Saúde

11 de dezembro de 2019 08:32

Chikungunya: número de casos aumentou 680% este ano em Alagoas

Mais de 10 mil foram diagnosticados com dengue, um crescimento de 500%; registro do zika vírus também subiu

↑ Número de casos de doenças provocadas pelo Aedes aegypti disparou este ano em Alagoas, de acordo com dados da Secretaria da Saúde (Foto: Reprodução)

O número de vítimas do Aedes aegypti disparou em 2019. Segundo dados fornecidos pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesau), os casos chikungunya aumentaram 680%. Com 150 casos registrados entre janeiro e outubro do ano passado, a doença atingiu 1.019 pessoas no mesmo período deste ano.

Em relação à dengue, no ano passado foram 1.692 e este ano deu um salto para 10.238. Mais de 500% de aumento. O zika vírus também subiu, e os 129 casos de 2018 se tornaram 264 em 2019.

A professora Joelma Lessa está nessas estatísticas. Há 2 meses, começou a ter febre muito forte, dor de cabeça e ficou com o corpo todo vermelho, manchado. Fez sorologia e acusou que estava com chikungunya, e que tinha tido zika também. Desde então, tem convivido com muitas dores em todas as articulações, classificadas por ela como insuportáveis.

“Fui internada quatro vezes porque não conseguia andar, não conseguia ficar em pé. Fiquei totalmente debilitada. Você não tem controle do corpo, porque as dores são muito fortes”, relata.

Os sintomas atrapalharam até as atividades mais simples do cotidiano. “Despela o corpo todo, fico muito inchada e os pés, braços e dedos travam. A pessoa não consegue fechar a mão, usar salto, se abaixar. É horrível!”

E se a temperatura cai um pouco, ela diz que sofre mais. “Quando muda a temperatura e fica mais frio as dores aumentam. Mãos e pés ficam dormentes. Você quer pisar e não sente. O joelho incha muito, tornozelo, punho. A gente fica sem saber o que fazer, até abrir uma garrafa de água mineral eu às vezes não consigo. Perco totalmente o controle do corpo”.

Paulo Protásio, supervisor de endemias da Sesau, explica que se trata de arboviroses urbanas, um sério problema de Saúde Pública. “Das doenças transmitidas pelo mosquito (fêmea) Aedes aegypti, seguindo uma tendência nacional, esse ano a dengue foi a predominante, no estado de Alagoas, com uma elevação considerável de casos”.

Segundo ele, o crescimento se dá por conta das chuvas. “Desde o final do ano passado, aumento das chuvas, elevação do nível de água nos recipientes, depósitos, aumentando a população de mosquitos, vírus circulante, encontra uma população humana suscetível, sem imunidade, ocorrendo o aumento no número de casos”.

Agreste é a região com maior índice das doenças

 

A Sesau afirma que realizou treinamento, aperfeiçoamento para médicos e enfermeiros, no manejo clínico, fez capacitação para agentes comunitários de saúde, agentes de endemias e cooperação técnica com os municípios. A região com maior número de casos foi a do Agreste, Arapiraca e cidades do entorno.

Ainda nas ações de prevenção, está sendo feito monitoramento semanal das notificações de casos, dos índices de infestações, incentivando as ações de intensificação, para o combate ao mosquito, mobilização da comunidade.

Mas Protásio entende que a prevenção depende muito da população. “90% dos focos do mosquito são encontrados em depósitos de água para consumo humano/uso doméstico. Logo, está na atitude do cidadão, das pessoas”.

Ele orienta medidas que devem ser tomadas individualmente. “Se precisamos estocar água, temos que manter bem fechados todos os recipientes, pois podem se tornar criadouros do mosquito, e os depósitos inservíveis, eliminados, assim como o lixo, bem acondicionado, e em local adequado”.

Essas doenças podem gerar outras enfermidades, como microcefalia e Guillain-Barré. Segundo o Ministério da Saúde, o período do verão é o mais propício à proliferação do mosquito por causa das chuvas, e consequentemente é a época de maior risco de infecção por essas doenças. “No entanto, a recomendação é não descuidar nenhum dia do ano e manter todas as posturas possíveis em ação para prevenir focos em qualquer época do ano”, informa o material da campanha.

Prefeitura busca medidas para reduzir pontos crônicos de lixo

 

Se essas e outras doenças podem se proliferar por conta de acúmulo de água parada e até mesmo lixo, em casos de descarte irregular a população convive com os riscos permanentemente em Maceió.

A Superintendência Urbana de Desenvolvimento Sustentável (Sudes) informa que o descarte irregular de resíduos é considerado infração ambiental prevista pelo novo Código Municipal de Limpeza Urbana, que foi sancionado em setembro de 2019 em substituição ao anterior, de 1994. “Antes, o descarte irregular era passível somente de notificação ao cidadão e autuação aos grandes geradores – aqueles que produzem mais de 100 litros de resíduos por dia. Agora, a partir do novo Código, o flagrante pode resultar em multa que varia de R$ 120 a R$ 30 mil de acordo com a gravidade do caso, além da apreensão de veículos e materiais, seja pessoa física ou jurídica”.

A Sudes afirma ainda que entre vias públicas e terrenos públicos não edificados, há cerca de 200 pontos crônicos de lixo. “Para coibir a prática, a Sudes mantém ações de educação ambiental no entorno das regiões onde há maior incidência de descarte e conta com equipes de fiscalização em três turnos, que têm atuado por meio de notificações, autuações e aplicação de multas”.

A orientação em relação aos terrenos privados não edificados é que eles devem ser mantidos limpos e cercados para evitar o descarte de resíduos por parte da população. “Somente neste ano, a Sudes notificou cerca de 800 proprietários para que regularizem a situação”.

A Sudes também informa que tem investido na ampliação de ações estratégicas, a exemplo da instalação de novos ecopontos – espaços adequados ao recebimento dos resíduos volumosos que normalmente são descartados nos pontos crônicos de lixo.

Segundo a secretaria, há quatro ecopontos em funcionamento na cidade: um na Santa Lúcia, um Tabuleiro do Martins, um Dique Estrada e outro na Pajuçara. “Estão sendo estruturados um no Mercado da Produção e outro no conjunto Santa Maria (Cidade Universitária), e há ainda outros três cuja construção será iniciada no início do próximo ano na Jatiúca, Benedito Bentes e Gruta de Lourdes.

Em caso de dúvida, a prefeitura informa que faz a coleta gratuita, de resíduos volumosos. “Basta entrar em contato pelo 0800 082 2600 ou pelo Whatsapp 98802-4834”.

Fonte: Tribuna Independente / Emanuelle Vanderlei

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