Saúde

25 de novembro de 2020 12:52

Alagoas está fora das estatísticas de intoxicação por álcool gel 

Anvisa apontou aumento de casos, principalmente entre as crianças durante a pandemia

↑ Imagem ilustrativa (Foto: Edilson Omena)

O uso do álcool gel, na concentração de 70%, para higienização das mãos vem sendo recomendado para a população em geral, como uma prática importante para evitar doenças infectocontagiosas, como é o caso da Covid-19, causada pelo vírus Sars-CoV-2.  Mas o risco de intoxicação aumentou desde a flexibilização e venda do produto no Brasil, principalmente entre o público infantil. É o que aponta a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Em Alagoas, a Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) informou que não houve registro de intoxicação por álcool gel em adultos e crianças nas duas unidades de urgência e emergência estaduais (HGE e HEA) de janeiro a agosto deste ano. O órgão ressaltou que ocorreu atendimento a 17 crianças, mas que sofreram queimaduras por diversos outros motivos.

De acordo com dados estatísticos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), foram registrados um total de 108 casos entre adultos e crianças quanto à exposição tóxica por álcool gel entre janeiro a abril deste ano no país, 88 deles envolvendo crianças, quase a totalidade das ocorrências, ou seja, o equivalente a 81,48%, relacionadas a intoxicação no público infantil. Se comparado com os anos anteriores, entre janeiro a abril de 2018 e 2019 foram apenas 15 e 17 casos, respectivamente, entre adultos e crianças quanto à exposição tóxica por álcool gel. O órgão não dispõe de dados por estado.

De acordo com a Anvisa, o ambiente doméstico é o principal local em que ocorrem as intoxicações no público infantil e em função de situações consideradas facilitadoras, como comportamento característico peculiar a infância e a não adoção de medidas preventivas pelos adultos responsáveis pela segurança da criança.

Os riscos do uso incorreto do álcool

Embora não se tenha registro de intoxicação por álcool gel em crianças de Alagoas, o pediatra, Helder Costa, destacou que o contato deve ser mínimo e sempre supervisionado, por ser uma substância química. “O álcool, independentemente de sua forma, causa queimaduras nas córneas quando em contato com os olhos. Os pais devem sempre priorizar a lavagem de mãos com água e sabão”.

O especialista alerta para os cuidados já que ao entrar em contato com os olhos, o álcool pode causar queimaduras, úlceras e até cegueira. “Devido à nocividade da substância, o álcool deve ser manuseado apenas com a supervisão dos pais ou de adultos presentes no ambiente”.

O médico lembrou que de acordo com a exposição e o tempo de socorro os danos gerados pelo álcool em contato com os olhos da criança podem ser irreversíveis, vindo a causar cegueira. “Dependendo do nível de dano, muitas vezes há necessidade de tratamento clínico prolongado, ou até de uma cirurgia, como o transplante de córnea”, frisou.

Helder Costa observou também que é importante dar preferência e reforçar sempre o hábito de lavar as mãos com água e sabão, utilizando o álcool em gel somente como uma medida preventiva quando não se tem acesso a água e sabão. “Os olhos devem ser lavados com água em abundância e a criança deve ser levada imediatamente para Emergência. É sempre necessária a orientação e direcionamento para que as crianças adquiram o hábito de lavar as mãos e tomar cuidados quando entrarem em contato com álcool em gel”, finalizou.

HIGIENIZAÇÃO E PREVENÇÃO

A médica Morghana Ferreira, clínica-geral também reforçou que é sempre bom lembrar que o álcool é uma substância química e que deve ser tratada com cuidado, em especial quando exposta às crianças.  “Isso mostra o quão importante é nos atentarmos às crianças durante a aplicação, principalmente ao contato das mãozinhas dos pequenos com os olhos”.

De acordo com ela, o álcool é uma substância química que deve ser tratada com cuidado, em especial quando exposta às crianças. “A dica é integrar ao cotidiano o hábito de lavar as mãos, já que o álcool em gel, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), deve ser usado como uma medida preventiva quando não se tem acesso à água e sabão. Para as crianças é muito mais indicado do que o produto químico, reduzindo os riscos de acidentes”, explanou.

Morghana Ferreira  frisou que a gravidade das queimaduras varia de acordo com o grau de exposição, mas pode sim, em casos mais sérios, causar cegueira. Além disso, este tipo de lesão ocular é grave e deixa sequelas. “Muitas vezes há necessidade de tratamento clínico prolongado, ou até de uma cirurgia, como o transplante de córnea”.

Para a médica, prevenção ainda é o melhor remédio no dia a dia. Ela lembrou que o uso do álcool em gel em crianças é sempre importante se ter um responsável e estar de olho, além de se atentar para que as mãos não sejam levadas ao rosto até que o produto esteja seco.

Em um acidente com o álcool em gel, a médica recomendou que de imediato, os olhos devem ser banhados com água em abundância e a criança deve ser levada imediatamente ao pronto atendimento para o tratamento das lesões provocadas.

Fonte: Tribuna Hoje / Ana Paula Omena

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