Saúde

27 de outubro de 2020 08:36

Sedentarismo e comportamento sedentário em tempos de Covid

Professor de educação física diz que número de pessoas inativas aumentou e destaca cuidados necessários

↑ Matheus Silva (Foto: Arthur Melo)

Com a pandemia do novo coronavírus (Covid-19) e o isolamento social recomendado pelos órgãos de saúde, a rotina de muita gente mudou. Estudos nacionais e internacionais apontam que com mais tempo em casa, na frente da TV, deitado ou mesmo em home office, o sedentarismo e comportamento sedentário cresceu.

Ao TH Entrevista, o profissional de educação física, Matheus Silva, especialista em treinamento para grupos especiais e especialista em fisiologia do exercício disse que a população passa cada vez mais tempo em atividades sedentárias (-9,6h/dia assistindo TV, deitado ou sentado). “Nos últimos anos um grande número de estudos vem verificando que o comportamento sedentário seria um fator de risco isolado para a saúde, aumentando o risco de mortalidade e de desenvolver doenças crônicas’’.

Ainda de acordo com o especialista, na América Latina, o Brasil é o país com o maior índice de sedentarismo – 47% da população não praticam atividade física suficiente para se manter saudável. O especialista diz que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o sedentarismo é considerado o quarto maior fator de risco de mortes no mundo. “Dados de 2018 mostraram quem um em cada quatro adultos não são considerados fisicamente ativos ou suficientemente ativos.  Entre os adolescentes (11-17 anos), quatro em cada cinco são sedentários’’.

Segundo o especialista uma pessoa fisicamente ativa deve realizar 150 minutos de atividades aeróbicas com intensidade moderadas ou vigorosas para os adultos e para crianças 60 minutos por dia – ou seja, 300 minutos por semana. “A diferença entre sedentarismo e comportamento sedentário é que a pessoa que é sedentária são aquelas que fazem esse tempo inferior a esse volume de atividades aeróbicas como pedalar, correr e outras. Já o comportamento sedentário é o tempo que o indivíduo passa sentado, deitado ou na frente do computador, tv. Esses volumes são preconizados pelas OMS e pelo Colégio Americano da Medicina do Esporte que são duas organizações mundiais quando se trata de saúde’’.

Matheus trouxe dados de um estudo realizado no Brasil com cerca de duas mil pessoas no primeiro mês de quarentena que apontou mudanças no comportamento. “O nível de estresse aumentou 40%, ansiedade 71%, depressão 90%. Já quem se manteve ativo, praticando atividades físicas teve melhora na saúde mental. As pessoas devem achar um equilíbrio, nem ficar parado (sedentário) nem aproveitar o isolamento social para exagerar nos exercícios. Tem que achar o ponto de equilíbrio.”

Silva lembra ainda que 88,24% das pessoas que morreram com o Covid-19 eram obesas ou tinha sobrepeso. “Ou seja, é muito importante se manter ativo fisicamente e mentalmente durante o isolamento social.”

Abaixo, a íntegra da entrevista:

 

Fonte: Tribuna Independente / Lucas França

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