Saúde

30 de julho de 2021 10:19

Duas pessoas passam mal depois de comer peixe em Marechal Deodoro

Elas apresentaram sintomas característicos da Síndrome de Half; 32Kg de peixes foram apreendidos nos restaurantes do Povoado Massagueira

↑ Foto: Edilson Omena

Após dois pacientes darem entrada e ficar internados em um hospital particular de Maceió, com sintomas característicos de Síndrome de Half, popularmente conhecida como doença da ‘urina preta’ após comerem um peixe dourado em Massagueira, povoado de Marechal Deodoro, a Vigilância Sanitária da cidade apreendeu 32 quilos de peixes em restaurantes do povoado e encaminhou o produtor para análise no Laboratório Central de Saúde Público de Alagoas (Lacen/AL) em parceria com um laboratório especializado.

Os pacientes que estão internados no hospital que fica localizado na Gruta de Lurdes,  informaram que começaram sentir os sintomas após comerem peixe dourado em um restaurante.

De acordo com relatos de familiares dos pacientes, eles apresentaram dores musculares, no pescoço, dificuldade para ficar em pé e perceberam a coloração escura da urina.

A gerência do Lacen/AL confirma que recebeu as amostras do pescado e disse que já está em processo de análise. O laboratório explica que não há um prazo determinado para conclusão, uma vez que o processo requer minucioso estudo para comprovar ou descartar a presença da toxina proveniente de algas marinhas no pescado analisado.

Foto: Divulgação

Segundo, o infectologista Fernando Maia, explica o que é a síndrome e esclarece o que deve ser feito para que a população tenha cuidado ao consumir os alimentos.

“Não precisa entrar em pânico. Essa doença é causada pelo consumo de peixes ou outros frutos do mar que estão contaminados com uma alga, que ocorre no mar nesta época do ano. Houve aquele caso em Recife no início do ano e agora tem essas duas suspeitas aqui. Essa doença é causada por essa toxina que o peixe consome algas e elas se reproduzem mais em certas épocas do ano e aí o peixe se contamina, e quem consumir essa carne do peixe contaminada, desenvolve a doença, que pode ser de forma leve ou um pouco mais severa, depende do caso”, explica.

Ele afirma que a doença causa alteração muscular e dores, porque a toxina atua nos músculos.

“Ela causa uma inflamação muscular, que solta uma substância no sangue chamada mioglobina. Essa mioglobina ao tentar ser eliminada pelos rins causa lesão renal. O paciente geralmente cursa com dor no corpo e a urina fica logo muito escura, se deixar evoluir, a urina começa a ficar com a quantidade diminuída por causa da lesão renal. Então, se você consumiu peixe nas últimas horas ou últimos dias, começou a ter dor muscular e a urina começou a ficar muito escura, é importantíssimo procurar o serviço de urgência o mais rápido possível para que se possa fazer o diagnóstico correto e iniciar o tratamento correto também”, pontua Fernando Maia.

O especialista ressalta que mesmo o produto esteja limpo, preparado e bem cozido não impede que esteja com a toxina. “O alimento não sofre nenhuma alteração nem na cor e nem no gosto, não dá para saber olhando para o alimento se ele está contaminado ou não’’.

Maia orienta que a população consuma peixe pescado na beira do litoral, o ideal nesta fase é apenas que se consuma peixe pescado em alto mar para evitar contaminação.

CASOS

Em março  deste  ano, a médica veterinária Pryscila Andrade, morreu em um hospital de Recife, aos 31 anos de idade após dias de internação depois de comer o peixe arabaiana. Flávia Andrade, irmã da médica veterinária também adoeceu, mas recebeu alta ainda no mês de fevereiro. Pryscila se formou em Medicina Veterinária no Centro Universitário Cesmac em Maceió.

Em julho deste ano, uma jovbem de 22 anos também morreu em Goianésia, Góias devido a doença.

DOENÇA DE HALF

A Síndrome de Haff é uma doença de contaminação por bactéria, em geral transmitida através do consumo de uma toxina da carne de peixe. Ela é caracterizada pela destruição das proteínas musculares, provocando sintomas como a perda da força física, dor muscular, febre e urina escura.

Fonte: Da redação com agências

Comentários

MAIS NO TH