expressiva
De acordo com o Vigitel Brasil, a capital alagoana acompanha a tendência nacional de redução no tabagismo. O percentual de adultos fumantes caiu de 13,9% em 2006 para 8% em 2023, com oscilações ao longo dos anos, mas mantendo trajetória de queda.
Já em relação ao uso de cigarro eletrônico, os dados mostram índices relativamente baixos em Maceió. O indicador, medido a partir de 2019, variou entre 1,2% e 0,8% nos últimos cinco anos, sem crescimento consistente no período.
A redução foi observada, nos últimos 17 anos, em todas as faixas etárias e níveis de escolaridade, refletindo avanços importantes na capital alagoana, mesmo diante do aumento da população adulta.
Tabagismo é fator de risco para diversos tipos de câncer
A Organização Mundial da Saúde (OMS) esclarece que o tabagismo é reconhecido como fator de risco para diversos tipos de câncer, entre eles: bexiga, pâncreas, fígado, colo do útero, esôfago, rim, laringe, boca, faringe, estômago, cólon e reto, traqueia, brônquios e pulmão, além da leucemia mieloide aguda.
Não se restringindo ao câncer, o fumo está associado a doenças crônicas não transmissíveis e também a enfermidades como tuberculose, infecções respiratórias, úlceras gastrointestinais, impotência, infertilidade, osteoporose, catarata, entre outras.
A OMS estima que o tabaco seja responsável por mais de 8 milhões de mortes anuais. Destas, mais de 7 milhões decorrem do consumo direto, enquanto cerca de 1,2 milhão atingem não fumantes expostos ao fumo passivo.
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