Saúde

15 de julho de 2020 09:13

Leitos para oncologia não foram afetados

Muitos pacientes estão receosos e houve evasão por causa da Covid-19

↑ Apesar da redução no atendimento oncológico, a rede de saúde vem realizando os tratamentos

A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBCO) avalia que com todas as atenções voltadas ao atendimento de pacientes com o novo coronavírus e as medidas de prevenção, quase não sobra espaço para os tratamentos e diagnósticos de pacientes oncológicos no país. Mas o que tudo indica é que em Alagoas, segundo as secretarias de Saúde e algumas unidades de referência do tratamento de câncer, o acompanhamento aos pacientes está em dia. No entanto, muitos deles acabam não indo por automaticamente já serem de grupo de risco.

Em Maceió, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informa que vem realizando os acompanhamentos dos casos de pacientes oncológicos e afirma que não foram diminuídos ou redirecionados leitos oncológicos para Covid-19. Para este fim,  foram contratualizados novos leitos.

A capital alagoana conta com três serviços habilitados pelo Ministério da Saúde (MS) para prestação de serviços de saúde voltados para a oncologia, que são Santa Casa de Misericórdia de Maceió (Cacon com Pediatria Oncológica), Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (Huppa/UFAL-Cacon) e Hospital Veredas (Unacon exclusivamente pediátrico), que ofertam ao Sistema Único de Saúde (SUS) 46, 11 e 27 leitos oncológicos, respectivamente.

A SMS ressalta que quando há diminuição no atendimento, ela se dá, por conta da pandemia do novo coronavírus, em todas as especialidades, sejam elas clínicas ou cirúrgicas. ‘’Isso acontece devido a afastamento de profissionais por serem dos grupos de risco ou por terem contraído a Covid-19, assim como por conta da suspensão temporária dos atendimentos ditos eletivos, sejam eles cirúrgicos ou ambulatoriais, de alguns prestadores de serviço’’.

ARAPIRACA

Em Arapiraca, a coordenadora da Rede Municipal de Oncologia, Joana Darc Soares, diz que os atendimentos estão sendo ajustados e que de fato houve afastamento de profissionais, por suspeita ou confirmação de Covid-19, mas que já retornaram aos serviços.

Ela ressalta que os profissionais da área em sua maioria são jovens.  “O cenário muda da capital para o interior. Fizemos ajustes com a direção. Tivemos o afastamento de profissionais que já retornaram, mas não cessaram as consultas e tratamentos. Aqui em Arapiraca, os serviços continuam. Em Maceió pode acontecer ter dificuldade por conta que são Cacon’s. Mas, geralmente isso é algo pontual’’, comenta.

O cirurgião oncológico do Hospital Cliom – uma das unidades de referência privada, Diego Nunes, diz que não houve diminuição pelo menos em relação aos atendimentos na unidade.

“Por aqui, não tivemos afastamentos, o ritmo continua o mesmo. Na verdade, o que limita são os alguns hospitais privados, mas por falta de uma medicação ou outra para se fazer anestesia. Aqui não aconteceu. Ressalto que na unidade nenhum profissional teve Covid-19 ou suspeita e nem recebeu pacientes, o que nos possibilitou a trabalhar em ritmo normal’’, disse Nunes, avaliando que em outras unidades que ele também trabalha houve o afastamento de pacientes.

“Alguns estão receosos e acabam não procurando as unidades que fazem tratamento. Observo que houve evasão. No HU [Hospital Universitário] houve queda no número de cirurgias – o que possibilita um aumento futuro’’.

A reportagem tentou contato com a Santa Casa de Maceió e HU – referências no tratamento do câncer, para confirmar a evasão, mas até o fechamento desta edição não obteve retorno.

Fonte: Tribuna Independente / Lucas França

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