Saúde

13 de janeiro de 2022 09:40

Diagnósticos de câncer de próstata, pênis e testículo têm queda preocupante

O número de diagnósticos de câncer de próstata caiu 56% no país. Câncer de pênis, 31%, e de testículo, 38%.

↑ Imagem ilustrativa

O volume de diagnósticos dos cânceres exclusivamente masculinos – próstata, pênis e testículo – diminuiu significativamente no Brasil no ano passado. A queda foi verificada nos primeiros nove meses de 2021 comparados ao mesmo período de 2019 – ou seja, antes e durante a pandemia da Covid-19. Em relação ao câncer de próstata, os diagnósticos caíram 56% (de 31.398 casos, em 2019, para 13.850, em 2021). Em relação ao câncer de pênis, 31% (de 786 para 540), e  câncer de testículo, 38% (de 1.407 para 865). Os dados foram compilados do Painel Oncologia Brasil/Datasus.

É uma situação preocupante na opinião  do cirurgião oncológico Gustavo Guimarães, diretor do Instituto de Urologia, Oncologia e Cirurgia Robótica (IUCR) e coordenador geral dos Departamentos Cirúrgicos Oncológicos do grupo BP-A Beneficência Portuguesa de São Paulo. “Tradicionalmente, os homens já cuidam menos da saúde comparado às mulheres e com a pandemia isso se agravou mais ainda”, avalia.

Números da Região Nordeste

Na Região Nordeste, o cenário em relação a esses diagnósticos, de acordo com a mesma base de dados, revela o seguinte:

 

Diagnóstico de câncer de próstata *

Estado Jan a set 2019 Jan a set 2020 Jan a set 2021 % de queda (2019 x 2021)
Alagoas 268 151 134 50,0
Bahia 2.818 1.587 1.034 63,3
Ceará 1.275 750 441 65,0
Maranhão 675 432 322 52,2
Paraíba 545 367 249 45,6
Pernambuco 1.164 722 737 36,6
Piauí 393 208 160 59,2
Rio Grande do Norte 473 349 240 49,2
Sergipe 252 212 130 48,4

*Painel Oncologia Brasil/Datasus – Casos segundo UF da residência

  

Diagnóstico de câncer de testículo*

Estado Jan a set 2019 Jan a set 2020 Jan a set 2021 % de queda (2019 x 2021)
Alagoas 17 9 11 35,2
Bahia 26 38 18 30,7
Ceará 43 22 9 79,0
Maranhão 16 15 8 50,0
Paraíba 14 10 8 42,8
Pernambuco 36 23 23 36,1
Piauí 10 10 11 Não houve queda
Rio Grande do Norte 8 13 8 Não houve queda
Sergipe 8 5 2 75,0

*Painel Oncologia Brasil/Datasus – Casos segundo UF da residência

 

Diagnóstico de câncer de pênis*

Estado Jan a set 2019 Jan a set 2020 Jan a set 2021 % de queda (2019 x 2021)
Alagoas 15 13 9 40
Bahia 70 59 43 38,5
Ceará 44 32 14 68,1
Maranhão 31 35 17 45,1
Paraíba 24 19 10 58,3
Pernambuco 29 39 23 20,6
Piauí 13 14 17 Não houve queda
Rio Grande do Norte 14 20 13 7,1
Sergipe 12 9 6 50,0

*Painel Oncologia Brasil/Datasus – Casos segundo UF da residência

 

Impacto da pandemia

 Segundo Guimarães, no início da pandemia de uma doença pouco conhecida, as pessoas tiveram medo de ir a serviços de saúde para fazer os exames de rotina devido o risco de contaminação da Covid-19. Depois, após melhora dos indicadores de infecção e de morte pelo novo coronavírus e avanço da vacinação, os pacientes,  aqueles com doenças crônicas e pacientes ocasionais, começaram a procurar novamente os serviços de saúde. “O cenário gerou uma sobrecarga e para dar conta da demanda dos pacientes que estão retornando ao tratamento, os serviços de saúde precisaram diminuir a oferta de consultas de primeira vez. Isso teve efeito direto no número de diagnósticos não só em câncer, mas em outras patologias”, avalia Guimarães.

O valor do diagnóstico precoce

 No caso das doenças oncológicas, o impacto é grande e muito grave porque diagnósticos mais tardios de tumores estão relacionados a pior prognóstico, a tratamentos mais agressivos e caros e com pior resultado. “Além dos custos diretos dos tratamentos, temos o custo irreparável de vidas humanas perdidas. Também é preciso lembrar que tratamentos mais complexos e longos significam para pessoas ativas profissionalmente, maior prejuízo em dias de trabalho. Um câncer em fase mais adiantada, mesmo quando o resultado do tratamento é satisfatório, pode levar a maior prejuízo da qualidade de vida do paciente e de sua família em função de sequelas”, afirma.

Os tumores de pênis, por exemplo, quando restritos ao órgão, a cura pode ser atingida em mais de 70% dos casos. Porém, quando compromete linfonodos inguinais, a sobrevida é menor que 50% em cinco anos. Se acomete linfonodos pélvicos, a sobrevida não chega a 20%. “Em geral, metade dos diagnósticos desse tipo de tumor são feitos depois de um ano do início da doença. O atraso maior ainda provocado pelo cenário da pandemia, pode custar ao paciente a necessidade de mutilação cirúrgica (amputação do órgão)”, explica o especialista.

O câncer de testículo tem maior prevalência no mundo entre os homens de 15 a 34 anos, superando a leucemia, que é o câncer pediátrico mais comum. Um fator que dificulta o diagnóstico precoce no Brasil é o fato de ser muito comum o homem associar qualquer alteração no testículo com alguma doença venérea ou trauma recente. “A maioria tem medo de falar sobre o assunto, principalmente com as esposas”, afirma Guimarães. Embora o câncer de testículo tenha baixa mortalidade, o sucesso do tratamento é maior quando a doença é descoberta precocemente.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, apesar dos avanços terapêuticos em relação ao câncer de próstata, cerca de 25% dos pacientes ainda morrem devido à doença. No Brasil, por mais que o câncer de próstata seja, biologicamente, uma doença com perfil indolente (de crescimento lento),  cerca de 20% dos casos são diagnosticados em fase avançada. A desigualdade de acesso aos serviços de saúde é um dos fatores que levou ao aumento da mortalidade por câncer de próstata no país nas últimas três décadas.

Guimarães alerta que é fundamental realizar o exame de sangue que avalia a proteína produzida pelo tecido prostático (PSA) e o exame de toque retal, que propiciam descobrir a doença em fase mais inicial, reduzindo assim a mortalidade. A confirmação diagnóstica se dá por biópsia. “Muito se fala que há excesso de diagnóstico e que muitos tumores, de tão indolentes, poderiam não ser tratados. Em alguns casos, isso até pode ocorrer, mas em um país com desigualdade de acesso aos programas de rastreamento, como é o caso do Brasil, devemos sim incentivar a população a fazer os exames”, destaca  Guimarães.

Não negligencie seu tratamento

Com o avanço da vacinação,  aliado ao conhecimento adquirido sobre as medidas de prevenção em relação à Covid-19, não há razão para negligenciar o tratamento de outras doenças, deixar de ir ao médico para exames de rotina ou investigação de qualquer novo sintoma. “O diagnóstico precoce de doenças oncológicas, como os cânceres de próstata, pênis e testículo, é o principal passo para aumentar as chances de cura”, conclui.

 

Fonte: Assessoria

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