Saúde

4 de dezembro de 2019 11:32

Alagoas registra 756 casos de HIV este ano

Segundo a Sesau, foram 259 diagnósticos de aids; Dezembro Vermelho promove prevenção e diagnóstico precoce da doença

↑ Testes para detectar o HIV podem ser feitos em três unidades de referência de Maceió: PAM Salgadinho, HU e Hospital Hélvio Auto (Foto: Agência Alagoas)

Dados da Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau) apontam que 1.015 pessoas foram diagnosticadas com o vírus HIV em 2019. Entre essas, 259 estão com aids. No Brasil, 38 mil pessoas iniciaram o tratamento esse ano, segundo o Ministério da Saúde (MS). Mundialmente, dezembro é um mês simbólico na luta contra a aids. Com a campanha dezembro vermelho, organizações públicas e privadas desenvolvem ações para prevenção e tratamento da doença.

Em 2018, a grande maioria dos novos casos de HIV aconteceu na faixa entre os 20 e 29 anos. Mas há incidência em todas as faixas acima de 14 anos. O número total cresceu, em relação a 2017, mas esse ano voltou a cair, considerando as comparações do 1º semestre.

Os homens são maioria entre os jovens. 139 contraíram o vírus no primeiro semestre de 2019, enquanto as mulheres são 64. Já os casos de aids confirmados nesse período foram 37 homens, para 4 mulheres. Houve uma redução de mais de 10% em relação ao mesmo período no ano passado.
Fernando (nome fictício) é um desses alagoanos. Ele tem 23 anos e descobriu que estava com o vírus no dia 2 de setembro deste ano. Começou o tratamento no dia 25 do mesmo mês e de lá pra cá toma 2 comprimidos por dia. Segundo ele, no início teve muito sono, mas hoje sua vida está igual a antes.

“A única coisa que literalmente mudou na minha vida foi só porque agora eu tenho que tomar dois comprimidos e transar sempre com camisinha mas nada na minha vida mudou. Porém a minha alimentação agora está um pouco mais restrita porque eu tenho que evitar comer algumas coisas para não acabar adoecendo facilmente. Mas tirando isso tá tudo ótimo”, conta o jovem.

Em Maceió, 491 pessoas descobriram estar infectadas pelo vírus em 2018, enquanto 293 estão com aids. Em Arapiraca, são 68 casos de HIV e 23 de aids. Palmeira dos Índios apresentou um número de 19 portadores do vírus. Em Barra de Santo Antônio e Rio Largo são 12 pessoas com a doença.

Mas além desses casos, há os não diagnosticados. O Ministério da Saúde estima que 135 mil brasileiros vivem com o vírus e não sabem. A campanha esse ano foca nisso. “E se o teste de HIV der positivo? Se a dúvida acaba, a vida continua!”, diz o texto do cartaz. A campanha destaca que, caso o resultado do teste seja positivo, com o tratamento adequado, o vírus HIV fica indetectável e a pessoa não desenvolve a doença.

Em Alagoas, a Sesau está organizando a campanha para esse mês com capacitações nos municípios e levando semanalmente testes rápidos para Infecções Sexualmente Transmissíveis nas grotas.

Tratamento pode tornar vírus indetectável, quando descoberto no início

Apesar de estar fisicamente bem, Fernando lamenta o preconceito que ainda existe. “Infelizmente as pessoas preferem alimentar o preconceito do que procurar se informar, saber como hoje de fato vive uma pessoa com vírus para aprender a respeitar”.

O jovem se assustou com a descoberta e chegou a se sentir culpado nos primeiros momentos, mas já se sente melhor e se solidariza com outras pessoas. “Eu me sinto até privilegiado porque eu cheguei a conhecer pessoas que me falaram que foram infectadas porque foram estupradas, foram abusadas e eu fiquei muito triste com isso”.

Grato à equipe de profissionais da saúde, o paciente reforça a importância da saúde pública no tratamento. “Graças a Deus não tenho custo algum, não preciso investir nada para cuidar da minha saúde. Inclusive eu recomendo a equipe do Pam Salgadinho, que tem uma recepção maravilhosa, me acolheu e eu me senti muito bem com isso”.

Com a intenção de desmistificar o assunto, Fernando reforça a necessidade de informação na sociedade. “Acho que as pessoas precisam entender que hoje HIV não é mais sentença de morte, que hoje uma pessoa vivendo com HIV tem a mesma expectativa de vida de uma pessoa que não tem HIV. Se chegar a ser indetectável é praticamente uma cura e as pessoas precisam falar sobre isso”. Mas ele alerta que é fundamental promover o uso da camisinha. “Para não passarem pelo que eu estou passando, pelo que muitas pessoas passam”.

Prevenção é importante em todos os momentos. A doença pode ser transmitida através de sexo vaginal, oral ou anal, caso não seja com camisinha. Também é possível contaminar através de transfusão de sangue, seringa compartilhada ou instrumentos que cortam e não foram esterilizados. Em casos de gestantes que possuem o vírus, é preciso informar aos profissionais da saúde para que as medidas sejam tomadas no parto. A amamentação também pode contaminar.

Mas em caso de dúvida, o ideal é obter o diagnóstico o mais rápido possível. Em Alagoas, o teste rápido é ofertado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em todos os municípios, nas unidades básicas de saúde.

Fonte: Emanuelle Vanderlei / Colaboradora

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