Saúde

18 de novembro de 2019 09:21

Câncer de próstata pode ser evitado com exames simples, mas eficientes

Santa Casa de Maceió realizou o sexto mutirão de rastreamento da doença em pacientes do SUS

↑ Após palestra de orientação, pacientes do SUS realizaram exame de toque (Foto: Ascom)

Preconceito, medo e desinformação ainda rondam uma das doenças que mais atingem os homens no mundo: o câncer de próstata. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), mais de 68 mil novos casos serão registrados no Brasil só este ano. Em 2018, mais de 15 mil homens morreram em decorrência de complicações da doença. Mas ela tem cura. A mudança de mentalidade masculina, com a busca pelos serviços de saúde, é fundamental para mudar esses números.

A próstata é um órgão pequeno, que tem a forma de maçã e se situa logo abaixo da bexiga e à frente do reto (parte final do intestino grosso). Ela envolve a porção inicial da uretra, tubo pelo qual a urina armazenada na bexiga é eliminada. Ele também é responsável pela produção de parte do sêmen, líquido espesso que contém os espermatozoides, liberado durante o ato sexual. No País, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não-melanoma).

Fruto do trabalho voluntário da Santa Casa de Misericórdia de Maceió e da Sociedade Brasileira de Urologia, a 6º edição do Novembro Azul foi realizada no dia 8 de novembro com o auxílio dos membros da Liga Urológica Acadêmica da Uncisal (LUAU). Com o apoio da Divisão de Ensino e Pesquisa da instituição, o projeto realizou um mutirão de rastreamento da doença em 58 pacientes triados e enviados pelo CORA e PAM Salgadinho.

Acadêmicos da Uncisal auxiliaram os trabalhos de rastreamento da doença

A atividade incluiu palestras de conscientização, exame de PSA, além de consulta individualizada com exame do toque retal. Dos homens atendidos, alguns apresentaram alteração com relação à consistência prostática e farão novos exames. “Fizemos uma lista para 40 homens e recebemos 18 a mais, o que mostra que eles estão aderindo à ideia de conscientização. Nenhum deles se negou a fazer o toque retal, e os que não tinham feito o PSA dentro do programa da Santa Casa, farão o exame e serão atendidos no Serviço de Urologia pelo SUS. A amostragem foi baixa, mas o suficiente para detectar três ou quatro possíveis casos de câncer de próstata”, disse o coordenador do Serviço de Urologia da Santa Casa de Maceió, Mário Ronalsa.

José Sávio Batista Ribeiro participa do mutirão há cinco anos

José Sálvio Batista Ribeiro foi um dos homens atendidos durante a ação da Santa Casa de Maceió. “Desde os 50 anos faço meus exames quase todos os anos. Hoje tenho 63. Entendo que ele é de grande importância para nós, homens. Sou muito grato pela oportunidade que a Santa Casa de Maceió nos dá. Espero que todos entendam essa necessidade e façam seus exames, assim podem se prevenir de uma doença tão grave como o câncer de próstata”, destacou o paciente.

O rastreamento anual de câncer de próstata é feito com dois exames simples: amostra de PSA, que é uma proteína encontrada no sangue e que, quando alterada, pode ser um demonstrativo de doença na próstata, e o toque retal. “Cerca de 20% das linhagens de tumores de próstata não alteram o PSA, por isso a necessidade de fazer o toque retal. O paciente acha que se fizer o exame de sangue todo ano e der zerado, ele está ótimo. Mas, de um ano para o outro, o PSA pode triplicar ou aumentar dez vezes, e o paciente ainda pode achar que foi um engano, que foi erro de digitação. Só quando refaz o exame e faz o toque, é que o médico pode encontrar o tumor. Esses tumores normalmente acometem homens mais jovens, na casa dos 50 anos, que têm taxas hormonais mais altas que os idosos, isso favorece a evolução de um prognóstico muito pior, pois o paciente metastatiza muito mais rápido e não tem uma recuperação grande. Muitos morrem em razão do tumor”, alertou o urologista.

Novembro Azul reforça a necessidade da prevenção

O Novembro Azul é um movimento mundial criado para reforçar a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de próstata. A doença é o segundo tipo de câncer mais comum entre os homens brasileiros.

O urologista Mário Ronalsa comandou as ações do sexto mutirão do Novembro Azul

Como na maioria dos países a estimativa de vida de pacientes acima dos 80 anos é pequena, o rastreamento deve ser feito dos 50 aos 80 anos. Se o paciente tiver histórico familiar, com pai ou irmão com câncer de próstata, a busca deve começar aos 45 anos.  “De forma geral, o câncer da próstata é o carro chefe da urologia. Mais de 60% do nosso atendimento no ambulatório SUS e no privado é relacionado a doenças da próstata, não só câncer, mas de doenças benignas também, como a prostatite e a hiperplasia benigna da próstata (HPB). Não temos nenhum apoio no âmbito municipal, estadual ou federal para combater a doença de forma mais efetiva. O INCA mostrou que temos mais câncer de próstata do que câncer de mama”, ressaltou o coordenador do Serviço de Urologia da Santa Casa de Maceió, Mário Ronalsa.

Ainda segundo cirurgião, novembro é o momento que há um reforço na conscientização para a saúde do homem, algo que vem melhorando a cada ano. “Esse trabalho é feito por meio de palestras, mutirões e campanhas, mesmo sem nenhuma atuação dos governos municipal, estadual e federal. São instituições filantrópicas, como a Santa Casa de Maceió, privadas, como a Sociedade Brasileira de Urologia, e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), que se envolvem nesse movimento, e os resultados são bem expressivos”, disse.

Fonte: Assessoria

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