Saúde

29 de outubro de 2020 08:28

Só 42% das crianças foram vacinadas contra a poliomielite em Alagoas

Em Maceió, percentual não passa de 19%

↑ Segundo a Sesau, estimativa era atingir 215 mil crianças em Alagoas, mas até terça-feira apenas 91.422 doses foram aplicadas no estado (Foto: Secom/Maceió)

A campanha de vacinação contra a poliomielite que termina nesta sexta-feira (30) atingiu 42% do público alvo em todo o estado. Nas cidades de Novo Lino e São Sebastião nenhuma criança havia sido vacinada até terça-feira (27). Já na capital, Maceió, apenas 19% das crianças de 0 até menores de 5 anos foram imunizadas.

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), a estimativa do Ministério da Saúde era atingir 215 mil crianças em Alagoas, no entanto, até agora 91.422 doses foram aplicadas. Em Maceió, 57 mil crianças deveriam ser imunizadas, entretanto apenas 11 mil crianças receberam a vacina.

A baixa cobertura vacinal é reflexo sobretudo da pandemia do novo coronavírus. Outras campanhas já finalizadas ou ainda em curso a exemplo do sarampo também tiveram uma baixa adesão da população.

A enfermeira do Programa Nacional de Imunização em Alagoas, Emily Silva, salienta a preocupação dos órgãos de saúde com a baixíssima cobertura vacinal, principalmente em se tratando de doenças já erradicadas no país, a exemplo da pólio.

“Desde o início da pandemia a gente vem realizando algumas campanhas de vacinação, a gente teve a Influenza que teve baixa cobertura. Acreditamos que a questão da pandemia esteja pesando negativamente. Depois tivemos a de sarampo para adultos que ainda está em curso e também não teve uma boa adesão. Com a vacinação de pólio não foi diferente. Sabemos que a pandemia é uma problemática que as pessoas vão ter que aprender a conviver, mas os profissionais estão treinados para atender com o máximo de cuidados, higienização, muitas unidades trabalham em sistema de agendamento, na maioria dos casos no interior do estado. Em Maceió também houve a adoção de medidas para favorecer o público a procurar e mesmo assim ainda há essa baixa procura”, enfatiza.

A orientação é para que os pais ou responsáveis procurem as unidades de saúde mais próximas junto com o Cartão de Vacina da criança para imunizar e aproveitar para colocar em dia vacinas, caso estejam atrasadas.

“A gente enfatiza que a vacina está disponível mesmo fora da campanha, as unidades estão abastecidas. A gente não tem a circulação do vírus da poliomielite no Brasil, mas não é por causa disso porque não está circulando que a gente pode deixar voltar. A gente reforça a importância dos pais levarem as crianças aos postos de saúde”.

Pediatra alerta sobre importância da imunização

 

De acordo com o pediatra e presidente da Sociedade Alagoana de Pediatria João Lourival Junior a baixa cobertura vacinal é um risco não só para a saúde das crianças, mas afeta toda a população a médio e longo prazo.

“O objetivo das campanhas de vacinação é criar uma barreira para que as doenças até então erradicadas ou controladas não apareçam. Quando a população em massa resolve não vacinar a gente está ao longo dos anos perdendo essa proteção, porque quando você se vacina, está protegendo a si próprio e termina protegendo o ambiente em que vive, forma uma rede de proteção”, afirma.

Na avaliação da enfermeira Emily Silva a crescente e sem fundamentação onda antivacina tem prejudicado o alcance das vacinas na população.

“Além da pandemia há um movimento muito forte de antivacina que tem influenciado. O programa Nacional de Vacinação é uma referência mundial e ultimamente estamos trabalhando com essas barreiras, de movimentos antivacinas que vão contra todo um trabalho importante que vem sendo feito e isso repercute bastante nas coberturas de campanha e na vacinação em geral, a gente vem percebendo que tem sido difícil atingir as metas preconizadas pelo Ministério da Saúde”, destaca.

Fonte: Tribuna Independente / Evellyn Pimentel

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