Saúde

18 de fevereiro de 2021 09:22

Observatório da Ufal aponta piora no cenário da pandemia

Aglomerações registradas durante o Carnaval e crescimento cumulativo da demanda por leitos em todo estado preocupam

↑ Relatório aponta evidências na piora do cenário e que aglomeração do Carnaval (foto) deve agravar mais a situação (Foto: Edilson Omena)

O aumento na ocupação hospitalar, principalmente em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no estado, e as aglomerações durante o Carnaval devem pressionar o volume de casos de Covid-19 nas próximas semanas. A avaliação é do Observatório para Politicas de Enfrentamento à Covid-19 da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).

“O elevado número de casos suspeitos, a proporção de resultados positivos entre os exames realizados e a demanda crescente de leitos hospitalares são evidências da piora do cenário epidemiológico da Covid-19 no estado. Esse cenário, somado à retomada das aulas presenciais sem critérios e planejamento adequados, além do descumprimento das medidas de controle, potencializado pelas aglomerações registradas ao longo do feriado de Carnaval, podem agravar ainda mais a situação nas próximas semanas, fazendo com que as curvas de casos e óbitos continuem a subir”, destacam os pesquisadores da Ufal.

Os dados da 6ª semana epidemiológica de 2021 indicam a continuidade no descontrole da pandemia com a taxa de transmissão ainda acima de 1. A preocupação é reforçada ainda pelo alto número de casos da doença sob investigação. “Os reflexos das aglomerações do Carnaval só irão impactar as estatísticas das próximas semanas”, pontua Gabriel Badue, pesquisador do Observatório.

“Desde a última redução [de internações] realizada em dezembro, tivemos um aumento de 95 leitos nos últimos dois meses que não foram suficientes para conter à expansão na taxa de ocupação, que saltou de 37% para 63%”, aponta o relatório.

Gabriel Badue avalia que estatisticamente o cenário demonstra estabilidade, mas há outras variáveis que caracterizam o cenário de descontrole da doença em Alagoas e a necessidade de enrijecimento das medidas sanitárias de prevenção.

“Em relação as incidências de casos e óbitos é praticamente igual [em relação à semana anterior. O que piorou foi a ocupação hospitalar, particularmente os leitos de UTI. Mesmo com o aumento de 15 leitos na última semana, a ocupação continua subindo, tendo registrado 63% de ocupação dos leitos de UTI em todo o estado. A situação é mais grave no interior onde a ocupação dos leitos de UTI ultrapassou os 70%”, diz o especialista reforçando a necessidade de intensificação nas medidas sanitárias.

DADOS

Segundo o relatório, Maceió representa 54% dos casos de Covid-19 no estado, mas a doença tem avançado sobretudo no interior do estado, o que se demonstra pelo número de óbitos.

“As incidências de casos e óbitos na 6ª SE foram praticamente iguais as registradas na Semana epidemiológica (SE) anterior. Geograficamente, Maceió continuou registrando a maioria dos casos, 54%. No entanto, o número de óbitos registrado nos demais municípios alagoanos superaram ao observado na capital, onde foram registradas 46% dos óbitos notificados no período analisado. Neste cenário, com 169 para cada 100 mil habitantes, Maceió continuou apresentando na 6ª SE a maior incidência de casos entre as regiões analisadas, seguida por Arapiraca e o Alto Sertão Alagoano que registraram 109 e 76 casos para cada 100 mil habitantes. A situação é ainda mais preocupante no interior, que mesmo com o aumento de 15 leitos de UTI na última semana, registrou no último dia 15, ocupação de 76% dos leitos de UTI. Portanto, superior a margem de segurança recomendada por especialistas, que é de 70%”, diz o relatório.

O pesquisador defende a intensificação das medidas sanitárias como estratégia de prevenção. Só a continuidade nas ações de prevenção pode evitar um colapso na rede hospitalar. Badue também não descarta a necessidade de endurecimento nas fases de distanciamento.

Fonte: Tribuna Independente

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