Saúde

17 de julho de 2020 08:06

Governo manda Fiocruz indicar cloroquina como tratamento para Covid-19

Fundação participa de estudo da OMS que suspendeu testes com os medicamentos porque eles "não reduziam a mortalidade dos pacientes"

↑ Jair Bolsonaro fazendo propaganda da cloroquina (Fotos: Reprodução)

Mesmo não havendo evidências científicas sobre a eficácia da cloroquina no tratamento inicial da Covid-19, o Ministério da Saúde quer que a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), uma respeitada entidade científica, indique o medicamento.

A Fiocruz participa do estudo Solidarity, da Organização Mundial de Saúde (OMS), cujos testes com a cloroquina e a hidroxicloroquina foram suspensos há um mês porque todos os resultados obtidos apontaram que as substâncias “não reduziam a mortalidade dos pacientes”.

Reportagem do Estadão informa que apesar disso, o secretário de atenção especializada à saúde, Luiz Otávio Franco Duarte, enviou um ofício endereçado à presidência da Fiocruz e à direção dos institutos Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI) e Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF), solicitando “a ampla divulgação desse tratamento”.,

Em nota divulgada na quinta-feira, 16, o Ministério confirmou que se trata de “de ofício de caráter administrativo para orientar os institutos e hospitais federais sobre a Nota Técnica divulgada pelo Ministério da Saúde, que trata do enfrentamento precoce da Covid-19”.

Perguntado sobre as evidências científicas que embasam tal recomendação, o Ministério da Saúde, sob a chefia do ministro interino general Eduardo Pazuello, não ofereceu nenhuma explicação.

Em nota divulgada nesta quinta-feira, 16, a Fiocruz afirma que “entende ser de competência dos médicos sua possível prescrição”.

No fim da nota, a Fiocruz lembra que participa “por designação do Ministério da Saúde, e é responsável no Brasil pelo estudo clínico Solidariedade, que avalia a eficácia de medicamentos para a Covid-19”. O estudo, conduzido globalmente pela OMS é aquele mesmo que concluiu pela ineficácia dos remédios.

Fonte: Brasil 247

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